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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

São Mateus, Apóstolo e Evangelista

Ef 4,1-7.11-13 Mt 9,9-13

Pe. Valderi da Silva

[Permanecer firme na vocação]

Escutamos de Paulo nesta carta aos Efésios, uma exortação a ficarmos firmes na vocação recebida, a não deixarmos as muitas turbulências da vida nos desanimar a caminhar no chamado recebido. Com certeza, todos nós sabemos o quanto é fácil desviar-se da vocação mediante algum acontecimento imprevisto e com aparente proporção gigantesca. Assim como acontece na vocação do matrimônio, por exemplo. O casal certamente se defronta com muitas intempéries inesperadas e até incompreensíveis, mas que precisam ser vividas com a humildade, mansidão e paciência (cf. Ef 4,2) de que fala Paulo, pois do contrário, mais facilmente se procurará uma solução fácil e comoda que resultaria no desvio da vocação chamada a cumprir. Sao Mateus [o chamado de Jesus]

Outra certeza que podemos adquirir é a de que o mesmo dito da vocação ao matrimônio se pode dizer das demais vocações, como a do sacerdócio ou da vida religiosa. Todas as vocações a qual Deus chama precisam destas armas que adquirimos com a maturação de nossa vida interior: a humildade para não nos considerarmos mais fortes do que realmente somos; mansidão para tratarmos todos os momentos da vida com seriedade aliada a serenidade; e paciência, virtude que nos leva a eficientes resultados.

[Deus nos chama, ele escolhe]

Na mesma carta de Paulo encontramos algumas palavras que nos fazem concluir algo que de fato já percebemos, que é Deus quem nos chama para determinada vocação. Diz Paulo: “E foi Ele quem institui alguns como apóstolos, outros como profetas, outros ainda como evangelistas, outros, enfim, como pastores e mestres” (Ef 4,11).

Deste modo, juntamente com a percepção de que existem várias vocações, entendemos que todas elas vêm de Deus, ou seja, é Ele quem nos chama para determinada missão no mundo, entre nossos irmãos, sempre capacitando aqueles a quem chama (cf. Ef 4,12). Podemos acrescentar às palavras de Paulo que à alguns chamou para o matrimônio, outros para a vida consagrada e a outros ainda para o sacerdócio. Mas o que une a todos é um chamado embutido em todos, que é o de permanecerem sempre fiéis a quem os chama, o que os leva a santidade, esta que é a vocação universal de todos.

[Mateus, homem chamado e capacitado]

Tendo ouvido a carta de Paulo, fica-nos mais claro este evangelho (Mt 9,9-13) em que Jesus chama Mateus para ser seu discípulo que mais adiante se tornaria também apóstolo.

Jesus, ao mesmo tempo em que passava anunciando a Boa Nova da salvação, escolhia aqueles que haveriam de segui-lo de modo mais próximo, foi assim que vendo Mateus sentado na coletoria de impostos o olhou e chamou, “segue-Me” (Mt 9,9). Deus nos chama desde antes de nascermos, pois estamos em seu pensamento desde a eternidade. Acontece que, sendo seres mortais, desprovidos da eternidade e das demais prerrogativas divinas, demoramos muito para descobrirmos a qual vocação Ele sempre nos chamou. Com Mateus aconteceu o mesmo, pois precisou o próprio Jesus aparecer a Ele para que descobrisse sua vocação.

É interessante notar que no mesmo instante em que ouviu o chamado de Jesus Mateus deixou a coletoria de impostos e seguiu Jesus, depois convidou o Senhor para sua casa (cf. Mt 9,9), já dando mostras de sua resposta afirmativa ao chamado de Jesus. Quando nos fica claro que a vocação que se desvela diante de nós vêm de Deus é muito difícil resisti-la, pois é como se fizesse parte de nossa “natureza pessoal”, algo que de fato é explicado pela realização e felicidade pessoal que somente serão alcançadas quando se vive naquela vocação a que é chamado.

Jesus não desconsiderava a vida que Mateus levara até então, mas por mais que Mateus não tivesse nenhuma piedade ou fosse alguém totalmente ignorante na fé, Jesus chamaria do mesmo modo, pois Ele chama e educa, capacita, nas palavras do evangelho. Mateus pode andar junto de Jesus, escutá-lo e presenciar grandes obras do Mestre, prodígios que aos poucos foram lhe abrindo ainda mais os olhos, a mente e o coração. Deste modo Mateus, antes chamado de Levi, era capacitado pelo Senhor para ser Seu apóstolo, Seu discípulo, Sua testemunha no mundo.

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