Pular para o conteúdo principal

POSTAGEM EM DESTAQUE:

Igreja que não converte mais ninguém

Que existe uma profunda e evidente crise dentro da Igreja Católica a grande maioria dos seres racionais já conseguiu perceber. O que para muitos destes é ainda obscuro é a raiz disso e a postura que se deve tomar para ajudar a sanar tal crise. Não é simples ou fácil elucidar isso, eu mesmo não o posso fazer, mas aproximações reais a esta crise e a posição a qual devemos ter são possíveis e reais diante de um honesto esforço. Ouso dizer que, mesmo Joseph Ratzinger, que na minha opinião é o maior teólogo vivo, não conseguiu ou não quis apresentar o panorama real e profundo desta crise e sua raiz que esta mais atrás do que muita gente pensa. Hoje o esforço analítico é deveras enorme, pois muitos que poderiam já terem apresentado trabalhos sobre isso, aparentemente resolveram calar-se ou mesmo guardar para si, por medo ou intimidações variadas, suas análises sobre este tema. É grande o trabalho de compreensão e de inúmeras influências e inúmeras consequências de tudo o que nos fez chegar a

Quarta palavra: sofrimento

Continuo aqui a série de sete palavras que considero relevantes para o momento atual, e pedi aos meus leitores que escrevessem sobre elas em meu blog.

Debbie: quando meu amado morreu em um acidente de carro, escrevi o seguinte: você me deu uma parte sua que eu sei que jamais poderia possuir. Você me deu a terra, e plantou a semente; deste seu gesto, eu renasci. Você, portanto, me deu parte de mim mesma.

Marie: para aceitar a palavra “sofrimento”, eu preciso substituí-la por “entendimento”. Peço a Deus que me faça compreender os meus momentos difíceis, porque só assim consigo acreditar que tudo nesta vida tem uma razão.

Sarah: sofrimento! É aquilo que sentimos quando perdemos alguém precioso para nós. Queremos gritar, mas o som não sai. Olhamos em volta, e nada nos alegra. Continuamos a rir, mas nunca mais poderemos dar gargalhadas.

Carmen Larissa: quando sofremos, caímos na armadilha da própria dor. Passamos a acreditar que merecemos isso, que Deus nos esqueceu. Nos sentimos solitários e confusos. Mas com o tempo as feridas cicatrizam, a vida continua e, de repente, nossos olhos tornam a se abrir. O que vemos? Deus nos esperando, pacientemente.

Driss: meu pai era analfabeto, jamais foi a uma escola ou a uma mesquita. Trabalhava como pedreiro e dizia que Deus estava em tudo, portanto por que sofrer? Uma vez eu perguntei por que não rezava. Me respondeu: eu procuro agradar ao Senhor todos os dias, não preciso disso. Sofri muito quando morreu, mas me deixou a lição mais importante de todas: viva a sua vida, deixe que os outros vivam as deles.

Siddartha Baral: quando você não fica pensando o tempo todo em si mesmo, e deixa o rio da vida fluir, não existe dor. Entretanto, quando começa a questionar cada coisa, passa a achar que nada faz sentido: isso é sofrimento.

Violet: hoje conversei com uma colega de trabalho que perdeu a mãe recentemente. Eu a tenho visto no escritório, procurando comportar-se como uma “pessoa normal”, enquanto os meus amigos procuram fingir que nada sabem do que se passou. Quis saber como ela se sentia, e respondeu: sozinha. Tem seus amigos, tem sua família, mas este tipo de sofrimento não pode ser dividido com ninguém.

Sarah: o único sentido da vida é lutar pelo destino escolhido. E isso nos leva a lugares tenebrosos, onde existe medo e existe dor. Quando tenho que enfrentar estas dificuldades, quando estou muito assustada, procuro ficar sozinha. Tento me lembrar de cada momento no passado, quando senti a mesma coisa. E isso me ajuda - porque sei que já vivi, e já sobrevivi.

Charlie: lutamos como desesperados, fazemos o melhor que podemos, às vezes confiantes, às vezes cegos pelo entusiasmo. E, apesar de tudo, sofremos. Mas basta prestar atenção ao que está ao nosso lado e uma simples palavra pode mudar por completo nosso estado de espírito. Responder a outras pessoas neste blog me fez entender melhor minhas próprias dores, porque somos todos iguais diante da tragédia.

Joumana: sempre procurei escapar do sofrimento, e por causa disso não vivi inteiramente minha vida. Depois de muitos anos entendi que era inútil; a dor sempre me encontrava nos lugares onde eu estava escondida. Hoje em dia procuro viver mais intensamente, e quando ela chega, já sei que irá embora, portanto só me resta ter paciência.

Paulo Coelho: eu estava em uma feira de livros em Denver, Colorado, no ano de 1993. Telefonei para minha mãe, que sofria do mal de Alzheimer. Conversamos um pouco e eu disse algo que nem sempre costumava dizer: “Te amo”. Três dias depois, em Toronto, soube pelo meu cunhado que ela havia falecido. Sofri, é claro. Mas fico contente em saber que as últimas palavras que lhe disse foram palavras de amor.

(na próxima semana: conselhos)

Comentários

Publicação mais visitada do site no último ano:

Objetos de Devoção