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A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

Quinta-feira – Gl 3,1-5 Lc 11,5-13

XXVII Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

Estimados irmãos e irmãs, o que ouvimos de Paulo aos Gálatas (Gl 3,1-5) nos pede uma reflexão sobre como estamos cuidando de nossa fé, e mais ainda, de como estamos vivendo ela.

Paulo interroga a comunidade sobre o que estão deixando que a fé que receberam pela pregação do Evangelho se transforme, pois vê que muitos estão deixando de viver segundo a fé recebida pelo Espírito para viver segundo as conveniências da carne, ou seja, vivendo uma vida muito mais do mundo do que de Deus. É no sentido de que se pode perder o próprio sentido sobrenatural da fé que escutamos estas palavras de São Paulo. Não podemos deixar de ver neste perigo algo que nos afastaria em definitivo do amor de Deus, pois se trata de viver uma mentira, deixando de lado o próprio Deus que se revela a nós e apegando-se exageradamente a costumes, hábitos e leis que não necessariamente nasceram da fé.

É preciso notar que Paulo não quer dizer que a Lei deve ser detestada pelos cristãos, que deve ser evitada. Nas palavras de Paulo precisamos perceber a ordem que deve sempre estar diante de nossos olhos, pois a Lei vêm da fé que por sua vez nasce da pregação que foi inspirada pelo Espírito. De modo que a Lei não deve estar acima, em nossas vidas, da fé, da pregação e por conseguinte do Espírito. Quem inverte esta ordem é justamente aquele insensato que não percebe que nasceu do Espírito mas que agora esta vivendo segunda a carne, ou seja, segundo a mera organização civil da sociedade, mas não prioritariamente segundo a fé que recebeu.

Neste caminho cristão, de seguimento de Jesus Cristo, podemos certamente nos encontrar diante de uma queda de nossa fé, momentos em que parece estarmos nitidamente fracos nesta adesão pessoal a Deus, duvidando muitas vezes até de sua Palavra Sagrada. É justamente nestes momentos que devemos olhar para este evangelho de hoje (Lc 11,5-13), em que Jesus nos consola imensamente ao dizer-nos que basta pedir que nos será dado.

Curiosamente pode-se questionar o porque pedir quando se esta neste deserto da fé. Deve-se pedir aportunadamente nestes momentos, pois é neles que Deus vêm mais urgentemente ao nosso socorro quando o fitamos sem aquele amor que gostaríamos e pedimos “Senhor, aumenta minha fé”. Poderíamos dizer a nós mesmos que, na secura da fé, este pedido começa a avivar minha adesão a Deus, pois o simples fato de não desistir dela já me suporta para levantá-la de onde caiu.

Pedindo a Ele de coração sincero, com a devida consciência do que pedimos, recebemos de sua bondade o Espírito Santo que outrora deixamos de seguir e viver (cf. Lc 11,13).

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