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O conservador na guerra hermenêutica

Contra tudo o que pode parecer comum no mundo atual, o conservador não deixa-se levar pelas pressões sociais e grupais, que muitas vezes cobram altos preços pela aquesciencia ou pelo enfrentamento de ideias e posturas sem nenhum fundamento na realidade, sem nenhuma obediência a natureza mesmo das coisas criadas e sustentadas pelo Criador.  Claro que a imensa maioria destas ideias e posturas que pressionam o conservador originam-se de mentes negadoras da existência de Deus ou negam sua fundamental influência no mundo e na história, o que faz com  estas ideias e posturas já desenvolvam-se alienadas da ideia de um criador e sustentador da existência em seu ser. Esse pressuposto já traz um bom motivo para que o conservador desconfie de qualquer "boa ação" ou "boa intenção" que possa ser apresentada a ele, sendo patrocinada e impulsionada por quem pressupostamente desconsidera o fundamento da realidade existente. Já escrevi aqui sobre a fundamental insistência da mente

Quarta virtude cardinal: sabedoria

Segundo o dicionário: s.f., conhecimento profundo das coisas, natural ou adquirido; erudição; retidão.

Segundo o Novo Testamento: a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens. Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes (Corintios 1: 25-27).

Segundo o Islã: Um sábio chegou à vila de Akbar e as pessoas não deram muita importância. Exceto um pequeno grupo de jovens, o sábio não conseguiu interessar mais ninguém; pelo contrário, tornou-se motivo de ironia dos habitantes da cidade. Um dia, passeava com alguns de seus discípulos pela rua principal, quando um grupo de homens e mulheres começou a insultá-lo. O sábio foi até eles, e abençoou-os.

Ao sair dali, um dos discípulos comentou: “eles dizem coisas horríveis, e o senhor responde com belas palavras”.

E o sábio respondeu: “cada um de nós só pode oferecer o que tem”.

Segundo a tradição hassídica (judaica): Quando Moisés subiu aos céus para escrever determinada parte da Bíblia, o Todo-Poderoso pediu que colocasse pequenas coroas em algumas letras da Torah. Moisés disse: “Mestre do Universo, por que colocar estas coroas?” Deus respondeu: “Porque daqui a cem gerações um homem chamado Akiva irá interpretá-las”.

“Mostre-me a interpretação deste homem”, pediu Moisés.

O Senhor levou-o ao futuro, e colocou-o numa das aulas do rabino Akiva. Um aluno perguntava: “Rabino, por que estas coroas desenhadas em cima de algumas letras?”

“Não sei”, respondeu Akiva. “E estou certo que nem Moisés sabia. Ele fez isto apenas para nos ensinar que, mesmo sem compreender tudo que o Senhor faz, ainda assim podemos confiar em sua sabedoria.”

No reino animal: A centopéia resolveu perguntar ao sábio da floresta, um macaco, qual o melhor remédio para a dor em suas pernas.

“Isto é reumatismo”, disse o macaco. “Você tem pernas demais”.

“E como faço para ter apenas duas pernas?”

“Não me amole com detalhes”, respondeu o macaco. “Um sábio apenas dá o melhor conselho; você que resolva o problema”.

Uma cena que presenciei em 1997: um aprendiz de ocultismo que conheço, na esperança de impressionar bem o seu mestre, leu alguns manuais de magia e resolveu comprar os materiais indicados nos textos. Com muita dificuldade, conseguiu determinado tipo de incenso, alguns talismãs, uma estrutura de madeira com caracteres sagrados escritos numa ordem estabelecida. Quando tomávamos café da manhã juntos com seu mestre, este comentou:

- Você acredita que, enrolando fios de computador no pescoço, conseguirá a eficiência da máquina? Acredita que, ao comprar chapéus e roupas sofisticadas, vai adquirir também o bom-gosto e a sofisticação de que as criou?

“Os objetos podem ser seus aliados, mas não contém qualquer tipo de sabedoria. Pratique primeiro a devoção e a disciplina, e tudo o mais lhe será acrescentado.”

Diante de Alexandre: o filósofo grego Anaximenes (400 a.C.) aproximou-se de Alexandre, o Grande, para tentar salvar sua cidade.

“Recebi-o porque sei que é um sábio. Mas tem minha palavra de rei que jamais aceitarei o que veio me pedir”, disse o poderoso guerreiro diante de seus generais.

“Vim apenas pedir que destrua minha cidade”, respondeu Anaximenes. E, desta maneira, a cidade foi salva.

(próxima semana: Justiça)

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