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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

O "Mero Cristianismo" de Lewis

Fazendo parte das minhas "leituras atrasadas", debrucei-me recentemente sobre a obra de C. S. Lewis Mero Cristianismo (Editora Quadrante, 1997, 220 pgs.), e confesso que devido a ansiedade por ler este livro senti certa decepção pelo que encontrei, mas isto a primeira vista, pois logo após terminar a leitura e contemplando o plano geral da obra, reconheci a insensatez de meu primeiro julgamento.

Nesta obra, Lewis não somente reconhece e tenta transmitir aos demais a fé a qual se converteu, mas consegue algo mais, conforme minha análise, conseguiu esquematizar para si mesmo e para todos os leitores a necessidade de sermos cristãos, a necessidade de um cristianismo autêntico e profundo para o mundo inteiro.

As quatros partes na qual fora divido a obra podem considerar-se com escadas que pretendem levar o leitor através de raciocínios simples e com vários exemplos do quotidiano, a um gradual crescimento na compreensão cristã do homem, do mundo e de Deus, ou seja, uma obra que tenta "parafrasear" o próprio Catecismo da Igreja Católica em suas partes doutrinais, não que ele pretendesse conscientemente fazer isso, mas consigo agora perceber certa correlação quanto ao esforço de sintetizar o conjunto da fé professada. 

Partir de simples raciocínios lógicos e referências naturais sempre trazem algum perigo quando se trata de assuntos de fé, mas não que sejam proibidos na dissertação sobre este assunto, na verdade - como o mesmo autor confessa - fé e razão não andam separados mas auxiliam-se mutuamente.

O autor, em certa altura, alerta que suas reflexões podem tornar-se um tanto enfadonhas para aqueles que já professam o cristianismo e o conhecem muito bem, talvez melhor que ele mesmo. De fato, algumas partes do livro pareceu-me enfadonho em demasia, mas por questão de respeito ao escritor tentei lê-los com a mesma atenção de um completo leigo no assunto tratado. Por isso que, imagino, ser mais proveitoso fazer uma análise geral após a leitura do que detalhada em suas partes, isto para aqueles que como eu conhecem razoavelmente os assuntos pelo autor abordados. 

O Mero Cristianismo trazido por Lewis em sua obra não esta longe do ensinado oficialmente pela Igreja de Cristo, como por exemplo no Catecismo o qual citei anteriormente, apesar de ser ele um cristão forjado na igreja católica anglicana da Inglaterra. Recomendo esta leitura pela sensatez das reflexões que transmitem as convicções cristãs de maneira séria e com certo humor sincero. 

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