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Ocaso

Última chamada para o Voo 765 com destino à Curitiba”.


Através deste som suave e firme foi que me acordei como que atraso para sair de casa para o trabalho de manhã. Era o meu voo. Esperava-o ansioso, pois não via a hora de poder estar numa praia de Florianópolis sentindo aquele sol que fazia a pele arder, aquele ventinho suave que ficava mais forte em dias de tempo nublado com os grãos de areia beliscando a pele.


Embarquei no avião à espera de dias emocionantes e reflexivos. Reflexivos porque acabara de brigar definitivamente com minha namorada e disto resultou uma definitiva separação. Faziam quatro anos que estávamos juntos. Esperava depois de tantos anos como cúmplices um do outro, o casamento. Tinha certeza que ela era o amor de toda a minha vida. Enfim, descobri uma coisa que no fundo já sabia: os seres humanos erram, e acabam descobrindo seus erros.


“Que bom, um quiosque junto a areia da praia.”. Tudo perfeito, poderia tomar uma cervejinha com os olhos na imensidão do mar, com pensamento tão distante quanto o horizonte que se desenhava à minha frente.


Olho para o lado e vejo que um menino tenta fazer um castelo na areia. ‘Mas que bobo’, pensei. Um castelo de areia pode ser tão frágil, no entanto é uma exibição de algo que vimos em algum lugar ou visualização de algo que pensava ver ou ser real.


Algo tão concreto como o casamento pode ser uma visualização. Pode ser de uma vida feliz e estável, como uma estaca fincada sobre uma rocha.


Mas como os castelos de areia são frágeis! Basta encostar o pé que eles desmoronam. A visualização do casamento desmorona com um simples toque, assim o percebi, assim o aprendi. Por quê? Porque nesta visualização - ao contrário do castelo de areia - sempre tem uma outra pessoa, um outro ego, um outro orgulho, uma outra mentalidade.


Estava terminando minha terceira cerveja, e via o sol querendo descansar no já familiar horizonte. Tenho mais alguns dias na praia, e sempre verei o ocaso.


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