Os que esqueceram a missão da Igreja

Muitas vezes fico pensando nas inúmeras coisas que já escrevi sobre a crise na Igreja Católica que se arrasta há décadas. Em 2018 tivemos o fatídico sínodo da Amazônia, realizado em Roma, que deixou claro como a água mais pura a dessacralidade que impera nas decisões contemporâneas das autoridades eclesiásticas, falando daquelas mais próximas ao topo, ou seja, ao Papa Francisco. Um mundanismo escandaloso que tenta-se disfarçar com pequenas “tirinhas” devocionais vez por outra, para que o grande público de católicos fiéis não se agitem muito.


Acontece que os sintomas já estão num estágio quase irreversível de separação e infidelidade total dentro da própria Igreja, partindo do seu centro. Em 2016, num artigo neste mesmo site, já comentava que a crise era clara e visível e que era urgente o retorno a missão e a catequização, a começar pelos católicos batizados e a missão aos povos não batizados. Afinal, esta não é a missão dada aos Apóstolos por Jesus Cristo, o Filho de Deus?


E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. (Marcos 16,15-16)

Não é de surpreender os católicos nos dias de hoje, padres e bispos desejosos por responder perguntas de conteúdo político e desviar e se esquivar de questionamentos doutrinários e bíblicos. Parece haver até uma certa aversão por parte de alguns clérigos pelos assuntos doutrina, disciplina, sacramentos, Sagrada Escritura, Tradição, Catecismo, Código de Direito Canônico e outros assuntos desenvolvidos por séculos por homens e mulheres que dedicaram suas vidas a missão da Igreja, ardentes pelo Reino dos Céus… mas na eternidade!


E esse é um ponto que resulta de todo este paganismo que maculou a vida e formação clerical em nossos dias, um desejo por vida terrena, pela vida finita neste plano sabidamente passageiro. Não se deseja a vida eterna, porque não se fala dela, e pior ainda, tenta-se calar quem deseja fazer o que a Igreja nasceu para falar, da vida eterna com Deus e do seu contrário, a vida desgraçada sem Ele. Uma perseguição a tudo que lembre esta nobre missão da Igreja de Cristo é parte fundamental num clero que deseja defender seu status quod de epidérmica espiritualidade e grandiosa ganância por si mesmo, por sua própria vida terrena, como um alto funcionário de uma Mitra com CNPJ e filantropia aprovada pelo Estado.


Não podemos dizer que chegamos ao fim, pois a Igreja não acabará mesmo com todo o esforço deste clero mal formado e talvez mal intencionado. Não lembro-me agora, mas acredito que li algo de algum santo em que afirmava que “nada pode destruir a Igreja, visto que nem os religiosos conseguiram”. Uma afirmação real de algo que hoje notoriamente se vê e se entende cada vez mais, como os inúmeros casos de abusos e roubos por parte de membros da Igreja, isto não é somente resultado de uma falha psico-social, mas uma verdadeira prova do que a mundana compreensão de vida religiosa, vida consagrada pode trazer a Igreja de Cristo com uma missão bem específica e clara: salvar o mundo.


No artigo de 2018 mencionava que Papa Francisco parecia mais uma pessoa que se sentia fora de seu lugar, como alguém que está ali mais obrigado do que por uma missão que abraçou como a Cristo. Suas atitudes beiram ao irresponsável e a história da Igreja com certeza saberá colocar seu pontificado sob a lâmpada da sabedoria.


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