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A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

Quinta-feira – Ez 12,1-12 Mt 18,21 – 19,1

XIX Semana do Tempo Comum

Pe. Valderi da Silva

[Deus nos fala também de outros modos]

Na liturgia desta quinta-feira, continuamos a olhar para a profecia de Ezequiel, pois nela encontramos o profeta na sua missão de anunciar a Palavra de Deus ao povo de seu tempo, mas com isto, falar algo sensível a nós, cristãos deste tempo.

Ezequiel esta falando de mais uma deportação que o povo de Jerusalém sofrerá pelo domínio de alguma nação estrangeira. Deportação que sempre fez parte da vida de Israel, não felizmente, mas que na história da salvação serve para mostrar ao povo sua falta de confiança plena em Deus. Esta realidade de se ver obrigado a sair de sua terra para ir a outro lugar contra a própria vontade, é traduzida pelos profetas como consequência da pouca fidelidade do povo a Deus e da facilidade de cederem aos pecados. É por terem uma vontade muito fraca no esforço da busca constante pela retitude de vida diante de Deus que não conseguem uma permanência na fidelidade a Ele, fazendo que, por este motivo, haja uma permissão de Deus para que tais momentos trágicos aconteça a Seu povo.

Concretamente, Ezequiel tenta mostrar ao povo com certa encenação, o que ele pretende anunciar por inspiração de Deus. É por este motivo que se prepara como fosse viajar, com bagagens e vai até certo lugar e ali faz um buraco no muro para passar entre ele (cf. Ez 12,3-6). Tudo isto para mostrar a este povo rebelde o que deverá acontecer a eles, pois serão obrigados a fazer suas bagagens para a deportação, deverão viajar para outro lugar longe de sua terra e ingressar a força neste outro país como prisioneiros e exilados. Encontramos aqui a necessidade de Deus em anunciar Sua mensagem de outras formas dependendo da realidade do povo, a estes de cabeça rebelde precisou se manifestar mais do que com palavras, mas com gestos, para mostrar uma possível realidade futura.

Notamos, portanto, a necessidade da permanência fiel a Deus, para que tais tragédias nunca venham sobre nós como povo de Deus. E também, que devemos perceber que Deus não se manifesta somente através da escuta de Sua Palavra, mas também por gestos e eventos de nosso dia a dia, coisas muitas vezes corriqueiras, mas que podem ser um sinal de Deus a nos chamar a atenção.

[Amar para perdoar]

Nas palavras de Cristo neste evangelho encontramos a resposta a questão levantada por Pedro: Senhor, quantas vezes devo perdoar, se meu irmão pecar contra mim? (Mt 18,21). Logo percebemos o que Jesus quer deixar claro a Pedro e a seus discípulos, o perdão não é medido, por isso, não é contabilizado como se estivéssemos fazendo uma poupança de “perdões”. O perdão nasce da capacidade de amar, quanto mais se ama, mais se perdoa. Em realidade, o amor é a causa do perdão. Pensando em Deus, fonte e origem de todo perdão, percebemos claramente isso, pois Ele somente nos perdoa porque seu amor por nós é ilimitado.

Na estória contada por Jesus para ilustrar o que acabará de responder a Pedro, encontramos nitidamente esta necessidade do amor para perdoar. O patrão sente compaixão diante do pedido daquele empregado que lhe devia uma grande quantia e assim perdoa-lhe a dívida. A compaixão – cum passio – é o ato de sentir a mesma dor que o outro, neste caso do evangelho, sentir a angústia pela impossibilidade de pagar a dívida naquele momento e juntamente com isso a humilhação de recorrer, sem receio de parecer ridículo, ao coração daquele a quem se devia. Em resumo é algo somente possível a quem ama, pois é o amor que nos faz ver e dar importância a estes gestos humanos e seu sofrimento.

Para corroborar isto, Jesus nos apresenta o contrário da compaixão do patrão, quando o empregado que teve sua dívida perdoada não usou desta compaixão para com seu colega (cf. Mt 18,28-30). Na verdade, este mau empregado não era capaz de se compadecer como seu patrão, pois lhe faltava amor, origem do perdão.

O patrão nesta estória de Jesus facilmente pode ser considerado como o próprio Deus, que ouve nossos pedidos de perdão pelas “dívidas” que com Ele temos, mas que vendo nossa dor por elas e o real arrependimento, dá-nos Seu perdão. Nisto Ele nos adverte como o patrão ao empregado mau: não devias tu, ter compaixão do teu [irmão] assim como eu tive compaixão de ti? (Mt 18,33).

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