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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

O conservador na guerra hermenêutica

Contra tudo o que pode parecer comum no mundo atual, o conservador não deixa-se levar pelas pressões sociais e grupais, que muitas vezes cobram altos preços pela aquesciencia ou pelo enfrentamento de ideias e posturas sem nenhum fundamento na realidade, sem nenhuma obediência a natureza mesmo das coisas criadas e sustentadas pelo Criador.  Claro que a imensa maioria destas ideias e posturas que pressionam o conservador originam-se de mentes negadoras da existência de Deus ou negam sua fundamental influência no mundo e na história, o que faz com  estas ideias e posturas já desenvolvam-se alienadas da ideia de um criador e sustentador da existência em seu ser. Esse pressuposto já traz um bom motivo para que o conservador desconfie de qualquer "boa ação" ou "boa intenção" que possa ser apresentada a ele, sendo patrocinada e impulsionada por quem pressupostamente desconsidera o fundamento da realidade existente. Já escrevi aqui sobre a fundamental insistência da mente

Os monges de Alexandria


Mais algumas histórias dos padres que viviam nos arredores do monastério de Sceta, em Alexandria, no Egito, logo no início da era cristã. Estas histórias foram coletadas no “Verba Seniorum” (A palavra dos mais velhos) e sobreviveram ao tempo e às perseguições, mostrando que os valores humanos sempre terminam prevalecendo.

Use a minha boina

Durante cinco anos, o abade João ensinou ao noviço tudo o que sabia. No final do aprendizado, o noviço retornou de sua caverna no deserto, e ambos resolveram tomar chá juntos, apreciando o pôr do sol. João estava contente, mas o discípulo parecia triste.

“Fiz tudo que me pediu, e não consigo ser como o senhor. Não aprendi nada.”

João foi até a sua cela, e voltou com uma boina parecida com as que os beduínos usavam.

“Coloque isso.”

“Não posso. É pequeno demais para mim”.

“Então diminua sua cabeça.”

“Isto é impossível!”

“Mais impossível é querer agir como eu ajo. Cada chapéu serve apenas para quem o comprou, cada caminho serve apenas para aquele que o percorre.”

Palavras ao vento

O abade Isaac de Tebas estava no pátio do mosteiro rezando, quando viu um dos monges cometer um pecado. Furioso, interrompeu sua oração, e condenou o pecador.

Naquela noite, foi impedido de voltar à sua cela por um anjo:

“Você condenou seu irmão, mas não disse que castigo devemos aplicar: as penas do inferno? Uma doença terrível ainda nesta vida? Alguns tormentos à sua família?”

Isaac ajoelhou-se e pediu perdão:

“Atirei as palavras no ar, e um anjo escutou-as. Eu pequei por falta de responsabilidade acom o que digo. Esquece minha ira, Senhor, e me faz ter mais cuidado ao julgar o meu próximo.”

Sobre as pequenas faltas

Um dos monges de Sceta disse ao abade Matoes:

“Minha língua vive me causando problemas. Quando estou no meio dos fiéis, não consigo me controlar - e termino condenando suas ações erradas.’’

O velho abade respondeu ao irmão aflito:

“Se você acha que não é capaz de controlar-se, largue o ensino e volte para o deserto. Mas não se iluda: escolher a solidão é uma fraqueza.”

“O que devo fazer?’ Insistiu o irmão.

“Admita alguns erros, para evitar a perniciosa sensação de superioridade. Os fortes são aqueles que entendem seus limites, e mesmo assim seguem adiante.”

Sobre a vingança

O mosteiro de Sceta assistiu, certa tarde, um monge ofender o outro. O superior do mosteiro, Abade Sisois, pediu ao monge ofendido que perdoasse seu agressor. “De jeito nenhum, respondeu o monge. “Ele fez, ele terá que pagar.’’

Na mesma hora, o abade Sisois levantou os braços para o céu e começou a rezar:

“Meu Jesus, não precisamos mais de Ti. Já somos capazes de fazer os agressores pagarem por suas ofensas. Já somos capazes de tomar a vingança em nossas mãos, e cuidar do Bem e do Mal. Portanto, o Senhor pode afastar-se de nós sem problemas.”

Envergonhado, o monge perdoou imediatamente seu irmão.

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