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≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡ LEITURA RECOMENDADA ≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡

Cooperatores veritatis

É verão e esta chovendo, aquelas típicas chuvas de verão, rápidas e de violência amena o suficiente para refrescar o ambiente. O calor excessivo não me anima a escrever, mas a chuva faz este trabalho de animação, e por isso estou aqui para escrever sobre um assunto ou ideia que estava engavetada com muitas outras. Quando falamos nos estudos acadêmicos em "buscar a verdade", "transmitir a verdade", "servir a verdade" ou mesmo em "obedecer a verdade" muitas vezes pressupõe-se a realidade VERDADE que pode-se simplesmente apresentá-la como Aristóteles, mas a verdade mesmo é uma PESSOA, e escrevo em caixa alta porque refiro-me a Deus mesmo, o Criador por excelência, fonte de toda a realidade existente. De fato, nada existe sem a consciência Divina que existe pensando em tudo e em todos, já que o seu esquecimento de alguma realidade significaria a inexistência desta realidade. Se você não chegou a esta certeza da dependência da realidade do pensamento

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O que Jesus via do alto da Cruz

Depois de ler A Vida Intelectual, fiz uma breve pesquisa sobre a produção literária de Sertillanges e acabei encontrando este livro que ora comento. A obra O que Jesus via do alto da Cruz (SERTILLANGES, A. D. Livraria Tavares Martins, Porto, 1947, pgs 327) não possui, obviamente, o mesmo objetivo do livro anterior que havia lido, mas seu desenvolvimento revela a necessidade do que de esforço intelectual para poder-se obter uma razoável fruto das páginas escritas a mais de 70 anos. 

Talvez possa simplesmente classificar esta obra como uma obra de literatura espiritual cristã, mas talvez seria mais honesto e justo classificá-la como um estudo aprofundado da capacidade racional em analisar a própria vida de Jesus Cristo em cada momento, mesmo que curto, de sua passagem entre os homens. 

Três coisas gostaria de destacar depois de ter lido esta obra.

Primeiramente, a evidente observação histórica que faz o autor, desde o evento no Horto das Oliveiras até o derradeiro suspiro na cruz. Engana-se o leitor rasteiro se acredita ser tarefa fácil fazer o que o escritor deixou neste livro, pois apesar dos dados que todos podem acessar nos Sagrados Evangelhos, é notório que Sertillanges não somente usou-se deles, lançando mão de outras fontes, outros estudos, outros livros, outros depoimentos, pois somente assim poderia descrever com detalhamento - talvez sem muita precisão - a cidade, os costumes, a rotina das pessoas e os vários grupos que estavam inundando Jerusalém naqueles dias. Uma dedicação tão demorada neste intento de apresentar uma construção visível do momento, é justamente o início de uma contemplação do que o próprio Jesus enxergava com seus olhos, mesmo experimentando dores, acusações e ignomia. Observando isto, esta obra pode nos trazer também um vislumbre mais completo destas horas de intenso conteúdo para a razão e para o espírito. O mais simples piar dos pássaros não pode deixar de revelar algo num contexto tão decisivo para o mundo e para os homens.

Depois, a visão de Jesus, como ele via tudo isso? Com olhos divinos, ou olhos meramente humanos? Esta pergunta pode ser perigosa, pois pode ir contra a união hipostática, doutrina da Santa Igreja e que de fato descreve a união das duas naturezas em Jesus Cristo. Mas o que podemos considerar é a conveniente anulação momentânea de uma em benefício da outra. Isto pode nos parecer evidente no Horto e na Cruz ao indagar "porque me abandonastes?". Uma possibilidade não descartável da suplantação permitida da visão humana à visão divina do Verbo Encarnado. Sertillanges nos ajuda muito a observar esta terrível necessidade de Jesus em viver isso, em experimentar isso para atingir o objetivo querido pela Santíssima Trindade.

Por fim, esta obra pode nos ensinar o importante trabalho de observação séria, lenta e contemplativa de todos os detalhes, para que ao máximo possamos enxergar o além do que os olhos viciados podem detalhar, o que é sempre consequência desta corruptibilidade humana, que nos apressa e nos faz atropelar coisas que, apesar de pequenas, nos ajudam a completar  o quadro de determinado evento, seja a respeito de Cristo, seja a respeito de nossa própria vida.

O que Jesus via do alto da cruz não é uma pergunta, mas um apelo para que todos nós possamos ver com Ele, mesmo sem ser Ele. Faculdades e dons Dele o recebemos, o que precisamos é usá-los da melhor maneira possível. 

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