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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

O conservador na guerra hermenêutica

Contra tudo o que pode parecer comum no mundo atual, o conservador não deixa-se levar pelas pressões sociais e grupais, que muitas vezes cobram altos preços pela aquesciencia ou pelo enfrentamento de ideias e posturas sem nenhum fundamento na realidade, sem nenhuma obediência a natureza mesmo das coisas criadas e sustentadas pelo Criador.  Claro que a imensa maioria destas ideias e posturas que pressionam o conservador originam-se de mentes negadoras da existência de Deus ou negam sua fundamental influência no mundo e na história, o que faz com  estas ideias e posturas já desenvolvam-se alienadas da ideia de um criador e sustentador da existência em seu ser. Esse pressuposto já traz um bom motivo para que o conservador desconfie de qualquer "boa ação" ou "boa intenção" que possa ser apresentada a ele, sendo patrocinada e impulsionada por quem pressupostamente desconsidera o fundamento da realidade existente. Já escrevi aqui sobre a fundamental insistência da mente

Castañeda e o guerreiro implcável

Uma vez por ano reproduzo nesta coluna alguns textos de Carlos Castañeda. O antropólogo mexicano influiu de maneira decisiva na minha geração, e seu trabalho, algum dia, será reconhecido com a dignidade que merece. A seguir, partes adaptadas do seu primeiro livro, "Os ensinamentos de Don Juan" (publicado no Brasil com o estranho e absurdo título "A erva do diabo"), e de "Uma estranha realidade":

Nada importante neste mundo vem como um presente; o que se deve aprender durante a vida requer um imenso esforço. Um homem se dirige em busca do conhecimento com o mesmo espírito de um guerreiro que vai para uma batalha: bem desperto, com medo, com respeito, e com absoluta confiança. Quem não se comporta dessa maneira, corre o risco de não sobreviver. Mas quando ele cumpre esses quatro requisitos, e mesmo assim é derrotado, não irá lamentar-se, sabendo que agiu de maneira impecável e terá sempre uma próxima chance.

Cada vez que um homem se propõe a viver intensamente sua vida, mesmo sabendo do esforço que isso requer, deve ter em conta que - por mais terrível que seja o encontro consigo mesmo, é ainda mais terrível o desencontro com sua própria alma. Nesse caminho, ele irá encontrar gente que não compartilha de sua busca; ficar irritado com essas pessoas, significa dizer que os outros são capazes de interferir no destino de um guerreiro. Isso não pode acontecer, de jeito nenhum; o homem que busca o conhecimento tem compromisso apenas com o infinito, e nada mais.

Qualquer coisa é um caminho entre um milhão de caminhos. Portanto, um guerreiro sempre deve ter em conta que, se não está naquela trilha que deseja seguir, não pode permanecer ali sob nenhuma circunstância. Sua decisão de permanecer ou abandonar seu caminho deve sempre ser tomada sem medo ou ambição. Deve observar cada atitude sua, e se perguntar, obrigatoriamente: este caminho tem coração?

Todos os caminhos são iguais: não levam a nenhuma parte. Entretanto, um caminho sem coração não é agradável, e um caminho com coração é muito mais fácil de seguir; o guerreiro imediatamente se apaixona por ele, e se transforma em seus próprios passos.

Os feiticeiros do antigo México chamavam de "aliados" a certas forças inexplicáveis que atuavam sobre eles. Deram este nome porque pensaram que podiam servir-se de tais energias para sua própria satisfação, idéia que resultou fatal para muita gente, já que os tais "aliados" são seres sem energia corpórea, que convivem conosco no universo.

Perguntar qual a função dos aliados, é o mesmo que querer saber o que estamos fazendo aqui; ninguém tem uma resposta verdadeira, embora possamos arranjar milhões de justificativas. Estamos aqui, e isso é tudo. Os "aliados" estão aqui conosco, e possivelmente aqui estavam antes de nós.

Um guerreiro pensa em sua própria morte quando as coisas ficam confusas. Só este pensamento é capaz de temperar nosso espírito e nossa vontade.

O modo mais eficaz de viver é como um guerreiro; ele pode preocupar-se antes de tomar uma decisão, mas uma vez tendo eleito o que fará, vai até o final e não se preocupa com o que podia ter escolhido. Sempre haverá um milhão de decisões esperando por ele, e o guerreiro deve concentrar toda sua inteligência no que está acontecendo, e nunca no que podia ter acontecido.

Um guerreiro vive quando está agindo, e não quando está pensando em agir.

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