Pular para o conteúdo principal

≡≡ LEITURA RECOMENDADA

A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

Sexta-feira – Sb 2,1a.12-22 Jo 7,1-2.10.25-30

IV Semana da Quaresma

Pe. Valderi

Armemos ciladas ao justo, porque sua presença nos incomoda... (v.12). Este é o pensamento daquele que vive no pecado e gosta de viver assim, num mundo de permissividade onde não vê limites para seu bel prazer. Quando encontra alguém que lhe mostra os limites que deveria respeitar sente-se ameaçado e procura tirar esta pessoa de sua convivência. É assim que eliminamos a Deus de nossas vidas quando sentimos mais amor ao “doce pecado” do que a Deus. De fato, o pecador persistente se incomoda tanto com a palavra de Deus que orienta e ensina o que é o pecado e o mal que ele faz, que o simples fato de ouvir alguém falar Dele já é o suficiente para se instalar um mal-estar em seu espírito. A estes, que não conseguem nem se aproximar de uma igreja digo: ousem aproximar-se de Deus, atrevam-se a abrir os olhos da alma para esta realidade de amor que pensam lhe incomodar tanto. Lhes garanto que iram descobrir uma vida nova, completamente diferente da que imaginam.

Esta leitura do livro da Sabedoria é como um preâmbulo do que passou Nosso Senhor antes de sua morte na cruz. O pecado se instalou de forma tão arraigada e dissimulada em alguns daquele povo contemporâneo a Jesus que não os deixava ver Nele o Messias que esperavam, mas se sentiam incomodados com sua presença pelo fato de Jesus falar-lhes da necessidade da conversão, pois falava abertamente da vida hipócrita que alguns viviam. Em realidade, Jesus trilhava um caminho imutável (cf. Sb 2,15), e isto fazia com que aqueles que deveriam orientar o povo e que Jesus censurava estivem em um caminho diferente de Deus.

Proclama feliz a sorte final dos justos e gloria-se de ter a Deus por Pai... (v.16). Jesus declara feliz o justo, pois este têm lugar reservado na Ceia do Senhor. A recompensa pela vida esforçada, que procura sempre fugir do pecado e estar em constante contato com Deus através da oração, da Santa Missa e dos sacramentos, dão a possibilidade para este alcançar esta bem-aventurança.

Jesus responde a quem deseja lhe desautorizar, o que me enviou é fidedigno. A esse, não o conheceis, mas eu o conheço... (v.28b-29a). A divindade de Cristo é o centro da negação de muitos, mas nós sabemos e cremos que Ele é Filho de Deus, o próprio Deus encarnado, por isso não nos é permitido esquivar-se ou maliciosamente teorizar sobre suas palavras. Cada vírgula pronunciada pela boca de Cristo é caminho para a vida eterna, e isto nos convida sempre a reconciliação para limparmos o possíveis pecados em nós que nos atrapalham a seguir este caminho.

Comentários

Publicação mais visitada do site no último ano:

Carta de um leigo a Dom Benedito Beni dos Santos a respetio da “Missa Sertaneja” celebrada pela Comunidade Canção Nova