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Igreja que não converte mais ninguém

Que existe uma profunda e evidente crise dentro da Igreja Católica a grande maioria dos seres racionais já conseguiu perceber. O que para muitos destes é ainda obscuro é a raiz disso e a postura que se deve tomar para ajudar a sanar tal crise. Não é simples ou fácil elucidar isso, eu mesmo não o posso fazer, mas aproximações reais a esta crise e a posição a qual devemos ter são possíveis e reais diante de um honesto esforço.

Ouso dizer que, mesmo Joseph Ratzinger, que na minha opinião é o maior teólogo vivo, não conseguiu ou não quis apresentar o panorama real e profundo desta crise e sua raiz que esta mais atrás do que muita gente pensa. Hoje o esforço analítico é deveras enorme, pois muitos que poderiam já terem apresentado trabalhos sobre isso, aparentemente resolveram calar-se ou mesmo guardar para si, por medo ou intimidações variadas, suas análises sobre este tema.

É grande o trabalho de compreensão e de inúmeras influências e inúmeras consequências de tudo o que nos fez chegar até aqui. Mas quando começou esse movimento? Deve-se começar por aí. Qual é o ponto de início desta jornada infeliz da Igreja de Cristo? Mas aqui não quero falar deste ponto inicial, segundo minha própria análise. Quero escrever sobre algo que é consequência e ao mesmo tempo mais um degrau para o aprofundamento da crise. Falo da morte por desnutrição da ação missionária da Igreja.

Já falei aqui neste site sobre esta triste realidade que ora vivemos, uma Igreja que não converte mais ninguém.

A ação missionária é parte da natureza da Igreja de Cristo, pois obedece ao próprio Jesus Cristo, obedece ao próprio fundador da Igreja Católica Apostólica Romana. Hoje o que se chama de "missionariedade" revela a mais vil deturpação do esforço dos doze apóstolos que converteram o mundo para Cristo e que não pregavam somente o amor e a paz de Deus, mas que levavam todos ao batismo, tornando-os filhos da Santa Igreja.

Como a ação missionária da Igreja enfraqueceu tanto assim? Não é muito difícil de lembrar do Papa João Paulo II, o qual devoto grande admiração, mas que devo reconhecer que ajudou nesta etapa em que estamos ao impulsionar uma "missionariedade jovem" mas sem identidade clara e sem o destaque da conversão à Igreja de Cristo. Todos recordam das famosas Jornadas Mundiais da Juventude, um trabalho do Papa João Paulo II. Pois bem, estas jornadas ajudaram a consolidar uma geração que acostumou-se ao ecumenismo, ao diálogo inter-religioso e a uma certa definição branda de missão, uma missão que aos poucos deixou de lado a necessidade de que todos os povos devam ser batizados em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.

Em seu tempo - e eu presenciei um pouco disso - os jovens, mesmo os mais atentos a doutrina da Igreja, não percebiam a sutil caminhada que estavam trilhando e quanto as suas posturas no futuro serviriam para afundar quase por completo a natureza missionária da Igreja de Cristo. Claro que não estou dizendo que o Papa João Paulo II fez isso com plena consciência do que poderia acontecer, afinal, in tempore sempre é mais difícil perceber a consequência de certa postura "revolucionária", isto o tempo ajudará a mostrar, como nos dias de hoje já podemos analisar.

Quanto a isto, o que fazer? É uma pergunta legítima, mas eu mudaria a pergunta para "o que não estamos fazendo?". Sim, talvez não estamos saindo de nosso lugar comum do qual fomos acostumados a décadas por religiosos já viciados nesta tentativa revolucionária de "nova evangelização" que na verdade sempre revelou a tentativa mais sorrateira de imanentizar qualquer objetivo transcendente da verdadeira missão da Santa Igreja: ide ao mundo inteiro, a todos pregai o Evangelho e batizai-os, em nome do Pai, do Filho, e do Espírito Santo.

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