Pular para o conteúdo principal

≡≡ LEITURA RECOMENDADA

A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

A consciência individual como única ferramenta viva da filosofia

A filosofia não é algo o qual se pode adquirir, o pensamento filosófico é uma construção que surge quase que naturalmente como resultado do contínuo e persistente esforço por reconhecer a realidade tal como ela é, sem "leituras" ou fantasias que endossam os mais absurdos ideologismos distópicos sobre o mundo, as coisas e as pessoas.


O grande Aristóteles, que jamais fora superado por qualquer outro filósofo, se tornou o patrono desta clarividência, deixando-nos a certeza de a verdade nada mais é do que a adequatio rei et intellectus, ou seja, a verdade se resume na adequação do intelecto do indivíduo a coisa existente. A realidade existe e nosso percepção correta e definição segundo sua existência real traduz a verdade, é a verdade do mundo, das coisas e das pessoas. Este fundamento é basilar para se construir o pensamento filosófico e como este pensamento é algo vivo e dinâmico, o indivíduo que debruça-se sobre esta empresa encontra em sua consciência individual a ferramenta necessária para a construção.

Por que digo ser a consciência individual a única ferramenta viva da filosofia? Considerando que a consciência é o estado lúcido e honesto do ser humano, que reserva a verdade já descoberta sobre si e o mundo, um verdadeiro local reservado em cada indivíduo que parece independer dele mesmo, onde até mesmo a própria enganação fica revelada ao próprio ser humano. Resumindo, a consciência individual é o espaço em cada homem onde é impossível mentir para si mesmo. 

Consciência se forma, apesar de estar já presente no individuo como "artefato" natural da própria existência. Assim como qualquer faculdade no indivíduo, a consciência gradualmente forma-se conforme o conteúdo com o qual teve contato ao longo dos anos, pois é fato que, todo o conteúdo recebido sob as diversas formas de transmissão acabam moldando a consciência e por isso encontramos tantas consciências que mais assemelham-se a de um ser descolado da vida, alheio a realidade das coisas existentes ao derredor. Mas acredito que mesmo neste, que possui uma consciência que poderíamos chamar de "paraplégica", é possível o retorno ao bom funcionamento e assim adquirindo a natural qualidade de não permitir ao homem negar a realidade percebida pela razão, neste processo de adequação da mente a realidade. 

É claro que a racionalidade é considerada a ferramenta por excelência da filosofia, se bem que prefiro considerá-la a plataforma do pensamento filosófico sendo esta mesma que permite tal processo. No entanto, a consicência individual é a que permite a honesta manifestação do pensamento resultado deste conhecimento da realidade existência. 

Comentários

Publicação mais visitada do site no último ano:

Carta de um leigo a Dom Benedito Beni dos Santos a respetio da “Missa Sertaneja” celebrada pela Comunidade Canção Nova