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Cooperatores veritatis

É verão e esta chovendo, aquelas típicas chuvas de verão, rápidas e de violência amena o suficiente para refrescar o ambiente. O calor excessivo não me anima a escrever, mas a chuva faz este trabalho de animação, e por isso estou aqui para escrever sobre um assunto ou ideia que estava engavetada com muitas outras. Quando falamos nos estudos acadêmicos em "buscar a verdade", "transmitir a verdade", "servir a verdade" ou mesmo em "obedecer a verdade" muitas vezes pressupõe-se a realidade VERDADE que pode-se simplesmente apresentá-la como Aristóteles, mas a verdade mesmo é uma PESSOA, e escrevo em caixa alta porque refiro-me a Deus mesmo, o Criador por excelência, fonte de toda a realidade existente. De fato, nada existe sem a consciência Divina que existe pensando em tudo e em todos, já que o seu esquecimento de alguma realidade significaria a inexistência desta realidade. Se você não chegou a esta certeza da dependência da realidade do pensamento

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Coreografia religiosa: depoimento de um médico e ex-reitor de universidade

Nasci na primeira metade do século XX. Naquela época os religiosos/as da Igreja Católica Apostólica Romana, usavam vestes próprias: as batinas e os hábitos. As missas eram realizadas em latim, com o oficiante em um altar de costas para os fiéis. Nem pensar em receber a Santa Eucaristia sem antes passar pelo confessionário. A igreja era um lugar de paz, meditação consagração e agradecimento. Um órgão acompanhava uma cantora lírica e um coral na interpretação dos hinos sagrados, que penetravam fundo em nossos corações. Era o ritual da fé. Saíamos do templo sagrado certos do perdão alcançado e de alguma graça pedida e recebida.

Os tempos agora são outros. A sensação que fica aos mais antigos que frequentam a moderna igreja católica, é que foi passada uma borracha nos rituais de antigamente. A fé agora precisa de amuletos. Estas mudanças, dizem os entendidos, foram feitas com o objetivo de captar mais ovelhas para o rebanho do Senhor. Muitas estavam sendo atraídas para outros pastos. Entretanto, na prática, não foi bem isso que aconteceu. As estatísticas e os serviços da igreja comprovam que, mesmo assim, esse rebanho foi reduzido.

Das inúmeras inovações introduzidas no modernismo da religião católica, quero citar apenas uma: a coreografia religiosa. Dizem que ela age como fator agregador da fé. Tenho minhas dúvidas. Infelizmente, o culto religioso dos tempos modernos, se assemelha muito a um grande programa de auditório. Todos dançam, cantam e batem palmas.

No entanto, a motivação de quem sai de casa para assistir a uma missa é totalmente diferente daquele que procura um prêmio em um auditório do Gugu, Faustão, Sílvio Santos e tantos outros. Além de produzir a desconcentração dos fiéis no momento do encontro espiritual tão procurado, tentam homogeneizar os sentimentos das pessoas.

A música eletrônica, com bateria e puxador de hinos, deixa na saudade o som dos antigos órgãos, que funcionavam como chave para abrir comportas das nossas emoções. Será mesmo que essa recente coreografia religiosa, que transformou o espaço de orações em um imenso auditório de programa de diversão, era para evitar a evasão de fiéis? Não creio.
Não creio que a coreografia religiosa implantada, tenha aumentado a fé dos ferrenhos seguidores das palavras do Senhor. Pelo contrário, foi uma ducha fria na fé de muitos.  Se até hoje acreditamos nos dogmas da igreja, por que acrescentar a coreografia inibidora?

Temos muito ainda que analisar. Religião para mim é questão de fé. E a fé não precisa de artifícios para ser incorporada ou mantida.

- GABRIEL NOVIS NEVES é médico em Cuiabá, foi reitor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

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*Extraído de http://www.atribunamt.com.br/

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