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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

O conservador na guerra hermenêutica

Contra tudo o que pode parecer comum no mundo atual, o conservador não deixa-se levar pelas pressões sociais e grupais, que muitas vezes cobram altos preços pela aquesciencia ou pelo enfrentamento de ideias e posturas sem nenhum fundamento na realidade, sem nenhuma obediência a natureza mesmo das coisas criadas e sustentadas pelo Criador.  Claro que a imensa maioria destas ideias e posturas que pressionam o conservador originam-se de mentes negadoras da existência de Deus ou negam sua fundamental influência no mundo e na história, o que faz com  estas ideias e posturas já desenvolvam-se alienadas da ideia de um criador e sustentador da existência em seu ser. Esse pressuposto já traz um bom motivo para que o conservador desconfie de qualquer "boa ação" ou "boa intenção" que possa ser apresentada a ele, sendo patrocinada e impulsionada por quem pressupostamente desconsidera o fundamento da realidade existente. Já escrevi aqui sobre a fundamental insistência da mente

Ítaca, ou o longo caminho de volta

Um dos grandes clássicos de literatura de todos os tempos, "A Odisséia", escrita por Homero, narra a volta do herói Ulisses até a ilha de Ítaca, onde sua esposa, Penélope, o espera há mais de uma década. Embora cortejada dia e noite por homens que afirmam terem visto seu marido morrer em combate durante a guerra de Tróia, ela não perde as esperanças; Ulisses passa por todo tipo de desafio, mas termina voltando ao lar.

Muitos séculos depois, um outro poeta grego, Konstantinos Kavafis, abordaria de maneira diferente este caminho de volta, criando uma das mais belas metáforas da jornada em busca de nossos sonhos. Enquanto na "Odisséia" o drama se concentra nas dificuldades de chegar, e no sofrimento da mulher amada, na poesia de Kavafis ele pede exatamente o oposto a Ulisses: que aproveite o caminho, e viva tudo o que precisar viver.

Aprendi este poema no Caminho de Santiago, em um momento em que estava louco para chegar a Compostela, e acabar logo com aquilo que me parecia ser uma absurda peregrinação.

Quando você partir, em direção a Ítaca,
que sua jornada seja longa
repleta de aventuras, plena de conhecimento.

Não tema Laestrigones e Cíclopes
nem o furioso Poseidon;
você não irá encontrá-los durante o caminho, se
o pensamento estiver elevado, se a emoção
jamais abandonar seu corpo e seu espírito.
Laestringones e Ciclopes, e o furioso Poseidon
não estarão em seu caminho
se você não carregá-los em sua alma,
se sua alma não os colocar diante de seus passos.

Espero que sua estrada seja longa.
Que sejam muitas as manhãs de verão,
e que o prazer de ver os primeiros portos
traga uma alegria nunca vista.
Procura visitar os empórios da Fenícia
e recolha o que há de melhor.
Vá as cidades do Egito,
e aprenda com um povo que tem tanto a ensinar.

Não perca Ítaca de vista,
pois chegar lá é o seu destino.
Mas não apresse os seus passos;
é melhor que a jornada demore muitos anos
e seu barco só ancore na ilha
quando você já estiver enriquecido
com o que conheceu no caminho.

Não espere que Ítaca lhe dê mais riquezas.
Ítaca já lhe deu uma bela viagem;
sem Ítaca, você jamais teria partido.
Ela já lhe deu tudo, e nada mais pode lhe dar.

Se, no final, você achar que Ítaca é pobre,
não pense que ela lhe enganou.
Porque você tornou-se um sábio,
e viveu uma vida intensa,
e este é o significado de Ítaca.

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