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Bento e Olavo, dois mestres que convergem

Falando do ano de 2022, poderia citar muitos eventos que fizeram aflorar alguns sentimentos que em por muito tempo não se manifestaram. Dentre todos estes eventos, dois deles foram e continuam sendo marcantes e motivo de muita reflexão e leitura.

O primeiro deles foi a surpreendente notícia do falecimento do professor e filósofo Olavo de Carvalho. Recordo vivamente onde estava, como recebi a notícia e a que horas a recebi. Um sentimento estranho desenvolveu-se naquele momento, algo como “mas isso não pode acontecer!”, uma estupefação fez-se presente diante do anúncio feito pela família do professor em sua rede social.


Para entender um pouco deste sentimento de negação primeira diante da notícia, deve-se entender o que entendo da pessoa de Olavo de Carvalho, e compreender o mínimo do que este homem fez pelo Brasil, pela educação brasileira. Espero que um dia Olavo seja reconhecido em seu papel fundamental para o movimento de restauração da alta cultura e elevação educacional em nosso país, e que possa vê-lo como verdadeiro patrono de uma elevada educação brasileira.


Um segundo evento marcante de 2022 não poderia ser outro. No final de ano, o mundo e eu, recebemos também com estupefação a notícia do falecimento do Papa emérito Bento XVI. Apesar de muitos concordarem que sua idade avançada já deveria ter preparado as pessoas para tal notícia, a mim registrou-se intimamente a morte de um segundo grande mestre espiritual e intelectual. Tive o grande prazer de acompanhar sua eleição e seu pontificado, maravilhando-me com o esmero que este grande papa desenrolava suas reflexões sobre os mais variados temas da vida humana.


Dois grandes mestres, que formaram gerações e que legaram ao mundo o desenvolvimento de seus esforços intelectuais nas inúmeras obras que cada um escreveu. Não sei se Olavo e Bento XVI haviam se encontrado alguma vez na vida, mas para mim, parece irresistível e quase natural aproximar estes dois mestres e seus ensinamentos, encontrando neles fonte e apoio para uma verdadeira, justa e honesta vida intelectual.


Joseph Ratzinger desenvolveu uma teologia elevadíssima, que continua as grandes obras dos Padres da Igreja. Posso dizer aos que nunca leram nada escrito por este grande teólogo, comece pela trilogia escrita já enquanto papa, Jesus de Nazaré (Editora Planeta do Brasil), o que para muitos, parece ser uma espécie de síntese do intelectual com o homem de fé.


Olavo de Carvalho resgatou o exercício da filosofia da lama rasa em que jazia, especialmente pela baixa formação filosófica em nosso tempo. Suas obras e suas vídeo aulas, demonstram uma crueza que assusta, mas que deve ser assim para tirar a razão do sono embriagante da mediocridade. Aos curiosos e iniciantes, sugiro a leitura de O Jardim das Aflições (Vide Editorial), ou mesmo as vídeo aulas em seu canal no YouTube.


Enfim, estes mestres, segundo minha compreensão, convergem no esforço intelectual de elevar o ser humano dotado de razão, que deseja e precisa alçar voos mais altos que a razoabilidade de uma vida mesquinha e fútil, humana e espiritualmente.


Que Olavo e Bento XVI descansem em Deus.

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