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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

O conservador na guerra hermenêutica

Contra tudo o que pode parecer comum no mundo atual, o conservador não deixa-se levar pelas pressões sociais e grupais, que muitas vezes cobram altos preços pela aquesciencia ou pelo enfrentamento de ideias e posturas sem nenhum fundamento na realidade, sem nenhuma obediência a natureza mesmo das coisas criadas e sustentadas pelo Criador.  Claro que a imensa maioria destas ideias e posturas que pressionam o conservador originam-se de mentes negadoras da existência de Deus ou negam sua fundamental influência no mundo e na história, o que faz com  estas ideias e posturas já desenvolvam-se alienadas da ideia de um criador e sustentador da existência em seu ser. Esse pressuposto já traz um bom motivo para que o conservador desconfie de qualquer "boa ação" ou "boa intenção" que possa ser apresentada a ele, sendo patrocinada e impulsionada por quem pressupostamente desconsidera o fundamento da realidade existente. Já escrevi aqui sobre a fundamental insistência da mente

Quarta-feira – Ef 3,2-12 Lc 12,39-48

XXIX Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

São Paulo deseja transmitir aos Efésios, sua compreensão de do mistério de Cristo, e principalmente sua desejada presença na Igreja constituída por Ele ao designar os apóstolos como fundamento dos seus seguidores. A estes deu-lhes a responsabilidade de transmitir o Evangelho de forma íntegra e fiel, sem diminuição nem acréscimo. São Paulo percebe que é pela Igreja que a humanidade deverá conhecer o verdadeiro rosto do Senhor e assim, chegar ao conhecimento da salvação.

A São Paulo foi-lhe dado de modo especial, a missão de anunciar o Evangelho àquela parcela da humanidade considerada pagã, algo que, para a compreensão da época, era muito inovador, pois era dizer que Jesus Cristo trouxe a salvação também para os pagãos. Mas de fato, a salvação também se direciona a eles, quer dizer, não somente aqueles que já de alguma forma acreditavam em Deus, mas também os considerados pagãos poderiam usufruir da salvação trazida por Cristo. Neste apóstolo se configura mais claramente a dimensão universal da Igreja, esta dimensão que torna a Igreja de Cristo mais fiel a missão deixada pelo Senhor: “Ide a todo mundo, proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). São Paulo compreende claramente que é a Igreja de Cristo a responsável por anunciar a salvação, por revelar a todos a mensagem do Senhor: “assim, doravante, as autoridades e poderes nos céus conhecem, graças à Igreja, a multiforme sabedoria de Deus” (Ef 3,10). É ela, portanto, a detentora única da missão que o próprio Cristo têm, ela é a continuadora da ação missionária e evangelizadora do próprio Senhor. Ela é a porta para a salvação eterna, já que somente ela possui as chaves do Reino dos Céus (cf. Mt 16,19).

Percebemos o quanto foi dado a esta Igreja, visivelmente construída sobre os apóstolos. Ela recebeu um poder nato de Deus, recebeu algo divino, e como tal, imensurável, de infinito valor. É justamente por ter recebido tanto, que deve se esforçar continuamente por ser perfeita, nunca deixando de fazer valer em si mesma, os valores evangélicos, para que não venha a trair sua própria natureza e missão.

“Quem é o administrador fiel e prudente que o senhor vai colocar à frente do pessoal de sua casa para dar comida a todos na hora certa?” (Lc 12,42). Neste evangelho, certamente Jesus esta se dirigindo antecipadamente aos apóstolos a quem serão confiados os mistérios da salvação para que os administrem conforme a adesão pessoal daqueles que aceitaram o seguimento a Jesus Cristo. Nestes apóstolos temos a Igreja formada e edificada, e portanto, este administrador fiel pode perfeitamente se dizer ser a própria Igreja, mas não enquanto Santa, por sua natureza divina, mas enquanto humana, por sua composição de homens suscetíveis ao pecado. Por este motivo Jesus nos alerta, enquanto Igreja, pois muito nos é dado, algo de imensurável valor, por isso muito nos será cobrado também, mais do que aqueles que não recebem os benefícios da Igreja, seja por ignorância da fé, seja por entorpecimento de más doutrinas. Mas é evidente que Cristo fala também, de modo especial, àqueles que, com legítima autoridade, comandam este tesouro deixado a nós, estes são os administradores que receberão maior castigo que os empregados que não foram bem instruídos, caso sejam infiéis a missão recebida (cf. Lc 12,48).

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