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A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

Sábado – Jr 7,1-11 Mt 13,24-30

XVI Semana do Tempo Comum

[Sobre Mt 13,24-30*]

Hoje consideramos uma parábola como uma ocasião para referir-nos à vida da comunidade onde se misturam, continuamente, o bem e o mal, o Evangelho e o pecado. A atitude lógica seria acabar com esta situação, tal como o pretendem os servos: O dono respondeu: ‘Foi algum inimigo que fez isso’. Os servos perguntaram ao dono: ‘Queres que vamos retirar o joio? (Mt 13,28). Mas a paciência de Deus é infinita, espera até o último momento — como um pai bom— a possibilidade de mudança: Deixai crescer um e outro até a colheita (Mt 13,30). Joio e trigo

Uma realidade ambígua e medíocre, mas nela cresce o Reino. Trata-se de sentir-nos chamados a descobrir os sinais do Reino de Deus para potencializá-lo. E, por outro lado, não favorecer nada que ajude a contentar-nos na mediocridade. No entanto, o fato de viver em uma mescla de bem e de mal não deve impedir o progresso em nossa vida espiritual; o contrário seria converter nosso trigo em intriga. Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde veio então o joio? (Mt 13,27). É impossível crescer de outro modo, nem podemos procurar o Reino em nenhum outro lugar, senão nesta sociedade em que vivemos. Nossa tarefa será fazer com que nasça o Reino de Deus.

O Evangelho nos chama a não acreditar nos “puros”, a superar os aspectos de puritanismo e de intolerância que possam existir na comunidade cristã. Facilmente ocorrem atitudes deste tipo em todas as coletividades, por mais sadias que tentem ser. Em frente a um ideal, temos todos a tentação de pensar que alguns já o alcançamos e que outros estão longe. Jesus constata que todos estamos no caminho, absolutamente todos.

Vigiemos para que o maligno não se introduza em nossas vidas, coisa que ocorre quando nos acomodamos ao mundo. Dizia Santa Ângela da Cruz que não devemos dar ouvidos às vozes do mundo, de que em todos os lugares se faz isto ou aquilo; nós sempre fazemos o mesmo, sem inventar variações, e seguindo a maneira de fazer as coisas, que são um tesouro escondido; são as que nos abrirão as portas do céu.

Que a Santíssima Virgem Maria nos conceda acomodar-nos somente ao amor.

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*Rev. D. Manuel SÁNCHEZ Sánchez (Sevilla, Espanha)

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