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Papa Francisco exalta documento sobre sinodalidade da Comissão Teológica Internacional

ACI Digital | Vaticano, 30/11/19

Durante o encontro que o Papa Francisco teve com os membros da Comissão Teológica Internacional, recordou-lhes que "a teologia nasce e cresce de joelhos" e indicou que, embora seja bom "arriscar-se na discussão", incentivou a "nunca levá-la ao povo" já que este deve receber o “alimento sólido que nutre a fé”.

O Papa Francisco realizou, na sexta-feira, 29 de novembro, um encontro com os membros da Comissão Teológica Internacional por ocasião do 50º aniversário de sua constituição "de serviço à Igreja".

O Papa recordou que a Comissão Teológica Internacional foi inaugurada por São Paulo VI como "fruto do Concílio Vaticano II para criar uma nova ponte entre a teologia e o Magistério".

Por isso, "desde o princípio, eminentes teólogos foram membros da mesma, contribuindo eficazmente para este fim”.

Entre os textos mais relevantes desta Comissão, o Papa destacou o intitulado "Sinodalidade na vida e na missão da Igreja" (documento disponível em PDF na sessão "Download" aqui no site).

O Papa Francisco assegurou que o tema da sinodalidade "lhe interessa muito" porque se trata de "um estilo", "um caminhar juntos, e é aquilo que o Senhor espera da Igreja no terceiro milênio".

“Agradeço o vosso documento, porque hoje se pensa que fazer sinodalidade é dar as mãos e começar a andar, festejar com os meninos... ou fazer uma pesquisa de opinião: 'O que se pensa sobre o sacerdócio das mulheres?'. Na maior parte, é assim, não é? A sinodalidade é um caminho eclesial que tem uma alma que é o Espírito Santo. Sem o Espírito Santo, não há sinodalidade. E fizestes um bom trabalho para ajudar nisso. Obrigado”, assegurou o Papa Francisco.


Do mesmo modo, destacou o documento que "propõe um discernimento sobre as diferentes interpretações atuais da liberdade religiosa", no qual se explica que, embora "haja aqueles que ainda a impedem ou se opõem abertamente a ela, privando o ser humano de um direito incomparável”, se chega-se a um Estado “eticamente neutro”, corre-se o risco “de conduzir a uma injusta marginalização das religiões da vida civil em detrimento do bem comum”.

Por isso, o Papa Francisco enfatizou que "o sincero respeito pela liberdade religiosa, cultivada em um diálogo proveitoso entre o Estado e as religiões, e entre as religiões, e entre as próprias religiões, é antes de tudo uma grande contribuição para o bem de todos e para a paz".

Outro aspecto em que a Comissão Teológica Internacional trabalhou foi o da "sacramentalidade como estrutura constitutiva do encontro entre Deus e o homem, sublinhando a necessidade de superar as várias formas de dissociação entre fé e vida sacramental".

Sobre o trabalho que desenvolveram durante esses 50 anos, o Papa Francisco enfatizou que São Paulo VI quis ampliar “a colaboração fecunda entre o Magistério e os teólogos que marcaram as reuniões conciliares” e “também desejava que a diversidade de culturas e vivências eclesiais enriquecesse a missão confiada pela Santa Sé à Congregação para a Doutrina da Fé”.

Dessa maneira, assegurou que, "como teólogos procedentes de diversos contextos e latitudes, sois mediadores entre a fé e as culturas, e deste modo participais da missão essencial da Igreja: a evangelização".

Reforçou que possuem em relação ao "Evangelho, uma missão geradora", porque são chamados "para trazê-lo à luz".

"Colocais-vos à escuta do que o Espírito diz hoje às Igrejas nas diversas culturas para pôr à luz aspectos sempre novos do mistério inesgotável de Cristo” e “depois ajudais aos primeiros passos do Evangelho: preparais seus caminhos, traduzindo a fé para o homem de hoje” para que cada um possa “senti-la mais próxima e se sinta abraçado pela Igreja, tomado pela mão ali onde está, e acompanhado para saborear a doçura do querigma e sua novidade atemporal”.

Por isso, enfatizou que “a isto é chamada a Teologia: não é um tratado catedrático sobre a vida, mas a encarnação da fé na vida".

Em seu discurso, o Papa incentivou os membros dessa importante comissão teológica a fazerem uma "bela teologia, que tenha o alento do Evangelho e não se contente em ser meramente funcional”.

Também explicou que, para fazer essa “boa teologia, não se pode esquecer nunca as suas duas dimensões constitutivas”, que são “a vida espiritual”, porque “somente em oração humilde e constante, na abertura ao Espírito Santo, pode-se entender e traduzir o Verbo e fazer a vontade do Pai”, pois “a Teologia nasce e cresce de joelhos!”.

Enquanto a segunda dimensão é a "vida eclesial", isto é, "sentir na Igreja e com a Igreja".

“A teologia não se faz individualmente, mas em comunidade, a serviço de todos, para difundir o bom sabor do Evangelho aos irmãos e irmãs do nosso tempo, sempre com doçura e respeito”, afirmou o Papa.

Além disso, incentivou os teólogos a "seguir em frente", "estudar o que vai além" e "também deve enfrentar as coisas que não são claras e arriscar-se na discussão" entre os teólogos.

"Mas, o povo de Deus deve receber o sólido ‘alimento’ da fé, não alimentar o povo de Deus com questões controversas”, destacou.

Assegurou que "a dimensão do relativismo, por assim dizer, que sempre estará presente na discussão, deve permanecer entre os teólogos, é a vossa vocação, mas nunca levá-la ao povo, porque assim, o povo perde a sua orientação e perde a fé”.

E insistiu que "ao povo, sempre o alimento sólido que nutre a fé".

O Papa Francisco confiou o trabalho da Comissão Teológica Internacional à devoção de Maria "Sede da Sabedoria" e os encorajou a continuarem seu trabalho "com alegria".

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