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Igreja que não converte mais ninguém

Que existe uma profunda e evidente crise dentro da Igreja Católica a grande maioria dos seres racionais já conseguiu perceber. O que para muitos destes é ainda obscuro é a raiz disso e a postura que se deve tomar para ajudar a sanar tal crise. Não é simples ou fácil elucidar isso, eu mesmo não o posso fazer, mas aproximações reais a esta crise e a posição a qual devemos ter são possíveis e reais diante de um honesto esforço. Ouso dizer que, mesmo Joseph Ratzinger, que na minha opinião é o maior teólogo vivo, não conseguiu ou não quis apresentar o panorama real e profundo desta crise e sua raiz que esta mais atrás do que muita gente pensa. Hoje o esforço analítico é deveras enorme, pois muitos que poderiam já terem apresentado trabalhos sobre isso, aparentemente resolveram calar-se ou mesmo guardar para si, por medo ou intimidações variadas, suas análises sobre este tema. É grande o trabalho de compreensão e de inúmeras influências e inúmeras consequências de tudo o que nos fez chegar a

Os três segredos de Fátima: análise

Há quem afirme, não obstante todas as provas apresentadas, que o terceiro segredo de Fátima não foi totalmente revelado. Tal afirmação merece breve resposta.

Iniciemos com três fortes afirmações. 1) Quem garante que o terceiro segredo de Fátima não foi totalmente revelado teria de apresentar fontes confiáveis da Santa Sé a fim de embasar o que diz. Do contrário, pode – com culpa ou sem culpa (Deus julgará!) – estar servindo à mentira, que não vem de Deus, mas do maligno (cf. Jo 8,44). 2) A decepção já era previsível por parte dos que esperavam ser o terceiro segredo portador do anúncio de catástrofes à humanidade, como bem assegurou o então Cardeal Ratzinger (Pergunte e Responderemos n. 461, outubro de 2000, p. 442-443). 3) Em 17/11/2001, Ir. Lúcia confirmou ao Cardeal Tarcisio Bertone: “Tudo foi publicado; nada mais há de secreto” (Pergunte e Responderemos n. 478, abril de 2002, p. 109).

Isso posto, notemos algo essencial ao verdadeiro católico: a mensagem de Fátima é uma revelação particular que, mesmo com todo aparato de veracidade (milagres, apoio dos Papas recentes, santidade já comprovada de dois dos três videntes etc.), não se impõe à fé católica. Cada fiel é livre diante dessa e de todas as outras revelações particulares, uma vez que “elas não pertencem ao depósito da fé” (Catecismo da Igreja Católica n. 67). Isso porque a fonte da Doutrina Católica é a Palavra de Deus que é, evidentemente, uma só, mas a nós transmitida por dois canais: a Sagrada Escritura e a Sagrada Tradição; elas se entrelaçam e, portanto, nunca se contrariam. Ambas são interpretadas pelo Magistério da Igreja, única instância segura para fazê-lo a fim de nos guiar corretamente neste mundo rumo à Jerusalém do alto (cf. Catecismo da Igreja Católica n. 74-100).

Daí os Papas São João XXIII, São Paulo VI, João Paulo I e São João Paulo II terem tratado o assunto dentro dos limites que ele exigia – e conforme Ir. Lúcia, fiel e obediente à Igreja, desejava: “não compete a mim a interpretação, mas ao Papa” (Pergunte e Responderemos n. 461, outubro de 2000, p. 438) – sem causar desnecessária agitação nos fiéis. O cerne da mensagem de Fátima ao mundo se resume à Oração e à Penitência; por isso, Ir. Lúcia não se sentiu chamada a uma vida missionária, mas, sim, orante, penitente e silenciosa no Carmelo. Faleceu quase centenária em 13/02/2005.

Há quem afirme também que a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria pelo Papa São João Paulo II, em 25/03/1984, não foi válida ou conforme a Virgem Maria desejava. Ora, uma vez mais, Ir. Lúcia responde que “a consagração desejada por Nossa Senhora foi feita em 1984, e foi aceita no céu” (Pergunte e Responderemos n. 478, abril de 2002, p. 110). Isso posto, pergunta-se: tem mais autoridade no assunto a vidente de Fátima ou o grupo de críticos de plantão?

Resta uma palavra a respeito do Reino de Maria associado ao triunfo do seu Imaculado Coração. Comenta Antônio A. Borelli Machado: “A terra purificada e renovada pelo sangue de Mártires autênticos corresponde à noção de Reino de Maria, do qual falou São Luís Maria Grignion de Montfort em seu célebre Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem: ‘Tempo feliz em que Maria será estabelecida Senhora e Soberana nos corações, para submetê-los plenamente ao império de seu grande e único Jesus…. Ut adveniat regnum tuum, adveniat regnum Mariae’ (n. 217). Noção essa que se compagina admiravelmente com as também célebres palavras que estão no fecho da segunda parte do Segredo de Fátima: ‘Por fim, o meu Imaculado Coração triunfará’”.


“Ou esse triunfo se dá sobretudo nos corações dos homens – como ressalta São Luís de Montfort – ou todo o enredo da terceira parte do Segredo fica completamente destituído de sentido. Pois só com o retorno estável da humanidade a Deus – algo que se poderia chamar de um Grande Retorno (Grand Retour em francês, noção que tira sua inspiração de um movimento espiritual na França que tinha como meta promover o Grand Retour das almas a Jesus por Maria) – só com isso será possível que o mundo alcance efetivamente ‘algum tempo de paz’, conforme Nossa Senhora prometeu; cf. texto do segundo Segredo” (Catolicismo n. 597, setembro de 2000, online). 

Eis o que, por ora, cabe dizer sobre o 3º segredo de Fátima, cujo conteúdo está disponível no site do Vaticano (www.vatican.va) com o título “A mensagem de Fátima”.

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