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Igreja que não converte mais ninguém

Que existe uma profunda e evidente crise dentro da Igreja Católica a grande maioria dos seres racionais já conseguiu perceber. O que para muitos destes é ainda obscuro é a raiz disso e a postura que se deve tomar para ajudar a sanar tal crise. Não é simples ou fácil elucidar isso, eu mesmo não o posso fazer, mas aproximações reais a esta crise e a posição a qual devemos ter são possíveis e reais diante de um honesto esforço. Ouso dizer que, mesmo Joseph Ratzinger, que na minha opinião é o maior teólogo vivo, não conseguiu ou não quis apresentar o panorama real e profundo desta crise e sua raiz que esta mais atrás do que muita gente pensa. Hoje o esforço analítico é deveras enorme, pois muitos que poderiam já terem apresentado trabalhos sobre isso, aparentemente resolveram calar-se ou mesmo guardar para si, por medo ou intimidações variadas, suas análises sobre este tema. É grande o trabalho de compreensão e de inúmeras influências e inúmeras consequências de tudo o que nos fez chegar a

Judas e eu: uma reflexão

“Um dos doze discípulos, chamado Judas Iscariotes, foi ter com os sumos sacerdotes e disse: ‘O que me dareis se vos entregar Jesus?’ Combinaram, então, trinta moedas de prata” (Mt26,14s)
Foi um discípulo quem entregou Jesus, um “cristão”.
Se os judeus foram culpados por rejeitarem seu Messias e tramarem Sua morte, se os romanos tiveram culpa pela covardia de Pilatos que preferiu lavar as mãos, nós, os discípulos também temos a nossa parte, também somos representados nesta triste cena.
Judas era um dos nossos, era como nós:
fora amorosamente chamado por Jesus;
o Mestre o chamou pelo nome, convidou-o a conviver com Ele…
Judas comera com Jesus,
escutara a Sua palavra, como nós…
Também comemos à Mesa do Mestre na Eucaristia,
também escutamos Suas palavra proclamada de modo solene em cada Sacrifício da Missa…

Por que Judas traiu Jesus? Os motivos não são totalmente claros… Ao que parece, os apóstolos, de modo geral, esperavam um messias glorioso, potente, que restaurasse o antigo reino de Israel; e contavam em participar das glórias e vantagens de tal reino.
Pouco a pouco, Jesus foi decepcionando as ilusões deles: era um Messias humilde, pobre, servidor, manso! Entrou na casa de Zaqueu, o publicano pelego, curou o servo do centurião do exército romano opressor e elogiou-lhe a fé, mandou perdoar os inimigos e afirmou que o Seu Reino era de paz e verdade…

Certamente, que os Doze tiveram, coitados, que ir mudando de mentalidade, tivera quem ir deixando suas ilusões para abraçar a proposta de Jesus.
Parece que Judas não foi capaz… Decepcionou-se com o Mestre. A decepção virou amargura, a amargura tornou-se raiva e a raiva levou Judas a tornar-se cínico ante tudo que dizia respeito a Jesus: ficou entre os Doze, mas já não estava lá de coração, já não era um discípulo, já não era realmente um dos Doze. Começou a roubar o dinheiro da bolsa comum e, agora, estava decidido a entregar Jesus… Era um dos nossos, um de nós, um como nós…
Somos também tentado, às vezes, a nos decepcionar com o Senhor:
Ele não faz como esperamos,
não age como desejaríamos,
não nos dá satisfação.

A tentação é deixa-Lo pra lá ou mesmo ficar entre os discípulos não mais sendo um verdadeiro discípulo, fazendo do nosso modo, ou até traí-Lo, vendendo-nos às paixões, ao vício, à desonestidade, aos valores do mundo, ao pecado, a uma vida dupla…
Senhor, Jesus, por misericórdia, por piedade,
não permitas que eu Te traia!
Sou do mesmo material de Judas, meu irmão!
Sou pobre, às vezes, mesquinho,
não consigo sempre ver com a largueza e profundidade
do Teu Coração…

Às vezes duvido, às vezes tenho uma dificuldade medonha de aceitar de verdade Tuas exigências…
Socorre-me, Senhor,
Para que eu não faça como Judas ou pior que Judas!
Aquele lá, ao menos depois chorou e enforcou-se…
Eu poderia fazer pior:
Poderia continuar, cínico, teimando no meu pecado,
no meu erro,
defendendo a minha posição
e dizendo que o errado és Tu,
que és ultrapassado, anacrônico!
Piedade de mim, Jesus, pela Tua Paixão!
Lembra-Te de mim, quando vieres no Teu Reino!

Dom Henrique Soares, Bispo de Palmares

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