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O Papa é comunista?

“Se se visse o Evangelho apenas do ponto de vista sociológico, sim, seria comunista, e Jesus também” (Papa Francisco, 28/11/2022)

O Papa Francisco concedeu uma longa entrevista à revista jesuíta América neste mês de novembro, e nessa, vários assuntos foram tratados, como cristãos na China, Conferência Episcopal Norte-americana, guerra na Ucrânia, entre outros. Mas vou comentar esta fala de Sua Santidade, ao responder sobre o que muitas pessoas falam sobre ele ser comunista e marxista.


Para quem já leu alguns artigos deste site pessoal sobre o pontificado de Francisco, ou acompanhou algum episódio do programa Crítica Católica (canal no YouTube), entenderá o tom deste comentário sobre a fala do pontífice, por isso não irei repetir o que já disse muitas vezes a guisa de explicação.


Que muitas pessoas, muitos católicos, reconhecem em Francisco um papa comunista de orientação marxista é fato e notório, e posso afirmar que suas dubiedades quase corriqueiras somente alimentam ainda mais esta impressão desta grande multidão de fiéis que deseja posições claras, especialmente em um mundo convulsionado em que vivemos. E aqui parece haver a primeira observação a se fazer sobre a postura do Papa. O sentimento revolucionário que infla numa crescente naquela mente enquadrada nas categorias marxistas, sempre terá como alvo primeiro a se destruir qualquer certeza sólida que sustentem as sociedades, e nisso encontramos os dogmas que fazem parte desta investida revolucionária. Por isso, a lamentável disposição em manifestar-se dubiamente, de maneira a tentar agradar o maior número possível de pensamentos divergentes, não preserva a certeza contida no Magistério bimilenar da Igreja Católica, mas somente joga mais pólvora entre os membros da Igreja. Desta observação surgem consequências também visíveis já agora, e uma delas é a cada vez maior desobrigação em consciência do fiel católico em atender o “chamado do pastor”, isto é, cada vez cresce o número de católicos que, mesmo seguindo na Igreja e nos costumes, ignoram sentenças de bispos e padres que seguem a mesma postura lamentável e enfraquecedora do Papa Francisco.


Quando Francisco diz “se se visse o Evangelho apenas do ponto de vista sociológico, sim, seria comunista, e Jesus também”, apenas tenta uma frase de efeito, mas que não possui fundamento real, afinal, não se pode utilizar a pregação de Jesus Cristo, com todos os seus elementos linguísticos de tempo e cultura, para igualar o mesmo adjetivo moderno de comunista, que lhe cairia perfeitamente numa consideração apenas sociológica. Esta mesma afirmação já se ouviu muito entre os propagadores da ideologia da libertação (chamada de teologia da libertação), a fim de normalizar a postura, gestos e falas de Nosso Senhor, dentro da cosmovisão comunista, uma ideologia totalmente gerada em um outro contexto cultural e intelectual.


O Papa errou, então? Errou. E antes que venham dizer que "ninguém pode dizer que o Papa erra”, preciso lembrar o óbvio (que nem sempre se lembra…), somente Jesus Cristo não erra. Francisco erra, mas não somente porque repete uma frase de efeito para mais uma vez desculpar sua postura revolucionária e sem posicionamento firme em defesa da Igreja de Cristo. Erra desde o início ao esquecer que o ministério petrino não é propriedade dele para fazer o que bem entende. Aliás, desde o início demonstrou certo desprezo pelo ministério de Pedro ao simplesmente querer ser chamado de “bispo de Roma”, além de repugnar qualquer reverência dos fiéis a sua pessoa enquanto Vigário de Cristo.


Enfim, Francisco é filho de sua formação como sempre tenho dito, o que prova mais uma vez a devastação que a ideologia da libertação de cunho marxista realizou a décadas nos seminários e que agora colhemos os frutos mais amargos possíveis.


Jesus é Deus, e por isso nunca é medido com régua sociológica, já o Papa é outra história.


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