Do pensador solitário

"O público é primário. Na maioria dos seus ambientes e pela quantidade inumerável de vozes, proclama convenções, não verdades; quer ser adulado; teme, acima de tudo, ser perturbado. Para que as verdades essenciais  alcancem seus ouvidos, é preciso que você as imponha com muita força. Você o pode, e é essa salutar violência que o pensador solitário deve fazer". (A-D. Sertillanges. A Vida Intelectual. Ed. Kírion, 2019, pg.181).

Acho que nunca encontrei um trecho tão elucidativo do intelectual nos tempos de hoje. A grande massa é realmente bruta, primária, com aquele vício comum de assentimento convencional, ou seja, se duas ou três pessoas estão falando algo parecido é porque deve ser verdade e eu devo repetir. A cultura coletiva esta repleta disso, de repetições, pois para a maioria, a grande massa, é muito mais fácil repetir sentenças comuns, que os interlocutores já sabem, do que levantar o véu do fenômeno e tentar chegar mais fundo e enxergar mais claramente o desenvolvimento dos acontecimentos.

Quando leio este trecho não consigo parar de pensar no filósofo Olavo de Carvalho. Um pensador solitário que devotou anos ao estudo objetivo e disciplinado da maior praga que a humanidade já encontrou, o ideal comunista. Sim, maior praga, maior que qualquer doença, e os dados de mortes levadas a cabo por este ideal comunista revelam o quanto uma ideia plantada, regada e cultivada pode ser a destruição da própria raça humana.

Por ser esta grande massa, ou o público geral, de uma percepção primária, bruta, é necessário certa violência para acorda-los para a verdade. Um chacoalhão bem dado, para que não somente os olhos abram mas que a preguiça suma das mentes e sejam capazes de restaurar a própria consciência intelectiva, esta sim, natural ao ser humano. 

Alguém já chamou Olavo de lobo solitário, e tristemente preciso concordar neste momento, pois quem esta ao seu lado, no mesmo degrau, lutando para que nosso país não seja engolido por este vírus mortal que infiltra-se no intelecto humano e de lá somente sairá com o triplo de esforço.

A vida de um intelectual só tem sentido se luta contra as convenções, se clara e sinceramente afirma que o erro continua sendo um "ente" que deve ser extirpado da vida humana.

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