SANTIAGO, 25 Feb. 12 (ACI/EWTN Noticias) .- Malén Oriol, exdirectora de las consagradas del movimiento laico de los Legionarios de Cristo, el Regnum Christi, fundó en Chile la nueva asociación de vida consagrada femenina "Totus Tuus".
En un comunicado enviado hoy a ACI Prensa, el Departamento de Opinión Pública del Arzobispado de Santiago de Chile informa que el Arzobispo, Mons. Ricardo Ezzati, erigió, en su capilla privada, la nueva asociación con personalidad
canónica el día 22 de febrero.
Junto a Mons. Ezzati Andrello, también participaron de la ceremonia el Arzobispo Emérito de Santiago, Cardenal Francisco Javier Errázuriz, el sacerdote José Antonio Varas y el grupo de mujeres fundadoras venidas desde ocho países de Europa y América entre las cuales estaba Malén Oriol.
El Cardenal Errázuriz ha sido nombrado por el Arzobispo de Santiago para "acompañar a la Comunidad Totus Tuus" durante su primer año.
El texto del Arzobispado de Santiago señala además que "en respuesta a una consulta de Monseñor Ricardo Ezzati, acerca de la oportunidad de erigir canónicamente la Asociación ‘Totus Tuus’, a través de la Secretaría de Estado del Vaticano, Su Santidad el Papa Benedicto XVI, comunicó su ‘parecer favorable’".
Malén Oriol renunció hace pocos días a su cargo como asistente general del Director General de los Legionarios de Cristo para la vida consagrada femenina, junto a cerca de 30 consagradas del Regnum Christi.
En su carta, dirigida al Delegado Pontificio para la Legión de Cristo, Cardenal Velasio de Paolis, la exconsagrada de l Regnum Christi explicó que las renunciantes pidieron permiso a la Santa Sede para "vivir su consagración no como miembros del movimiento del Regnum Christi sino bajo la autoridad de un Obispo".
El nombre elegido para la nueva fundación, Totus Tuus, latín para "Todo Tuyo", coincide con el lema del Beato Papa Juan Pablo II, que hace referencia a su consagración personal a la Virgen María.
Mons. Ezzati, quien ha dado un hogar a la nueva comunidad, fue uno de los cinco visitadores nombrados por el Papa Benedicto XVI para investigar a la Legión de Cristo entre 2009 y 2010.
Por su parte, el Cardenal Errázuriz tiene amplia experiencia en el campo de la vida consagrada, ya que fue Secretario de la Congregación vaticana para los Institutos de Vida Consagrada y Sociedades de Vida Apostólica entre 1990 y 1996.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Exdirectora de consagradas del Regnum Christi funda nueva asociación en Chile
sábado, 25 de fevereiro de 2012
I Domingo da Quaresma
Gn 9,8-15 1Pd 3,18-22 Mc 1,12-15
Pe. Valderi
Hoje nos encontramos no primeiro domingo da quaresma, tempo que a Igreja nos oferece para reflexão, arrependimento, penitência e conversão. Mas além disso, tempo de renovar nossas boas ações como atos de piedosa caridade aos irmãos e isto expressamos de forma mais concreta neste tempo na doação de esmola e nas obras de caridade.
O amor do criador por suas criaturas é insondavelmente grande, algo que nem podemos imaginar. Este amor de Deus é capaz de reunir todos os nossos pecados, blasfêmias, injurias, imoralidades, desavenças e esquecê-las ao ver nosso coração arrependido e sincero. É o que vemos de modo sublime e definitivo para a história do povo de Israel e que ouvimos nesta primeira leitura, onde Deus, tendo mandado o dilúvio sobre a terra por conta da vida pecaminosa e afastada de Dele, olha com compaixão por aqueles que estavam na barca e que temiam a Deus e por isso sela uma promessa de nunca mais enviar algo tão devastador para varrer os homens da terra.
Eis que vou estabelecer minha aliança convosco e com vossa descendência, com todos os seres vivos que estão convosco (v.8). A aliança que Deus firma com seu povo não é quebrada por parte Dele, pois Ele não pode contradizer a palavra proferida por Ele mesmo, por isso, Sua palavra é irrevogável. O que acontece é que a outra parte da aliança, ou seja, nós os homens, as vezes não conseguimos nos manter fiéis, conduzindo nossa vida a outros caminhos distantes daquele fixado por Deus. Somos esta descendência de Noé e daqueles que estavam com ele na barca, temos o compromisso de honrar nossa parte nesta aliança. Ele não é infiel e já prometeu não enviar outro desastre como o dilúvio, mas ainda temos que ser fiel a esta aliança.
