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Cooperatores veritatis

É verão e esta chovendo, aquelas típicas chuvas de verão, rápidas e de violência amena o suficiente para refrescar o ambiente. O calor excessivo não me anima a escrever, mas a chuva faz este trabalho de animação, e por isso estou aqui para escrever sobre um assunto ou ideia que estava engavetada com muitas outras. Quando falamos nos estudos acadêmicos em "buscar a verdade", "transmitir a verdade", "servir a verdade" ou mesmo em "obedecer a verdade" muitas vezes pressupõe-se a realidade VERDADE que pode-se simplesmente apresentá-la como Aristóteles, mas a verdade mesmo é uma PESSOA, e escrevo em caixa alta porque refiro-me a Deus mesmo, o Criador por excelência, fonte de toda a realidade existente. De fato, nada existe sem a consciência Divina que existe pensando em tudo e em todos, já que o seu esquecimento de alguma realidade significaria a inexistência desta realidade. Se você não chegou a esta certeza da dependência da realidade do pensamento

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O telefone e o dom

Paulo Coelho O guerreiro da luz não tem medo de parecer louco.

Ele fala em voz alta consigo mesmo, quando está sozinho. Alguém lhe ensinou que esta é a melhor maneira de se comunicar com os anjos, e ele arrisca o contacto.
No começo, nota como é difícil; pensa que nada tem a dizer, que vai ficar repetindo bobagens sem sentido.
Mesmo assim, o guerreiro insiste. Todo dia conversa com seu coração: diz coisas com as quais não concorda, fala bobagens. Um dia, percebe a mudança em sua voz, e entende que está canalizando uma sabedoria maior.
O guerreiro parece louco, mas isto é apenas um disfarce; ousou buscar junto a seu anjo as informações que precisava, conseguiu recebê-las.
Mas exceto por estas importantes conversas consigo mesmo, é importante lembrar que durante milênios o homem sempre falou com aquilo que conseguia ver. De repente, em apenas um século "ver" e o "falar" foram separados.
Por um objeto extremamente simples: o telefone.
Nós achamos que estamos acostumados com isto, e não percebemos o imenso impacto que isto causou em nossos reflexos. Nosso corpo e nossos sentidos simplesmente ainda não estão acostumados.
O resultado prático é que, quando falamos ao telefone, conseguimos entrar num estágio muito semelhante a certos transes mágicos. Nossa mente entra em outra freqüência, fica mais receptiva ao mundo invisível. Conheço pessoas ligadas a certas tradições mágicas que têm sempre papel e lápis junto ao telefone; ficam rabiscando coisas aparentemente sem sentido, enquanto falam com alguém. Quando desligam, as coisas que rabiscam são geralmente símbolos da Tradição da Lua - a mais clássica de todas, que usa os caminhos tradicionais para a busca do conhecimento.
Quando começamos o caminho, sempre temos uma idéia mais ou menos definida do que pretendemos encontrar. As mulheres geralmente buscam a Outra Parte, o amor que deve encontrar sob a terra, enquanto os homens procuram o Poder. Tanto uns como outros não querem aprender: querem chegar até aquilo que estabeleceram como meta.
Mas o caminho da magia -como, em geral, o caminho da vida - é o caminho do Mistério. Aprender uma coisa significa entrar em contato com um mundo do qual não se tem a menor idéia. É preciso ser humilde para aprender.
Reparem nos olhos das pessoas que estavam falando ao telefone. São sempre olhos muito interessantes.
E já que estamos falando de desenhos vindos diretamente de um lugar de nossa alma que não conhecemos, é sempre bom lembrar-se da história a seguir - ou terminaremos exagerando na busca de significados.
Um grande sábio sufi passou anos meditando sobre a vida. Para dividir seu conhecimento, fez um desenho numa folha de papel, e mostrou aos seus discípulos.
Os seguidores do sábio sufi ficaram tão impressionados com a beleza do trabalho, que mandaram imprimir o desenho numa placa de bronze. Logo a notícia se espalhou, e começaram a vir peregrinos do mundo inteiro, para decifrar cada linha do desenho. Em poucos anos, as pessoas passaram a adorar a placa de bronze, como se fosse sagrada.
- O desenho era apenas uma explicação, e não um objeto de culto! - disse o sábio, decepcionado.
Imediatamente mandou fundir a placa, e transformou-a em um caldeirão.
- Pelo menos, desta maneira o bronze ainda continua belo, e não perde o seu significado.

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