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Cooperatores veritatis

É verão e esta chovendo, aquelas típicas chuvas de verão, rápidas e de violência amena o suficiente para refrescar o ambiente. O calor excessivo não me anima a escrever, mas a chuva faz este trabalho de animação, e por isso estou aqui para escrever sobre um assunto ou ideia que estava engavetada com muitas outras. Quando falamos nos estudos acadêmicos em "buscar a verdade", "transmitir a verdade", "servir a verdade" ou mesmo em "obedecer a verdade" muitas vezes pressupõe-se a realidade VERDADE que pode-se simplesmente apresentá-la como Aristóteles, mas a verdade mesmo é uma PESSOA, e escrevo em caixa alta porque refiro-me a Deus mesmo, o Criador por excelência, fonte de toda a realidade existente. De fato, nada existe sem a consciência Divina que existe pensando em tudo e em todos, já que o seu esquecimento de alguma realidade significaria a inexistência desta realidade. Se você não chegou a esta certeza da dependência da realidade do pensamento

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Ateísmo e monoteísmo filosóficos são diferentes?

O que escrevo hoje pretende ser uma continuação do artigo "O ateísmo e o monoteísmo filosófico", pois neste terminava justamente colocando-se esta pergunta: Existe diferença entre ateísmo e monoteísmo filosóficos?

No artigo citado escrevia resumidamente sobre dois pontos que acho relevantes nesta questão: A inseparável necessidade de um ente fora de si para chancelar suas próprias decisões e a também natural e inesperável necessidade da crença religiosa para além de autorizar os atos, e ser a depositária do que poderia ser o inesperado, ou o misterioso futuro.

Um ateísmo puritano não pode ser concebido no âmbito da necessidade natural da crença, mas a pergunta é se no campo filosófico, ou seja, apenas racional, poderíamos conceber certo ateísmo como forma de inexistência de qualquer ente individual e lógico por si, separado e superior da razão humana. Um ente racional pode conceber as mais altas elaborações lógicas e científicas que se tornam base para quase tudo na vida humana, mesmo para seu fim. Sim, podemos até creditar ao raciocínio a explicação da morte e dos sentimentos emocionais que o ser humano sente ao aproximar este momento derradeiro. Um ateísmo filosófico assim, parece-nos possível, parece-nos razoável, porque justamente estamos utilizando da mesma limitação que o torna impossível e completamente diferente do monoteísmo filosófico. A limitação de que falo se resume no próprio ato de potencializar a racionalidade de si para uma racionalidade fora de si. O individuo ateu quase nem percebe que tentando justificar racionalmente a própria existência superior a tudo o existente, simplesmente alimenta uma inclinação corruptível natural do ser humano vivente, que no cansaço de buscar o superior a si, elimina qualquer necessidade de busca tornando-se a si mesmo o suficiente. Para o ateu filosófico, ele mesmo se basta.

Diferentemente observamos que um monoteísmo filosófico, apesar de não negar o esforço racional e a própria capacidade da razão humana, não nega a limitação desta mesma faculdade, admitindo criteriosamente a insuficiente capacidade diante de temas universais e atemporais. A existência de uma razão superior e fora do indivíduo humano, não é apenas observada pela necessidade do ser humano por resolver aquilo que não consegue, mas pela própria observação da existência dos seres, animados e inanimados. Muitos filósofos admitiram o pensamento superior e independente que deve estar por trás da ordem das coisas criadas, e ainda a beleza na ordem, que faz-nos pensar especialmente na beleza da própria capacidade racional do ser humano, algo improvável de haver surgido apenas de combinações celulares, um suposto "milagre" biológico. 

Deste modo, parece-me claro que o chamado ateísmo filosófico é uma criança engatinhando, que resite, por birra e preguiça, em não aprender a caminhar. Uma clara e lamentável postura involutiva do ser humano.

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