Assim, como em outros momentos da história do Antigo Testamento, Deus reafirma este contrato com o povo para lhes mostrar que Seu imenso amor é tão forte que não o deixa abandonar suas criaturas mesmo elas cometendo os mais nefastos pecados. Este atributo divino de fidelidade eterna a Sua aliança firmada, nos deve consolar e também nos mover a sermos também fiéis. Claro que não temos a força de Deus, algo que é impossível, mas Ele nos fortalece para que possamos vencer as tentações e seguir firmes em Sua palavra, vivendo fielmente Seus mandamentos. Isto é o que devemos suplicar a Deus neste tempo, que Ele nos fortifique para lutarmos contra as inúmeras e diversas tentações do mal que nos rodeiam neste mundo. Por nós mesmos sabemos que somos fracos diante de determinada situação ou coisa que pode nos fazer descumprir a Palavra de Deus, por isso ser tão necessário pedir a Ele força para vencer o pecado e permanecer fiel a sua Aliança conosco.
Por outro lado, também precisamos fazer nosso esforço pessoal para vencer as tentações, ou seja, não somente esperar que Deus me auxilie com Sua força mas que eu me comprometa a tomar certas atitudes que não me deixem cativar pelo pecado. Assim contamos com a graça de Deus e Ele com nosso esforço pessoal para alcançarmos o reto caminho.
Padre Royo Marín escreveu assim a este propósito:
Inumeráveis são as vantagens de vencer a tentação, com a graça e ajuda de Deus. Por que humilha Satanás; faz resplandecer a glória de Deus; purifica nossa alma, enchendo-nos de humildade, arrependimento e confiança no auxílio divino; obriga-nos a estarmos sempre vigilantes e alertas, a desconfiarmos de nós mesmos, esperando tudo de Deus, a mortificar nossos gostos e caprichos; aumenta nossa experiência e nos torna mais circunspectos e precavidos na luta contra nossos inimigos.
(ROYO MARÍN, O.P., Antonio. Nada te perturbe, nada te espante. 3 ed. Madrid: Palabra, 1982, p.56-57)
Isto para nos deixar claro que podemos contar com a graça e o auxílio de Deus, mas também precisamos realizar nosso esforço em nos manter afastados do pecado, principalmente neste tempo quaresmal onde buscamos purificação interior para nos preparar adequadamente para a Páscoa de Nosso Senhor.
A maior cena de investida do demônio para fazer o homem pecar e assim quebrar sua aliança com Deus é nos dada exatamente por Jesus. Diz o evangelista que o Espírito levou Jesus para o deserto. E ele ficou no deserto durante quarenta dias, e aí foi tentado por Satanás (v.12).
“Nesse período, quis o Redentor contemplar o panorama completo da sua missão e como a santa Igreja haveria de manter os efeitos da Redenção até os últimos tempos, através dos Sacramentos”
(Mons. João Clã Dias EP. Revista Arautos do Evangelho. n.122, fevereiro de 2012. p.13)
Cristo quis passar por esta etapa antes de iniciar sua vida pública anunciando sua mensagem de salvação.
“Mostra-nos assim... que antes de lançar-se a [alguma atividade] é indispensável preparar-se pela oração e pela contemplação, pois a vida interior é a alma de toda a ação missionária [e também da vida cristã diária]”.
(Mons. João Clã Dias EP. Revista Arautos do Evangelho. n.122, fevereiro de 2012. p.13)
Não precisava, sendo Deus, se sujeitar as investidas do demônio para saber a influência que o mal exerce sobre o homem, mas queria esta experiência para mostrar aos homens que a tentação pode ser vencida com a oração e o sacrifício
pessoal. Diz Mateus que Ele jejuou durante quarenta dias e quarenta noites (4,2), ou seja, não somente orou mas também ofereceu um sacrifício no corpo para que também pudesse mostrar que as necessidades corporais não são reguladoras do homem, isto é, não podemos deixar que estas necessidades, sejam da ordem que for, comandem nossas atitudes.
