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Igreja que não converte mais ninguém

Que existe uma profunda e evidente crise dentro da Igreja Católica a grande maioria dos seres racionais já conseguiu perceber. O que para muitos destes é ainda obscuro é a raiz disso e a postura que se deve tomar para ajudar a sanar tal crise. Não é simples ou fácil elucidar isso, eu mesmo não o posso fazer, mas aproximações reais a esta crise e a posição a qual devemos ter são possíveis e reais diante de um honesto esforço. Ouso dizer que, mesmo Joseph Ratzinger, que na minha opinião é o maior teólogo vivo, não conseguiu ou não quis apresentar o panorama real e profundo desta crise e sua raiz que esta mais atrás do que muita gente pensa. Hoje o esforço analítico é deveras enorme, pois muitos que poderiam já terem apresentado trabalhos sobre isso, aparentemente resolveram calar-se ou mesmo guardar para si, por medo ou intimidações variadas, suas análises sobre este tema. É grande o trabalho de compreensão e de inúmeras influências e inúmeras consequências de tudo o que nos fez chegar a

Quando o templo sagrado é dessacralizado

Em realidade o mínimo necessário para que possamos realizar a santa Missa seria o altar, que representa Cristo – Sacerdote, Altar e Vítima. Mas este altar é muito digno para outros ambientes que não um templo, onde adequadamente todos se reúnem com um único propósito, celebrar o Santo Sacrifício. (O lugar da Santa Missa, 26/01/2012)
É apaziguador para o espírito ingressar em um templo católico sabendo que ali realiza-se o maior ato visível neste mundo que o ser humano é incapaz de realizar por si mesmo. Que as igrejas são destinadas para este único objetivo claro e específico não existe conjecturas suficientes para contrariar. O templo é consagrado, ou simplesmente abençoado, para este fim, a celebração do Santo Sacrífico de Cristo na cruz, atualizando no tempo e no espaço o evento salvífico para os homens e mulheres de agora. 

Uma compreensão que começou a ser atacada de maneira mais aberta e sorrateiramente, por diversos meios, desde a celebração do Concílio Vaticano II, apesar de que antes dele já haviam pequenas ideias e iniciativas pontuais mundo afora. Mas a história nos mostra que o último Concílio foi um marco para uma espécie de manobra coletiva dentro do clero para reconfigurar ou reformatar tanto o rito como consequentemente o que serve ao rito, e neste caso a que me refira agora, o templo sagrado.

Na verdade, a sacralidade do espaço foi uma das primeiras concepções a serem banalizadas ao ponto de não se encaixar mais na utilidade do espaço-templo. É a ideia do "vamos relativar, vamos abrir caminhos para tudo e todos", transformando assim, algo que era sagrado em mundano, pois todos sabem que ser sagrado significa ser algo ou alguém que contém algum mistério, algum segredo, e por isso ser algo seleto, diferente do mundano onde tudo se pode, por ser algo básico para tudo, sejam coisas boas ou ruins. No sagrado somente há lugar para as coisas boas, deixando assim desmentida aquela ideia propositalmente fixada de que o sagrado é onde todos estão e por isso todos podem estar e tudo pode ser feito no espaço sagrado. É a relativização do templo sagrado, ou banalização para anarquização sob pretextos que para a maioria podem deixar passar por argumentos válidos, mas que surgem como armas de destruição do espaço sagrado e que afeta de maneira sensível a percepção do grande mistério do Santo Sacrifício. 

Infelizmente, somente aqui no Brasil temos inúmeros exemplos de atitudes que comprovam esta relativização e banalização do templo sagrado. Uma delas são as chamadas "missas de encerramento dos encontros juvenis". Essas missas além de claramente transmitirem esta ideia dessacralizante do templo, fazem com os féis que ali estão, não convivam especificamente com Cristo, mas muito mais com as impressões sensíveis humanas que estes jovens trazem destes encontros promovidos pelos movimentos ou grupos no qual participam. Fora o desrespeito impetrado a alguns tantos fieis que não desejavam nada mais que assistir a santa missa sem estes incrementos estranhos ao rito litúrgico.

Existem outros momentos e outros formas de se fazer estes encerramentos sem a necessidade de ferir a liturgia e ajudar na dessacralização do templo. Mas para que isto aconteça é preciso sair da bolha teológica-pastoral em que a maioria do clero católico se enfiou nas ultimas décadas.

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