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O "conservadorismo" coletivo

A primeira vez que ouvi falar em conservadorismo foi numa igreja, quando o padre em sua homilia falava em costumes conservadores e então surgiu esta palavra nova para mim, o "conservadorismo". Claro que tinha de ser nova, pois quando aconteceu isso deveria ter dezesseis ou dezessete anos, e nunca ouvira isto nas escolas municipais e estaduais que frequentei.

Hoje a realidade é bem outra. Depois de anos frequentando salas de aula sem interromper um ano sequer, pude vasculhar este termo em diferentes autores e livros, e aqui posso dizer que a literatura esta mais repleta de gente que repugna o conservador do que aqueles que escrevem para defendê-los ou ao menos dar-lhes certa razão. Bom, na verdade, o conservador não precisa que lhe deem razão, porque de fato, o conservador sabe que esta certo em muita coisa senão em tudo, e a característica própria dele é saber esperar, sem grandes protestos, a verdade aparecer como o sol certamente aparece depois do céu repleto de nuvens.

Não quero falar do conservador, o que desejo falar é um certo "conservadorismo" coletivo que parece surgir e crescer no mundo, especialmente no Brasil. E coloco entre aspas porque não consigo considerar fiel a natureza própria do conservador este fenômeno. 

Depois de alguns fatos aqui no Brasil, especialmente das descobertas de escândalos de corrupção e do impeachement da Dilma Rousseff, o que a tirou da presidência da República, algumas pessoas foram conduzidas por um sentimento de "mudança de eixo" na política, e aquele sentimento de limpeza arrastou muita gente a colocarem-se em protestos nas ruas, algo que eu mesmo comentei muitas vezes aqui no site e também no meu canal no YouTube. O fato é que este movimento de massas em prol de um sentimento de limpeza ou purificação política aos poucos foi ganhando traços de política de direita e, com ajuda dos militantes de esquerda, estes foram sendo rotulados de "conservadores", e assim o próprio conceito começo a ser diluído sem muita equiparação entre a realidade e a natureza do termo usado.

De fato, algumas pessoas perceberam que ao serem chamadas de conservadoras favorecia de certa maneira o antagonismo à esquerda, algo que a grande maioria dos que protestavam contra a má política atual desejavam que acontecesse, pois queriam algo bem diferente do que já vinha no Brasil.
E é por essa aceitação passiva que começa a aparecer um certo "conservadorismo" coletivo, algo que não nasce da natureza do termo e deste modo de viver, mas apenas de um desejo de que as coisas saiam diferentes. Ou seja, ser conservador para muitos hoje parece apenas uma mera diferenciação ao denominado esquerdista. E essa falta de fidelidade aos conceitos vemos nos meios de comunicação também, onde facilmente aqueles que se demonstram contrários a uma política socialista são mencionados como tendo "pensamentos conservadores", o que também não significa ser conservador, nem o que escrevi antes nem a ligação "pensamentos conservadores" com "ser conservador".

Esse "conservadorismo" coletivo não é bom nem natural, apenas reflete uma deficiência do próprio povo de um país, onde sem pensar, sem usar o raciocínio, se vai alimentando falsos adjetivos que passam longe da realidade dos fatos. Não estou julgando o mérito de tudo o que tem acontecido no Brasil até agora, e isto minhas publicações e vídeos podem provar o quanto fui entusiasta de tudo oque aconteceu. Mas não posso, por honestidade intelectual, me furtar a registrar isso que aqui escrevo, que este fenômeno de pululância de "conservadores" de modo instantâneo tem mais a ver com a deficiência intelectual e cultural do que com a natureza mesmo do conservador.

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