Saindo destes dias no deserto, Jesus passa a anunciar o Evangelho. Após quarenta dias de preparação Cristo se lança a comunicar aos homens e mulheres que o tempo já se completou e o Reino de Deus está próximo (v.15a). Com a vinda de Cristo a plenitude dos tempos chegou e a hora da salvação se completou. Não temos mais que esperar como os judeus que aguardavam a vinda do Messias para sua libertação, pois o Salvador está entre nós, chegou o tempo e este não é prolongado, ou seja, não podemos esperar, é agora o momento da salvação, o momento de nosso arrependimento, de nossa conversão, de nossa mudança de vida. Convertei-vos e crede no Evangelho! (.v15b). Estas são as palavras com que Cristo abre este tempo de preparação quaresmal.
Nosso desejo de mudança de vida deve estar cheio de confiança em Deus, Ele conquistou através de Seu Sacrifico na Cruz as graças necessárias para nossa salvação e fez de Sua Igreja a dispensadora dessas graças. Vivamos este tempo com este empenho de mudança e com a confiança de que através da vivência dos sacramentos podemos viver a Páscoa de Cristo com a atitude de corpo e alma em conformidade com a vontade de Deus.
Assim seja.
São João de Ávila será proclamado Doutor da Igreja
De repente, ouve-se na igreja um soluço que mais parecia um rugido: um homem de grande porte sai do templo, onde predica o Pe. Mestre Ávila na festa de São Sebastião, dando fortes pancadas no peito compungido: era o futuro São João de Deus!
Esse foi um dos esplêndidos frutos da pregação ardente e sobrenatural de São João de Ávila, o qual figura entre os maiores santos espanhóis de sua época, com Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa de Jesus.
* * *
João de Ávila (1) nasceu no ano de 1500 na pequena cidade de Almodóvar del Campo, na Diocese de Toledo. Seus pais, Alonso de Ávila e Catarina Xixón, eram "dos mais honrados e ricos do lugar". O pai descendia de "cristãos novos" (judeus convertidos).
Precoce na inteligência e piedade, notava-se nele desde menino uma já notável mortificação, muita propensão para a oração, devoção profunda ao Santíssimo Sacramento e um amor especial pelos pobres.
Aos 14 anos foi mandado para a famosa Universidade de Salamanca para estudar Direito. Não terminara ainda esse curso quando, sentindo um apelo especial de Nosso Senhor para Seu inteiro serviço, abandonou o estudo voltando para casa. Nela permaneceu três anos em grande recolhimento, oração, penitência e freqüência aos Sacramentos. Passava várias horas do dia em adoração diante do Sacrário.
Seu intenso amor de Deus dirigiu-o, enfim, ao sacerdócio, pelo desejo de atrair o maior números de pecadores a seu Criador. Continuou assim seus estudos na não menos famosa Universidade de Alcalá, onde foi discípulo do renomado Domingos de Soto, que predisse ao seu aluno um brilhante futuro.
No dia de sua ordenação, o Pe. João de Ávila vestiu e serviu com as próprias mãos refeição a 12 mendigos em honra dos Apóstolos. Único herdeiro da grande fortuna dos falecidos pais, vendeu tudo, distribuindo o obtido aos necessitados. Desde então passaria a viver de esmolas.
Começou então "uma vida austeríssima, de grande recolhimento e mortificação, dada à oração e favorecida com extraordinárias visões e revelações" (2). "Às mortificações do corpo, juntava as do espírito. Morria todos os dias para si mesmo pela prática de uma renúncia absoluta, de uma humildade profunda e de uma inteira obediência" (3).
Apóstolo da Andaluzia
Sedento de almas, o jovem sacerdote dirigiu-se a Sevilha com o intuito de embarcar para as Índias, a fim de converter a multidão de pagãos que morria sem conhecer o verdadeiro Deus. Enquanto esperava a partida, um dia em que celebrava a Missa e pregava em uma paróquia da cidade, foi ouvido pelo Servo de Deus, Pe. Fernando de Contreras. Vendo o grande tesouro espiritual que se encerrava naquele sacerdote de aspecto humilde e mortificado, quis saber de quem se tratava. Conhecendo assim o projeto do Pe. João de Ávila, pediu o referido Pe. Fernando ao Grande Inquisidor que ordenasse ao sacerdote, em nome da santa obediência, que permanecesse na Espanha, onde poderia obter também imensos frutos. Dessa forma começava sua carreira apostólica o grande Apóstolo da Andaluzia.
