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Cooperatores veritatis

É verão e esta chovendo, aquelas típicas chuvas de verão, rápidas e de violência amena o suficiente para refrescar o ambiente. O calor excessivo não me anima a escrever, mas a chuva faz este trabalho de animação, e por isso estou aqui para escrever sobre um assunto ou ideia que estava engavetada com muitas outras. Quando falamos nos estudos acadêmicos em "buscar a verdade", "transmitir a verdade", "servir a verdade" ou mesmo em "obedecer a verdade" muitas vezes pressupõe-se a realidade VERDADE que pode-se simplesmente apresentá-la como Aristóteles, mas a verdade mesmo é uma PESSOA, e escrevo em caixa alta porque refiro-me a Deus mesmo, o Criador por excelência, fonte de toda a realidade existente. De fato, nada existe sem a consciência Divina que existe pensando em tudo e em todos, já que o seu esquecimento de alguma realidade significaria a inexistência desta realidade. Se você não chegou a esta certeza da dependência da realidade do pensamento

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Saint-Exupéry: A paz ou a guerra?!

"Quando a Paz nos parecia ameaçada, descobrimos a vergonha da guerra. Quando a guerra nos parecia afastada, sentíamos a vergonha da Paz" (Saint-Exupéry. Um sentido para a vida. Ed. Nova Fronteira, pág. 125)
Genial. O que posso dizer deste pensamento de Antoine de Saint-Exupery recolhido em Um sentido para a vida.

Penso como a mera reflexão humana pode chegar a verdadeira sabedoria e o quanto a falta dela nos leva a verdadeiras barbáries que estamos cansados de ver em nosso tempo, em nossa sociedade. Reconheço que no caso mais extremo de conflito a guerra parece ser a única saída, mas mesmo assim, nunca é totalmente justa e benéfica. O escritor francês nos lembra que o ser humano vazio de sabedoria parece clamar por brutalidade, clamar pelo conflito, clamar pela guerra, precisamente porque não soube (e ainda não sabe!) inebriar-se da sabedoria que advêm da reflexão, da interioridade. Interioridade esta que somente se conhece e preenche pela espiritualidade, este exercício interior que é capaz de buscar algo que é maior que o próprio ser humano. De fato, parece incontestável que o que preenche o ser humano só pode ser algo maior que ele mesmo, nos levando na direção do próprio Deus.

Dizer que o ser humano será um dia capaz de evitar as guerras parece impossível se levarmos em conta a fragilidade deste ser, repleto de contingências. Mas a fé nos aponta um momento que será o ápice da vida humana, aquele momento em que estaremos junto de Deus, na sua casa, no seu Reino. Seja logo após a morte ou no fim do mundo, quando todo o universo for renovado. Aí o ser humano será capaz de viver eternamente sem clamar pela guerra, pelo conflito.
Para alguns pode parecer ainda estranho dizer que o ser humano busca o conflito, mas é interessante esta passagem do escritor francês:
"Se declararmos guerra aos corcundas, se criarmos a imagem de uma raça de corcundas, depressa aprenderemos a nos exaltar. Todas as vilanias, todos os crimes, todas as prevaricações dos corcundas nós lançaremos à sua conta. E será justo. E, quando afogarmos em seu próprio sangue um corcunda inocente, daremos de ombros, tristemente: 'Esses são os horrores da guerra... Ele está pagando pelos outros... Está pagando pelos crimes dos corcundas...' Porque, é claro, os corcundas também comentem crimes". (Saint-Exupéry. Um sentido para a vida. Ed. Nova Fronteira, pág. 131)
Se não diz tudo, ao menos nos elucida bastante o sentimento que nos faz concordar com a afirmação de que o ser humano, por conta de sua contingência, busca o conflito, busca a guerra.
O que fazer? A nossa pequena parte de nos virarmos para dentro de nós e buscar a sabedoria divina que preencha o espaço que seria ocupado pela brutalidade.

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