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≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡ LEITURA RECOMENDADA ≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡≡

Cooperatores veritatis

É verão e esta chovendo, aquelas típicas chuvas de verão, rápidas e de violência amena o suficiente para refrescar o ambiente. O calor excessivo não me anima a escrever, mas a chuva faz este trabalho de animação, e por isso estou aqui para escrever sobre um assunto ou ideia que estava engavetada com muitas outras. Quando falamos nos estudos acadêmicos em "buscar a verdade", "transmitir a verdade", "servir a verdade" ou mesmo em "obedecer a verdade" muitas vezes pressupõe-se a realidade VERDADE que pode-se simplesmente apresentá-la como Aristóteles, mas a verdade mesmo é uma PESSOA, e escrevo em caixa alta porque refiro-me a Deus mesmo, o Criador por excelência, fonte de toda a realidade existente. De fato, nada existe sem a consciência Divina que existe pensando em tudo e em todos, já que o seu esquecimento de alguma realidade significaria a inexistência desta realidade. Se você não chegou a esta certeza da dependência da realidade do pensamento

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Incrível “Terra dos Homens”

Comemorando esta data memorável em que nascia um dos luminares mais brilhantes da literatura mundial, lembro uma das obras mais interessantes e incríveis deste escritor.saint-exupery
No ano de 1939 era lançado pela Editora francesa Éditions Gallimard Terre Des Hommes, em português, “Terra dos Homens”, uma obra a primeira vista – ou lida – pálidamente simples, mas que encerra não somente a visão realista e analítica de Saint-Exupéry como sua profunda espiritualidade.

Sempre me impressionou a preocupação deste autor em fazer notar sua visão sobre a falta de profunda interioridade dos homens e mulheres de seu tempo, algo que só fez piorar de lá para cá, decepcionando, acredito eu, a Saint-Exupéry por talvez imaginar que as coisas melhorariam com o passar das décadas. Esta sua visão é realista ao passo que brinda os leitores com profundas reflexões concernetes a necessidade de vida interior. No final de seu livro Terre Des Hommes, ele esccreve:
O mistério está nisso: eles se terem tornado esses montes de barro. Por que terrível molde terão passado, por que estranha máquina de entortar homens? Um animal ao envelhecer conserva a sua graça. Por que a bela argila humana se estraga assim? (…)
O que me atormenta, as sopas populares não remedeiam. O que me atormenta não são essas faces escavadas nem essas feiúras. É Mozart assassinado, um pouco, em cada um desses homens.
Só o Espírito, soprando sobre a argila, pode criar o Homem.
Digo que de forma bastante contemplativa sobre a realidade triste do ser humano sem Deus, terminou este seu escrito. No entanto, vejo aí muitas reflexões que somos quase que obrigados a fazer, mesmo que de maneira simples e sintética.

Este grande mistério de que fala Saint-Exupéry nada mais é do que a misteriosa criação do ser humano, de seu surgimento sobre a terra, de como esta espécie chamada “homem” começou a existir e habitar neste planeta. Por mais que a ciência avance continua sendo um mistério nas várias particularidades desta existência… pois, é fácil rebaixar a vida humana a um complexo de céluas aglutinadas, emarranhadas, combinadas, algo que quase matematicamente daria o resultado que hoje vemos, mas esquece-se que a matemática não forma a vida humana em sua complementariedade.

Esta vida humana, tão bela e complexa, é presa fácil a corruptibilidade, tornando o ser humano alguém de fácil manuseio, como uma argila ainda úmida, sem a concistente firmeza no molde ideal. Quem estraga tanto este exemplar humano? Que “máquina” é esta que deforma a vida humana? Não seria por acaso aquele que pretende desfazer a beleza do criador desta natureza?! Ou seja, não seria esta “máquina” maldita o próprio Mal personificado, isto é, o Demônio?! Como acredito que Saint-Exupéry era muito espiritualizado por causa de sua fé (baseado no que já li de suas cartas de infância e juventude enviadas à sua mãe), não tenho medo de errar ao dizer deste modo. O escritor inebria todos os seus escritos de uma espiritualidade cristã bastante clara, até enfadonha aos displicentes.

Realmente, sente-se nas letras desta “alma escrita” o sentimento de frustração pela degradação cada vez maior do ser humano, e pior ainda, pela aparente indiferença deste ao abismo para o qual caminha como que anestesiado. “É Mozart assassinado, um pouco, em cada um desses homens”, desabafa Saint-Exupéry!

Que fazer? Quem ou o que pode devolver a dignidade a estes homens? Quem pode orientá-los novamente? Quem pode tirar-lhes da anestesia mortífera do nihilismo moderno? Parece clara a resposta para Saint-Exupéry: quem criou o ser humano em sua completude, ou seja, Deus.
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Obra citada neste artigo: SAINT-EXUPÉRY, Antoine de. Terra dos Homens. Ed. Nova Fronteira, 1986, 27ª.

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