"O Espírito Santo fala por sua boca"
Como pregador, o Pe. Ávila adquiriu logo grande renome. Escolheu São Paulo como modelo e patrono. Preparava-se para cada sermão com muita oração e penitência, a fim de obter que a graça divina o assistisse e a seus ouvintes.
Aos poucos a fama do novo pregador espalhou-se por toda a Andaluzia. "Sua popularidade é extraordinária. Quando prega, lotam-se as igrejas e tem que fazer seus sermões nas praças públicas" (4). "Dir-se-ia que o Espírito Santo falava por sua boca, de tal modo seus sermões estavam cheios desses traços de fogo que convertem e mudam os corações. Ele retirava do vício aqueles que nele estavam enchafurdados, e confirmava no bem aqueles que não se tinham desviados das vias da justiça" (5).
Não é de admirar que, durante seus sermões "até os rapazes que o ouviam, choravam; e quando terminava o sermão, era coisa maravilhosa ver as pessoas que o seguiam beijando-lhe as mãos e a roupa e mesmo os pés, se não houvera impedido" (6).
Os sermões do Pe. Mestre Ávila tornaram-se tão famosos, que as pessoas dirigiam-se já de madrugada às igrejas onde ia pregar, para obter um bom lugar. Às vezes, sendo pequena a igreja, ele tinha que pregar nas praças públicas. E, lotando-se estas, as pessoas subiam até nos telhados das casas para ouvi-lo, ficando por mais de duas horas presos às suas palavras.
Ante o Tribunal da Santa Inquisição
Naquela época em que toda a Europa era abalada por cismas e pseudo-reformadores, e na própria Espanha uma seita, a dos iluminados, sob aparências de alta virtude, enganava muita gente piedosa, o Santo Tribunal da Inquisição estava muito ativo para opor-se a qualquer novidade duvidosa. Fala a favor dessa instituição tão caluniada, o fato de que vários Santos, acusados por inimigos, foram a ela levados, julgados e, evidentemente, inocentados. Assim sucedeu com Santo Inácio de Loyola e com a grande Santa Teresa de Jesus.
Da mesma forma coube ao santo Mestre Pe. Ávila a glória de ser acusado por invejosos perante o temível Tribunal, e de permanecer nele preso enquanto corria seu processo. Nesse isolamento concebeu uma de suas mais famosas obras, Audi, Filia (Ouve, Filha) escrita para uma de suas dirigidas a quem desejava elevar a eminente santidade.
Evidentemente, foi comprovada a inocência do Santo, fazendo tal evento brilhar mais sua ortodoxia.
Conselheiro de Prelados e correspondência com Santos
Para sustentar os inúmeros discípulos que se formaram a seu redor, o Pe. Mestre Ávila dedicava boa parte de seu tempo à correspondência e a escrever obras espirituais.
Diz o grande teólogo Frei Luís de Granada que "as cartas lhe chegavam de todas as partes da Espanha. E, em seus últimos anos, era ele conselheiro nato de vários prelados, como o Arcebispo de Granada, D. Pedro Guerrero, D. Cristóbal de Rojas, bispo de Córdoba e D. Juan de Ribera, bispo de Badajoz e mais tarde arcebispo de Valência" (7). Este último seria também elevado à honra dos altares.
São João de Ávila manteve correspondência com quase todos os Santos espanhóis contemporâneos seus, como São Pedro de Alcântara, Santo Inácio de Loyola, Santa Teresa de Jesus, São Francisco de Borja e São João de Ribeira.
Humildade do Santo em face de Santo Inácio
Se bem que o Pe. Mestre de Ávila tenha atraído muitos discípulos, não formou ele nenhuma Ordem religiosa. Mas, ao conhecer melhor a Companhia de Jesus, disse ao jesuíta Pe. Villanueva: "Isso é o que eu andava atrás há tanto tempo. E agora dou-me conta de que não me saía porque Nosso Senhor havia encomendado esta obra a outro, que é vosso Inácio, a quem tomou por instrumento do que eu desejava fazer e não conseguia" (8).
