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A República, escrita por Platão

Apesar de ser uma obra clássica na literatura filosófica e indispensável, principalmente a todo o estudante de filosofia, A República escrita por Platão por volta de 380 a.C, não necessariamente parece ser popularizada entre os estudantes, que na maioria das vezes acabam satisfazendo-se com resenhas, resumos e comentários desta obra. Este comportamento já denota uma certa aversão à leitura de escritos anteriores aos badalados “pensadores modernos” e pós-modernos, ao que classifico como mera manifestação de uma inteligência rasa e sem capacidade de compreender o que realmente é o estudo e a pesquisa intelectual.



Confesso que por alguns anos fui contagiado por esta imbecil ideia de que deveria gastar meu tempo prioritariamente com as obras mais modernas, de nomes temporalmente mais próximos de mim, o que hoje recebe um movimento contrário de minha inteligência, sentindo a necessidade de uma profunda investigação das origens do pensamento moderno que não estão necessariamente nestes mesmos pensadores modernos.


A República de Platão é a prova deste meu discernimento e necessidade, especialmente quando o assunto é não somente política e sociedade, mas assuntos inerentes a estes como a imortalidade da alma ou mesmo o fim transcendente do espírito humano. Acrescentando a isso, o tema da captação real e não ilusória da realidade merece destaque, como iniciando um fundamento filosófico da teoria do conhecimento.


Muitos já devem ter ouvido falar do “Mito da Caverna” atribuído a Platão, porque foi justamente nesta obra aqui comentada onde se registrou este mito nas palavras de Sócrates que dissertou diante de Glauco e Adimanto. Apesar de não desejar neste momento falar do mito da caverna, vale a pena lembrar que esta é uma metáfora da ilusória percepção sensível da maioria das pessoas e talvez o mais trágico neste mito, a revelação da tamanha dificuldade da natureza humana em aceitar a realidade e muitas vezes preferir as “sombras” que uma realidade intermediária, sem alcance com a totalidade do real, de modo mais confortável ao intelecto possa oferecer.


Tenho observado que mesmo sofrendo tentativas inúmeras de sufocamento no interesse acadêmico, está obra de Platão ainda serve de produção para muitos trabalhos acadêmicos, pesquisas e artigos, que nos revelam a imortalidade e assertiva do autor nos assuntos tratados, que no fim se descobre como fundantes da ciência que pode desenvolver o ser humano não somente intelectualmente senão também socialmente, junto de seus pares. A notoriedade da obra não está no fato da questão de possibilidade ou impossibilidade de realização do “cidade ideal” desenvolvida por Sócrates no enredo da obra, mas na profundidade dos temas tratados para se edificar esta utópica pólis.


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