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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

O conservador na guerra hermenêutica

Contra tudo o que pode parecer comum no mundo atual, o conservador não deixa-se levar pelas pressões sociais e grupais, que muitas vezes cobram altos preços pela aquesciencia ou pelo enfrentamento de ideias e posturas sem nenhum fundamento na realidade, sem nenhuma obediência a natureza mesmo das coisas criadas e sustentadas pelo Criador.  Claro que a imensa maioria destas ideias e posturas que pressionam o conservador originam-se de mentes negadoras da existência de Deus ou negam sua fundamental influência no mundo e na história, o que faz com  estas ideias e posturas já desenvolvam-se alienadas da ideia de um criador e sustentador da existência em seu ser. Esse pressuposto já traz um bom motivo para que o conservador desconfie de qualquer "boa ação" ou "boa intenção" que possa ser apresentada a ele, sendo patrocinada e impulsionada por quem pressupostamente desconsidera o fundamento da realidade existente. Já escrevi aqui sobre a fundamental insistência da mente

Terça-feira – Lc 11,37-41

Hoje, o evangelista situa a Jesus num banquete: Um fariseu rogou-lhe que fora a comer com ele (cf. Lc 11,37). Que cara deveu pôr o anfitrião quando o convidado saltou a norma ritual de se lavar (que não era um preceito da Lei, senão da tradição dos antigos rabinos) e além disso lhes censurou categoricamente a ele e ao seu grupo social. O fariseu não acertou no dia e, o comportamento de Jesus, como dizemos hoje, não foi politicamente correto.

Os evangelhos mostram-nos que ao Senhor lhe importava pouco o que dirão e o politicamente correto; por isso, pese a quem pese, ambas coisas não devem ser norma de atuação de quem se considere cristão. Jesus condena claramente a atuação própria da dupla moral, a hipocrisia que procura conveniência ou o engano: Vós, fariseus, limpais por fora o copo e a travessa, mas o vosso interior está cheio de roubos e maldades (cf. Lc 11,39). Como sempre, a Palavra de Deus nos interpela sobre usos e costumes de nossa vida quotidiana, na que acabamos convertendo em valores ciladas que tentam dissimular os pecados de soberba, egoísmo e orgulho, numa tentativa de globalizar a moral no politicamente correto, para não destoar e não ficar marginados, sem que importe o preço a pagar, nem como enegreçamos nossa alma, pois, afinal de contas, todo mundo o faz.

Igualmente, aquela desculpa sempre presente em comunidades cristãs mais antigas deve ser bem cuidada. Nelas vez por outra se ouve “mas sempre foi feito assim”, uma desculpa para não corregir algo costumeiro que esta em desacordo com a verdade moral e evangélica. Não podemos deixar que nossos costumes, por mais que venham de anos, sejam mais valiosos que a verdade aprendida do Evangelho.

Dizia São Basilio que de nada deve fugir o homem prudente tanto como de viver segundo a opinião dos demais. Se somos testemunhas de Cristo, temos de saber que a verdade sempre é e será verdade, ainda que apareçam muitos ataques contra quem defende a verdade. Esta é nossa missão no meio dos homens com quem compartilhamos a vida, tentando nos manter limpos segundo o modelo de homem que Deus nos revela em Cristo. A limpeza do espírito passa acima das formas sociais e, se em algum momento surge-nos a dúvida, lembre-se que os limpos de coração verão a Deus (cf. Mt 5,8).

Que cada um saiba escolher o objetivo de sua atenção para toda a eternidade.

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Reflexão adaptada de Rev. D. Pedro IGLESIAS Martínez (Rubí, Barcelona, Espanha), in www.r.evangeli.net/evangelho

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