Santo Inácio o tinha em alta conta, escreveu-lhe diretamente, e ordenou aos seus representantes na Espanha – inclusive a São Francisco de Borja que acabara de ser recebido na Companhia – que visitassem o Pe. Mestre de Ávila e tudo fizessem para atraí-lo para sua Ordem. O Mestre Ávila respondeu diretamente a Santo Inácio que estava disposto a nela entrar se não estivesse constantemente tão doente. Mas aconselhou a trinta dos seus melhores discípulos que o fizessem. Doou à Companhia de Jesus vários dos colégios por ele fundados, e quis ser enterrado na igreja da Ordem em Montilla.
Os jesuítas da Espanha tinham por ele grande veneração, consultavam-no em casos difíceis, e o assistiram em seu leito de morte.
Plêiade de discípulos admiráveis
Aos poucos, muitos discípulos, atraídos por sua santidade, haviam se reunindo em torno do Pe. Mestre Ávila. Inúmeros leigos, alguns da alta nobreza, também puseram-se sob sua direção. Houve casos, como o da Condessa Ana Ponce de León, em que não só a castelã, mas todas suas donzelas de serviço entregaram-se definitivamente a uma vida verdadeiramente religiosa. Três de suas convertidas, por ele dirigidas, morreram em odor de santidade, tendo sido favorecidas com grandes graças místicas.
Um outro grupo de discípulos seus, liderados pelo Servo de Deus Pe. Mateus de la Fuente, dedicou-se à vida contemplativa como solitários junto ao monte Tardón, restaurando depois na Espanha a primitiva Ordem de São Basílio. Outros ainda aderiram à reforma de Santa Teresa, vindo a tornar-se proeminentes Carmelitas Descalços. Um terceiro grupo, infelizmente, veio a ser o desgosto de sua vida. Entregues estes membros também à vida contemplativa, apesar das admoestações veementes e enérgicas do Santo --- que via o perigo que corriam por buscar o deleite espiritual pelo deleite em si -- dele se afastaram, acabando por seguir a seita dos iluminados e serem condenados pela Inquisição.
Vocação especial diante do sofrimento
A partir dos 50 anos, ou seja, nos últimos 19 anos de sua vida, o Pe. Mestre João de Ávila esteve sempre doente, algumas vezes impossibilitado mesmo de levantar-se, seja com alta febre, seja com terríveis dores renais (descobriram-se três pedras em seus rins, depois de sua morte). Nem por isso deixava de atender aos inúmeros visitantes ou de ditar cartas para os seus dirigidos. À primeira melhora, já estava no púlpito.
"Sua ânsia pelo martírio se satisfazia no leito de dor, e constantemente repetia: ‘Senhor meu! Cresça a dor, e cresça o amor, que eu me deleito em padecer’". Quando as dores eram mais insuportáveis, bem espanholamente exclamava: "Senhor: mais mal, e mais paciência". E, também: "Fazei comigo, Senhor, como faz o ferreiro: mantende-me com uma mão, e batei-me fortemente com a outra" (9).
Às dores abdominais, acrescentaram-se, nos meses anteriores à sua morte, outras agudíssimas no ombro e lado esquerdo das costas. No mês de março, o médico, como verdadeiro católico, lhe disse: "Senhor, agora é o tempo em que os verdadeiros amigos digam as verdades: vossa reverendíssima está morrendo. Faça o que é necessário para a partida". O Pe. Mestre Ávila elevou os olhos ao céu numa súplica à Santíssima Virgem, e pediu em seguida os Sacramentos que recebeu com a mais tocante piedade.
Aos sacerdotes da Companhia de Jesus que acorreram junto ao seu leito de morte, perguntou: "Padres meus: o que costumam dizer aos que serão enforcados ou queimados quando os acompanham ao patíbulo?". Responderam eles: "Que ponham sua confiança em Deus e nEle confiem". O moribundo então suplicou-lhes: "Meus padres, digam-me então muito isso" (10).
Na madrugada do dia 10 de maio de 1569, o Pe. Mestre João de Ávila foi receber no céu "o prêmio demasiadamente grande que Deus reserva àqueles que O amam". A uma discípula foi revelado por um anjo que sua alma não passara pelo Purgatório, mas fora diretamente para o Céu (11).
Santa Teresa de Ávila, que estava em Toledo na casa de Dona Luisa de la Cerda, quando recebeu a notícia pôs-se a chorar copiosa e sentidamente. Às Irmãs que lhe perguntaram a razão desse tão profundo pranto, uma vez que o Pe. Mestre de Ávila deveria já estar gozando de Deus, respondeu: "Disso estou bem certa. Mas o que me dá pena é que a Igreja de Deus perde uma grande coluna, e muitas almas, um grande amparo que tinham nele, que a minha, apesar de estar tão longe, o tinha por causa disso obrigação" (12).
