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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

O conservador na guerra hermenêutica

Contra tudo o que pode parecer comum no mundo atual, o conservador não deixa-se levar pelas pressões sociais e grupais, que muitas vezes cobram altos preços pela aquesciencia ou pelo enfrentamento de ideias e posturas sem nenhum fundamento na realidade, sem nenhuma obediência a natureza mesmo das coisas criadas e sustentadas pelo Criador.  Claro que a imensa maioria destas ideias e posturas que pressionam o conservador originam-se de mentes negadoras da existência de Deus ou negam sua fundamental influência no mundo e na história, o que faz com  estas ideias e posturas já desenvolvam-se alienadas da ideia de um criador e sustentador da existência em seu ser. Esse pressuposto já traz um bom motivo para que o conservador desconfie de qualquer "boa ação" ou "boa intenção" que possa ser apresentada a ele, sendo patrocinada e impulsionada por quem pressupostamente desconsidera o fundamento da realidade existente. Já escrevi aqui sobre a fundamental insistência da mente

Sexta-feira – Ap 10,8-11 Lc 19,45-48

XXXIII Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

Somos convidados a debruçar mais atenção a estas palavras do Apocalipse que hoje ouvimos na liturgia. Nela uma voz vinda do céu pede a João que pegue o “livrinho” da mão do anjo, este anjo ao entregá-lo diz para o comer. Parece-nos um tanto irreal esta cena do anjo pedindo que se coma um livro, por menor que seja, mas precisamos lembrar que se trata de uma visão, e como tal, tem de ser interpretada e não entendida literalmente. É por isso que enxergamos neste “livrinho” de que fala João, a Palavra de Deus. Comê-la precisa ser visto como ingerir a Palavra de Deus, ou seja, não ser um escudo onde a Palavra de Deus vêm em direção dele, mas encontra esta resistência e nem sequer aproxima-se do ouvido. Comer algo é transformar isto que esta fora de nós em parte de nós depois que o ingerimos, assim como o alimento se torna parte de nosso corpo após uma refeição. Comer a Palavra de Deus, pode nos dizer que devemos ter revisar nossa postura diante dela, notar se realmente estamos transformando o que ela é em parte do nosso “corpo”, ou seja, em parte de nossa vida.

Disto podemos dizer mais ainda. Para se comer algo é preciso sentir a necessidade deste “alimento”, assim como acontece em nossa vida fisiológica. Sentimos a necessidade de nos alimentar, então procuramos algum alimento que possa satisfazer esta necessidade e então o ingerimos. A Palavra de Deus, para ser aceita como alimento, antes precisa ser sentida como uma necessidade para nos nutrirmos. Já percebemos que ela é alimento que nutre para a vida eterna, mas que também nos orienta neste mundo em vista do mundo futuro. Existe a necessidade, cada ser humano precisa conhecê-la para senti-la e então reconhecer-se dependente deste alimento eficaz.

Pegando o “livrinho” das mãos do anjo, este fala a João: “será amargo no estômago, mas na tua boca, será doce como mel” (Ap 10,9). Certamente se percebe neste recado do anjo, que a Palavra de Deus, pode muitas vezes ser-nos amarga pela aparente dureza das palavras que a compõe. Mas existe outro motivo para ser-nos amarga, a falta de familiaridade com ela. Assim como alguém pode achar amargo algum alimento que não esta acostumado a comer, mas que após a familiaridade com ele acaba por não achá-lo mais tão estranho. É por isso que o anjo diz que será amargo ao estômago, mas doce na boca, para que também tenhamos bem presente esta realidade da Palavra de Deus e nossa. De fato, mesmo sendo-nos amarga em nosso interior, é nos doce e suave proclamá-la se censura e com amor.

Jesus nos mostra uma atitude realmente de acordo com esta compreensão que acabamos de elucidar. Entrando no Templo toma-se de uma atitude muito intragável a quem esta acostumado somente com o “mel” da imagem de Jesus, colocando-se até em escândalo por Jesus ter tido tal reação diante dos vendedores no Templo. Mas o que acontece com muitos é que ficam na atitude violenta, e não entendem o que Jesus quis mostrar com tal: “Está escrito: Minha casa será casa de oração” (Lc 19,46). A perversão da finalidade do Templo moveu o coração e a atitude de Jesus para tomar esta atitude. Bom exemplo de que a Palavra de Deus pode ser amarga quando se apresenta a nós, mas é doce ao entendê-la e proclamá-la.

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