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Uma família afegã: Do livro de Asne Seierstad

Atualizado: 29 de abr.

  • Mas você gosta de mim?

  • Você sabe que eu não posso ter opinião sobre isso.

  • Você vai aceitar se eu pedir a sua mão?

  • Você sabe que não sou eu quem decide.


A jornalista Asne Seierstad conseguiu, em seu projeto, transcrever a crueza de uma família afegã das últimas décadas, passando pelo Talibã até o atual regime. O livro que foi o resultado desta observação intensiva da jornalista logo se tornou um grande best-seller com milhares de exemplares vendidos. De fato, a curiosidade ocidental acerca dos hábitos deste povo asiático foi muito grande em algum tempo atrás, o que hoje não mais se vê com intensidade. 


O livro o Livreiro de Cabul não merecia um Nobel, mas com certeza merece louvores enquanto dissertação jornalística factual de determinada família afegã, num país totalmente distópico do padrão de vida ocidental. 


Mesmo com olhar de cristão, não é possível pacificar a ideia do tratamento que se desprende às mulheres num regime como o descrito. Escravas e “bibelôs” seriam os adjetivos mais adequados. 


Sobre o livro, posso dizer que a leitura é daquelas que te prendem a atenção do leitor na trama, esquecendo-se até do tempo. A descrição dos hábitos afegãos, que são hábitos mulçumanos, foram claramente expostos. Por exemplo, a total superioridade do marido dentro de sua casa, mesmo que nesta mesma casa até a mãe dele viva. 


O diálogo destacado no início é apresentado no fim do livro, mas retrata bem esta inculcada divisão de superioridade na sociedade afegã. A própria liberdade de decisão é usurpada pela figura masculina do pai ou do marido, algo que ainda é presente como coluna vital de subsistência do modo de vida mulçumano. 


Como cristão e católico, preciso frisar, MODO DE VIDA MULÇUMANO, o que erroneamente as ideologias de esquerda tentam colar na figura de todos, como se todos no ocidente vivessem como os seguidores de Maomé. 


O livro em questão, traz com grande proveito valiosas impressões e informações sobre a vida familiar afegã e os consequentes efeitos na sociedade civil dos conflitos armados que esta região enfrenta há muitas décadas.Particularmente, considerei importante a leitura e, com olhar crítico, pude perceber que mesmo a visão de quem tem grande experiência em regiões de conflitos, como é o caso da autora, não fique imune a generalismos e leituras equivocadas das motivações históricas, culturais e religiosas, sendo estas últimas as mais importantes e nem sempre de fácil compreensão.


Posso não ser compreendido por outros leitores desta obra, mas a visão da vida familiar que a autora interpreta não considera a profundidade da religião na sociedade. Deixando de lado ser ou não mulçumano, a vida familiar rigidamente vivida como a religião orienta, sempre será escandalosa para qualquer indivíduo alheio a vida sobrenatural e a verdade revelada por Deus. É lamentável que não se saiba discernir este ponto fundamental e vital para a sociedade, pois é justamente o triunfo da indiferença às orientações religiosas que fizeram da sociedade este caos ideológico onde cada “cabeça” julga o modo de vida guiado pela religião como extremismo e desconexo com a verdade criada pelo caótico e infundamentado. 


De qualquer maneira, a obra de Asne Seierstad merece ser lida e comentada, pois como transmissão documental de uma sociedade, traz muitos aspectos dignos de investigação e comentários.

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