Os desígnios de Deus são imperscrutáveis. Apesar de todos esses sinais e testemunhos universais de santidade, o Pe. Mestre Ávila só foi beatificado em 1894 ¾ portanto, mais de três séculos depois ¾ e seria canonizado quase oitenta após a beatificação, em 1970!
Notas
1- Tomamos como base para este artigo a biografia que aparece nas Obras Completas del Santo Maestro Juan de Avila, de autoria dos Pes. Luís Sala Balust e Francisco Martin Hernandez (Biblioteca de Autores Cristianos, Madrid, 1970). Esse livro tem como fundamento a primeira biografia do mesmo escrita pelo célebre teólogo e místico dominicano espanhol, Frei Luís de Granada, seu amigo íntimo; as declarações dos contemporâneos do Santo constantes nos processos visando sua beatificação; suas obras e correspondência. Para simplificação, as citações das mencionadas Obras Completas aparecerão como BAC e o número da página onde figuram.
2 - BAC, p. 37.
3 - Les Petits Bollandistes, Vies des Saints, Mgr Paul Guérin, Bloud et Barral, Libraires-Éditeurs, Paris, 1882, t. III, p. 292.
4 - BAC, p. 38.
5 - Les Petits Bollandistes, op. cit., p. 293.
6 - BAC, p. 38.
7 - BAC, pp. 264/265.
8 - Idem, p.158.
9 - Idem, p. 331.
10 - Idem, p. 334.
11 - Cfr. id., p. 339.
12 - Pe. Diego de Yepes, Vida, virtudes y milagros de la Bresa de Jesús , apud BAC, p. 340
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Artigo extraído de Frente Universitária e estudantil Lepanto
Sábado após Cinzas
O que Deus esta pedindo ao povo não se trata de mesquinharias, ou pelo contrário de algo impossível de se realizar. Se trata de deixar a omissão de certas coisas e deixar de realizar outras tantas que deformam a natureza humana além de desagradar a Deus e seu amor. De fato, nesta longa caminhada da vida acabamos nos adaptando a certos tipos de costumes artificias que são gerados instantaneamente como estar sempre preocupado com a última moda em roupa ou tecnologia até o cuidado exagerado de bens materiais e até de animais de estimação; coisas sem nenhum sentido de crescimento humano, apenas de prazer momentâneo, fútil ou que nos faz inverter valores humanos e cristãos. Isto nos acaba formando seres um pouco insensíveis principalmente a vida de nossos irmãos, principalmente quando falamos de nossos irmãos mais necessitados.
Em nossa sociedade ainda vemos muitas pessoas presas a estruturas opressoras, sejam no corpo ou no espírito. Opressão
O Senhor ainda pede que deixemos a linguagem maldosa (v.9b). De fato, Tiago já nos alerta dos perigos da língua e do que sai dela, a linguagem maldosa é fruto de nosso descuido da personalidade, ou seja, sabendo como sou não posso deixar a língua produzir tudo que se passa na mente, ao menos sem antes refletir. Também faz parte de nosso exercício cristão nesta quaresma, mortificar a língua, isto é, observar com mais atenção o que falo e para quem falo. Sempre existe algo para nos corrigirmos e também ao contrário observar aquilo que poderia falar mas negligentemente não falo.
O Senhor igualmente orienta ao povo que respeitando a Lei estabelecida por Ele, a honrando devidamente, então deleitaremos no Senhor. Vivendo corretamente os mandamentos e honrando estas leis estabelecidas a Seus filhos Ele irá nos transportar sobre as alturas da terra e desfrutar a herança de Jacó (v.14).
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O silêncio da criação
Nada foi mais inesperado e terrível. Os homens, mulheres e crianças viram apenas um homem, mas a criação toda, desde as pedrinhas mais ínfimas até o recondido mais oculto do universo sentiu o abalo que haveria de mudar a relação da existência do universo inteiro. O criador de tudo viu Seu Filho… Se viu, chagado até o extremo de suas forças. Todo ensanguentado viu sair de suas feridas o líquido da vida, líquido que ele mesmo criou e deu finalidade. Líquido que quis se tornasse o “óleo” vital para o corpo do homem.
