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A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

Santa Rosa de Lima, Virgem

2Cor 10,17 – 11,2 Mt 13,44-46

Pe. Valderi da Silva

Neste dia os cristãos possuem mais um motivo para se alegrar, de modo especial nós aqui, na América Latina, pois lembramos hoje daquela flor límpida e perfumada “com o suave odor de Cristo” que se enamorou de Deus e por Ele viveu até conseguir Dele o tão esperada ingresso em Seu Reino. Viveu no Peru, no século XVII e foi tomada como Padroeira da América Latina.Santa Rosa de Lima

Estamos lembrando de Santa Rosa de Lima, a rosa mais perfeita destas terras. Nela, foi plantada a semente da santidade entre estes povos, pois foi a primeira a ser reconhecida oficialmente como heroica em suas virtudes e prodigiosa em sua intercessão, no ano de 1671 pelo papa Clemente IX. Ela nunca ingressou num convento, porém, “viveu de acordo com a mais estrita perfeição religiosa, em oração e em penitências contínuas. Recebeu Graças místicas extraordinárias. Foi perseguida pelo demônio mas, em contrapartida, tinha frequentes conversações com Nossa senhora e com seu Anjo da Guarda” (Blog VALDERI. Santa Rosa de Lima, Virgem. 23/08/2010). Como é comum numa vida de santidade, não deixava nada lhe abalar, prova disto foi quando seu pai perdeu toda a fortuna e se viu obrigada a trabalhar de doméstica, porém, sempre alimentava esta certeza: "Se os homens soubessem o que é viver em graça, não se assustariam com nenhum sofrimento e padeceriam de bom grado qualquer pena, porque a graça é fruto da paciência" (Santa Rosa de Lima. Santa Rosa de Lima e sua história). Nesta frase de Rosa, encontramos sua compreensão plena das palavras que de Cristo ouvimos neste evangelho: “O Reino dos céus é como um tesouro escondido no campo. Um homem o encontra... vende todos os seus bens e compra aquele campo” (Mt 13,44). Nela podemos exemplificar estas palavras do Senhor, pois é exatamente o que faz uma vida que conseguiu encontrar este tesouro, se desfaz de tudo o que possui, se desfaz de tudo que a modula como ser humano a imagem do mundo que a rodeia, permitindo que adquira para sempre aquele tesouro que encontrou. E por quê? Porque percebeu que nada se compara em valor ao que encontrou.

Muitos homens e mulheres nestes séculos de cristianismo puderam encontrar este tesouro e se agarrar nele com todo a força de sua alma e corpo. Mas sabemos o que é este tesouro? Não se pode falar adequadamente, mas podemos sim se aproximar de sua definição, ao dizer como Rosa de Lima “se os homens soubessem o que é viver em graça...”. A vida na graça de Deus é parte deste “tesouro” eterno, em realidade é o que podemos encontrar aqui, neste mundo, pois ele se completará no Reino dos Céus junto de Deus. Viver nesta Graça é participar antecipadamente de alguma parte do gozo eterno é viver já na terra a incorruptibilidade que somente encontramos no Céu. Não fica difícil percebermos o porque que o pecado tenta mais aquele que esta em estado de graça, pois é justamente aquele que o Demônio não consegue corromper e que vê desdenhar perfeitamente suas insídias. Santa Rosa de Lima dizia uma frase como esta quando lhe ofereciam muitos presentes e quando apareciam algumas propostas de casamento: "O prazer e a felicidade que o mundo pode me oferecer são simplesmente uma sombra em comparação ao que sinto" (idem). É como uma alma que vive na Graça vê as coisas do mundo e tudo que ele pode oferecer. Devemos perceber nela a própria conduta de uma vida santa: vivia conforme os costumes de sua época, utilizando-se da boa educação recebida, convivia com as pessoas de sua família, estudou e trabalhou, mas sempre viu em tudo apenas momentos necessários em sua trajetória terrena, nunca depositou neles sua esperança e seu futuro, olhou para tudo e todos como quem olha para Deus, pois seu olhar estava somente Nele. “Quem se gloria, glorie-se no Senhor” (IICor 10,17), nos diz São Paulo.

Nesta feliz comemoração, não esqueçamos que a feliz memória dos santos deve servir para alimentar em nós o desejo de ser santos como eles foram santos, de alcançar o perfeito amor a Deus que eles alcançaram, de compreender realidade de uma vida de santidade. Por isso, nos fixemos hoje em Santa Rosa de Lima, e por sua intercessão, peçamos a Deus que nos ilumine o caminho nem sempre fácil de nossas vidas para encontrarmos o mesmo tesouro que esta Rosa, perfumada de santidade, encontrou.

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