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A agonia de um filósofo

 Agonizar nada mais é que sentir em si mesmo, no seu corpo e na sua mente, as dores de algo inevitável que na maioria das vezes não fora desejado. Costumamos lembrar dos agonizantes nos hospitais que diante da doença que lacera seus órgãos sente as "dores da agonia", um prefácio do suspiro final. Não é diferente pensar da mais famosa das agonias já conhecida pelos homens, a agonia de Jesus Cristo no Horto das Oliveiras, também uma antessala do consumatum est numa cruz entre dois ladrões. Uma agonia não necessariamente encerra-se com a morte, com o suspiro final desta existência terrena. Sofremos de agonias que podem dilacerar nossa mente e nosso espírito diante de muitas outras situações que se apresentam em nossas vidas. E aqui gostaria de trazer à mente uma agonia tão antiga, tanto quanto a do próprio Jesus Cristo, que alguns seres humanos sofrem silenciosamente, mas experimentam uma dor horrível, não no corpo físico, nos órgãos, mas na mente, na consciência. A agonia de um

Quantas vidas vivemos?

Esta pergunta está em nossas cabeças desde o início da civilização. A vida acaba com a morte? Passamos para um outro plano? Voltamos de novo ao planeta Terra? Em meu novo livro, O Aleph, descrevo minha experiência pessoal a respeito de um assunto muito delicado: reencarnação.
Em primeiro lugar, precisamos deixar de lado a idéia de que o tempo pode ser medido: não pode. Criamos uma convenção que é absolutamente necessária para que a sociedade funcione - caso contrário jamais chegaríamos a tempo de pegar um trem ou o bolo terminaria queimando no fogão. Também somos obrigados a criar uma realidade visível em torno de nós, ou a raça humana jamais teria sobrevivido aos predadores. Inventamos algo chamado "memória", como existe em um computador. A memória serve para nos proteger do perigo, permitir que possamos viver em sociedade, encontrar alimento, crescer, transferir para a próxima geração tudo que aprendemos. Mas não é a vida em si. O tempo não passa; ele é apenas o momento presente. Aqui, neste momento em que escrevo, está o meu primeiro beijo e o som do piano que minha mãe tocava enquanto eu brincava na sala. Eu sou tudo o que fui, e tudo o que serei. Como nada tem um começo e um fim - a eternidade é o presente -estou vivendo tudo que passou e tudo que acontecerá. Temos medo disso: desejamos, por exemplo, que o amor estacione naquele momento em que tudo está em perfeita ordem - mas isso é uma armadilha, já que o amor muda junto com o presente. Sou casado há 30 anos com a mesma mulher? Não. Ela mudou, eu mudei, nosso amor se transformou junto. Nada começou com o nascimento e nem terminará com a morte. Talvez vocês perguntem: onde estão aqueles que partiram? Nunca, absolutamente nunca perdemos nossos seres queridos. Eles nos acompanham porque não estão mortos. Imaginemos um trem: eu não posso ver o que tem no vagão que está na minha frente, mas ali tem gente viajando no mesmo tempo e no mesmo espaço que eu, que vocês, que todo mundo. O fato de não podermos falar com eles, saber o que está ocorrendo no outro vagão, é absolutamente irrelevante; eles estão lá. Assim, aquilo que chamamos "vida" é um trem com muitos vagões. Às vezes estamos em um, às vezes estamos em outro. Às vezes atravessamos de um para o outro - quando sonhamos, ou quando nos deixamos levar pelo extraordinário. Evidente que tudo isso pertence ao terreno do mistério. Mas quantas vezes já experimentamos aquela sensação conhecida como "dejà vu"? por uma fração de segundo (que procuramos esquecer rápido, já que não combina com nossa lógica convencional) temos certeza que já passamos por aquele lugar, situação, ou sentimento.Viajamos no tempo todas as noites. Fazemos isso de maneira inconsciente, quando sonhamos - vamos ao nosso passado recente ou remoto. Acordamos pensando que vivemos verdadeiros absurdos durante o sonho; não é assim. Estivemos em uma outra dimensão, em outras vidas que estamos simultaneamente experimentando, mas onde as coisas não acontecem exatamente como aqui. Quantas vidas já vivemos? Na verdade, a pergunta é diferente: quantas vidas estamos vivendo agora? Cabe a cada um de nós responder.

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