Deus Eterno, Criador do universo, não consigo imaginar toda a angústia humana que deve ter sentido, toda dor em seu corpo dilacerado por aquele que criaste. Peço-te, dai a mim e a todos os homens e mulheres como a toda a criação a graça de sentir ao menos um “arranhão” do sofrimento que passaste, para que tenhamos mais amor e contrição contemplando sua oferta ilógica por nós, mas perfeita para Vós.
O universo silenciou… é Cristo que deu seu último suspiro antes de – temporariamente – morrer. Pôde um dia a criação Sua imaginar presenciar esta cena, o Rei do Universo deitar Sua cabeça e suspirar entregando Seu espírito ao Pai a maneira de seres mortais como nós?!
O silêncio da criação se fez, e nunca mais irá se repetir visto que Cristo padeceu uma vez para sempre pela corrupção de toda a criação. É fato único e extemamente terrível. É certo que nunca teremos algo parecido em nossos tempos, mas o fato inédito, único, irrepetível e perfeito, trouxe a todos nós algo que nada que venha da própria criação poderá um dia trazer: a possibilidade de entrar no Estado Eterno, onde Deus está, onde Sua divindade preenche cada espaço, onde não mais faremos silêncio de assombro, mas de plena graça em Deus.
Meu criador, meu Redentor. Queria carregar eu tuas dores, mas sou tão fraco e sujeito a desistência que não ouso te pedir tamanho compromisso, mesmo sabendo da felicidade que sentiria. Traze-me sobre o coração ao menos os sentimentos de tua Mãe Maria que viu e viveu Seu padecimento junto da cruz. Quero estar contigo nesta hora, abraçar tua cruz, sentir as lágrimas de Maria caindo ao chão e até morrer junto com a dor de saber de Vós, sofredor pelos homens que as vezes são tão pecadores. Olha pela criação inteira e cobre-a com sua existência sustentadora. Assim seja, meu Deus e Criador.
Via Sacra: caminho de dor e amor
Amados irmãos e irmãs,
Esta noite, na fé, acompanhámos Jesus, que percorre o último trecho do seu caminho terreno, o trecho mais doloroso: o do Calvário. Ouvimos o alarido da multidão, as palavras da condenação, o ludíbrio dos soldados, o pranto da Virgem Maria e das outras mulheres. Agora mergulhámos no silêncio desta noite, no silêncio da cruz, no silêncio da morte. É um silêncio que guarda em si o peso do sofrimento do homem rejeitado, oprimido, esmagado, o peso do pecado que desfigura o seu rosto, o peso do mal. Esta noite, no íntimo do nosso coração, revivemos o drama de Jesus, carregado com o sofrimento, o mal, o pecado do homem.
E agora, que resta diante dos nossos olhos? Resta um Crucificado; uma Cruz levantada no Gólgota, uma Cruz que parece determinar a derrota definitiva d’Aquele que trouxera a luz a quem estava mergulhado na escuridão, d’Aquele que falara da força do perdão e da misericórdia, que convidara a acreditar no amor infinito de Deus por cada pessoa humana. Desprezado e repelido pelos homens, está diante de nós o «homem de dores, afeito ao sofrimento, como aquele a quem se volta a cara» (Is 53, 3).
Mas fixemos bem aquele homem crucificado entre a terra e o céu, contemplemo-lo com um olhar mais profundo, e descobriremos que a Cruz não é o sinal da vitória da morte, do pecado, do mal, mas o sinal luminoso do amor, mais ainda, da imensidão do amor de Deus, daquilo que não teríamos jamais podido pedir, imaginar ou esperar: Deus debruçou-Se sobre nós, abaixou-Se até chegar ao ângulo mais escuro da nossa vida, para nos estender a mão e atrair-nos a Si, levar-nos até Ele. A Cruz fala-nos do amor supremo de Deus e convida-nos a renovar, hoje, a nossa fé na força deste amor, a crer que em cada situação da nossa vida, da história, do mundo, Deus é capaz de vencer a morte, o pecado, o mal, e dar-nos uma vida nova, ressuscitada. Na morte do Filho de Deus na cruz, há o gérmen de uma nova esperança de vida, como o grão de trigo que morre no seio da terra.
