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A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

O que é a “perseguição religiosa educada” que o Papa Francisco denuncia?

Aleteia, 02/06/2021

O Papa Francisco utiliza a expressão “perseguição religiosa educada” para referir-se a formas aparentemente sutis de restringir a liberdade de crença ao âmbito estritamente pessoal, varrendo-a paulatinamente para fora da vida social em países onde não costumam ocorrer as formas cruentas e escancaradas da repressão à fé.

De fato, há países nos quais a perseguição é violenta, explícita e galopante: é o caso, por exemplo, da China, da Coreia do Norte, do Paquistão, da Nigéria e de dezenas de outras nações elencadas no Relatório 2021 sobre a Liberdade Religiosa no Mundo, divulgado em abril deste ano pela Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (Aid to the Church in Need – ACN).

No entanto, há também países que promovem sistematicamente a marginalização da religião mediante a imposição gradual de novas legislações e valores ideológicos que silenciam ou censuram a liberdade de consciência, de crença e de expressão. Nesses países, muitos dos quais são alegadamente democráticos e liberais, observa-se, por exemplo, o surgimento dos assim chamados “novos direitos”, que, privilegiando a visão de mundo de alguns grupos, vão sujeitando as religiões à “obscuridade silenciosa da consciência do indivíduo”, até relegá-las “aos recintos fechados das igrejas, sinagogas ou mesquitas”, sem lhes reconhecer legitimidade para participar ativamente da vida social.

É este o fenômeno que o Papa Francisco descreve, bastante significativamente, como “perseguição religiosa educada”.

A “perseguição religiosa educada”

Um dos exemplos apresentados no relatório é o fato de que a legislação já não protege adequadamente o direito à objeção de consciência por motivos religiosos para profissionais de saúde e farmacêuticos em diversos países ricos da Europa e da América do Norte. Outros casos mencionados são as restrições aos grupos religiosos no tocante à gestão das suas próprias escolas, a discriminação de estudantes de universidades confessionais no acesso ao mercado de trabalho e a imposição de disciplinas que privilegiam valores e ideologias laicistas, como no caso da educação sexual.

O relatório também observa que a criação de certos “novos direitos” decorrentes de ideologias acarreta obrigações legais não apenas de respeitar quem segue tais ideologias, mas também de cooperar com elas mesmo quando se discorda delas:

“Esta dissonância já teve, e continuará a ter, um forte impacto em mais de 84% da população mundial que, segundo o Pew Research Center, descreve-se como pertencendo a uma religião ou crença”.

Arbitrariedades sob a justificativa da pandemia

A pandemia de covid-19 deixou claras muitas inconsistências relacionadas com a garantia de direitos fundamentais da pessoa humana, como o direito à liberdade religiosa. Neste sentido, o relatório se pergunta o quanto os governos agressivamente laicos conseguem discernir com objetividade a importância de respeitar esses direitos, ainda que não compartilhem deles.

De fato, verificou-se em dezenas de países uma preocupante extrapolação das prerrogativas dos governos ao decretarem o fechamento de igrejas com base em critérios pouco ou nada científicos – em alguns casos, com critérios muito mais restritivos do que os aplicados a cassinos, por exemplo. Além do uso de dois pesos e duas medidas, já questionável em si mesmo, chegou a haver ingerências até mesmo na liturgia, como foi registrado ao menos em dois Estados do Brasil: Ceará e Santa Catarina.

O relatório comenta:

“Neste discurso social, certos grupos apresentaram o direito à liberdade religiosa como oposto à natureza laica do Estado. Isto foi contrariado por argumentos de que a laicização não retirava dos governos a obrigação de garantir o direito do indivíduo a ter ou não ter fé e a poder organizar a própria vida pública de acordo com as suas crenças”.

No caso do Brasil, por exemplo, o relatório ressalta a politização da religião e as consequências deste fenômeno na vida social do país. O documento registra a ocorrência de uma escalada de agressividade associada à intolerância religiosa, com acirramento de conflitos referentes à concepção de Estado laico e da autonomia da política em relação à religião.

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