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Domingo de Ramos: Não era somente hipocrisia

"Seria somente hipocrisia daqueles que estavam aclamando Jesus como rei e mais tarde, talvez muitos destes, o mandavam para a condenação? A hipocrisia é um mal que o próprio Cristo delatava no coração de muitos, mas neste caso, seria somente isso?!" 
Assim terminava o artigo neste blog que escrevi no ano passado (25/03/2018) sobre o Domingo de Ramos, e aqui pretendo dar certa continuidade a ideia que me inspirava naquela ocasião. O questionamento acima, surge precisamente do que escrevi naquele artigo, sobre a negligência do ser humano atual sobre a imperialidade da alma sobre a razão. De fato, mencionava que por conta das atividades quotidianas não aguçamos nosso olhar para os pequenos e profundos instantes na vida. Acredito que a causa disso seja especialmente este sufocamento da alma sob a pressão da racionalidade da vida, ou melhor, da racionalidade que pretendemos dar a nossas vidas

Uma observação é importante neste momento: não estou tratando aqui de meros sentimentos, de simpatias ou antipatias, frutos da sensibilidade que tende a ser puramente rasa, epidérmica. Pode parecer contraditório, mas falo de algo muito objetivo, e isso para muitos pode soar estranho ao falar de alma, pois certamente aprenderam que tudo relacionado à alma esta ligado com espírito que por sua vez esta ligado com sentimentos e emoções. Isto é a demonstração do sufocamento da alma, pois ela é a inteligência profunda do ser humano e seu alcance é inimaginável.

Falando do Domingo de Ramos e da celebração que vivemos neste domingo, precisamos observar muito bem esta cena evangélica em que Jesus é aclamado aos gritos de "hosana, o Filho de Davi, bendito o que vêm em nome do Senhor". Aqui lembro da pergunta no início: Seria mera hipocrisia? Apesar de alguns exegetas discordarem sobre a possibilidade deste grupo de pessoas serem os mesmos que estavam no momento do julgamento em que Jesus foi condenado a crucificação, a possibilidade de alguns que ali estavam serem os mesmos que estavam no "crucifica-o!" é muito grande. E juntando o que antes dizia sobre o sufocamento da alma, podemos chegar a uma conclusão de que atitudes pontuais, que facilmente revelam posteriormente o mal julgamento, não pode ser outra coisa senão fruto desta racionalidade sufocando a inteligência da alma. Mesmo que não possamos afirmar com total certeza que todo esta grupo que louvava a Jesus na entrada em Jerusalém seja o mesmo que o levou a crucificação dias depois, toda esta cena de leviandade do ser humano com Jesus demonstra a falha contemplação inteligente dos pequenos instantes na vida. Tirando as análises exegéticas sobre o que pensavam ao gritar "hosana", "Filho de Davi" e logo "crucifica-o", podemos iniciar a Semana Santa com este pensamento que, ao meu ver, ainda têm muito que ser aprofundado na vida do cristão.

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