Nesta noite carregada de silêncio, carregada de esperança, ressoa o convite que Deus nos dirige através das palavras de Santo Agostinho: «Tende fé! Vireis a Mim e haveis de saborear os bens da minha mesa, como é verdade que Eu não recusei saborear os males da vossa mesa... Prometi-vos a minha vida... Como antecipação, franqueei-vos a minha morte, como que para vos dizer: Convido-vos a participar na minha vida... É uma vida onde ninguém morre, uma vida verdadeiramente feliz, que oferece um alimento incorruptível, um alimento que restabelece e nunca acaba. A meta a que vos convido... é a amizade como o Pai e o Espírito Santo, é a ceia eterna, é a comunhão comigo ... é participar na minha vida» (cf. Discurso 231, 5).
Fixemos o nosso olhar em Jesus Crucificado e peçamos, rezando: Iluminai, Senhor, o nosso coração, para Vos podermos seguir pelo caminho da Cruz; fazei morrer em nós o «homem velho», ligado ao egoísmo, ao mal, ao pecado, e tornai-nos «homens novos», mulheres e homens santos, transformados e animados pelo vosso amor.
Bento XVI
Monte Palatino
Sexta-feira Santa, 22 de Abril de 2011
| PRIMEIRA ESTAÇÃO | SEGUNDA ESTAÇÃO |
| TERCEIRA ESTAÇÃO | QUARTA ESTAÇÃO |
| QUINTA ESTAÇÃO | SEXTA ESTAÇÃO |
| SÉTIMA ESTAÇÃO | OITAVA ESTAÇÃO |
| NONA ESTAÇÃO | DÉCIMA ESTAÇÃO |
| DÉCIMA PRIMEIRA ESTAÇÃO | DÉCIMA SEGUNDA ESTAÇÃO |
| DÉCIMA TERCEIRA ESTAÇÃO | DÉCIMA QUARTA ESTAÇÃO |
MEDITAÇÕES E ORAÇÕES DE
Sua Eminência Reverendíssima
o Senhor Cardeal
CAMILLO RUINI
Sexta-feira Santa de 2010
Sexta-feira após Cinzas
Primeiramente a dor de Cristo se faz mais viva em nós quando sentimos algo no corpo que o faz se incomodar, o jejum de carne ou outro alimento igualmente apetitoso a nosso paladar, nos facilita esta experiência de sofrimento. Não que iremos sofrer com apenas uma abstinência de carne, mas este simples gesto nos traz a mente os padecimentos de Cristo e isto já pode ser o suficiente para nos movermos até mais próximo de nossa total conversão a Cristo.
Depois, este jejum nos aproxima ou nos faz recordar de nossos irmãozinhos que carecem deste alimento que por piedade nos abstemos. Não se trata apenas de lembrar piedosamente deles, mas de agirmos em prol destes, isto é quaresma, momento de ação movida pela fé. Sabemos qual caridade devemos fazer e a quem devemos fazer, então porque ainda exitamos?
Deus falou ao povo de Israel sobre qual o verdadeiro jejum que o agrada: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição... repartir o pão com o faminto, acolher em casa os pobres e peregrinos (vv.6-7). O jejum de que hoje falamos é desfigurado de qualquer sentido cristão se não é feito pelo espírito da caridade, mesmo aquele jejum que faço em casa, longe dos outros olhos, mas não longe dos olhos de Deus.
O jejum também é sinal de espera pelo noivo que esta por vir. Por isso Jesus responde no evangelho aos discípulos de João dizendo que como poderiam estar jejuando enquanto o noivo esta com eles? Era comum naquele tempo, como nos informam alguns pesquisadores, os convidados de uma festa de casamento não tocarem em nada dos alimentos enquanto o noivo não aparecesse na festa, ou seja, enquanto esperavam apenas vigiam sua vinda. Jesus é o noivo, e os discípulos são os primeiros convidados para esta boda. A igreja espera ansiosa o retorno do Noivo que partir com a promessa de sua segunda vinda. Por isso, fazemos o jejum, na espera do noivo que há de vir.
O jejum se torna tristeza pela ausência do noivo, mas também motivo de vigilância ansiosa por seu retorno. Retorno que deve nos encontrar prontos e penitenciados, ou seja, com o coração sereno por ter realizado as obras possíveis em vista do convite para a festa eterna das bodas.
Ouçamos as palavras inspiradoras do papa São Leão Magno: o que todo cristão deve fazer em qualquer tempo, agora deve fazê-lo com mais atenção e com mais devoção.













