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≡≡ LEITURA RECOMENDADA

O conservador na guerra hermenêutica

Contra tudo o que pode parecer comum no mundo atual, o conservador não deixa-se levar pelas pressões sociais e grupais, que muitas vezes cobram altos preços pela aquesciencia ou pelo enfrentamento de ideias e posturas sem nenhum fundamento na realidade, sem nenhuma obediência a natureza mesmo das coisas criadas e sustentadas pelo Criador.  Claro que a imensa maioria destas ideias e posturas que pressionam o conservador originam-se de mentes negadoras da existência de Deus ou negam sua fundamental influência no mundo e na história, o que faz com  estas ideias e posturas já desenvolvam-se alienadas da ideia de um criador e sustentador da existência em seu ser. Esse pressuposto já traz um bom motivo para que o conservador desconfie de qualquer "boa ação" ou "boa intenção" que possa ser apresentada a ele, sendo patrocinada e impulsionada por quem pressupostamente desconsidera o fundamento da realidade existente. Já escrevi aqui sobre a fundamental insistência da mente

Duas histórias da Índia

Quando é preciso ser prático

A história seguinte é atribuída ao sábio Mohammed Gwath Shattari, um dos mais admirados pelo Imperador Humayun. Morreu em 1563, e existe um templo em sua homenagem em Gwalior.

Três viajantes cruzavam juntos as montanhas do Himalaia, discutindo a importância de colocar na prática tudo aquilo que aprenderam no plano espiritual. Estavam tão entretidos na conversa, que somente tarde da noite se deram conta que carregavam consigo apenas um pedaço de pão.

Resolveram não discutir sobre quem merecia comê-lo; como eram homens piedosos, deixariam a decisão nas mãos dos deuses. Rezaram para que, durante a noite, um espírito superior indicasse quem receberia o alimento.

Na manhã seguinte, os três se levantaram junto com o nascer do sol.

- Eis o meu sonho - disse o primeiro viajante. - Eu fui carregado para lugares onde antes nunca estive, e experimentei a paz e a harmonia que tenho buscado em vão nesta minha vida terrena. No meio de tal paraíso, um sábio de longas barbas me dizia: "Você é meu preferido, jamais buscou o prazer, sempre renunciou a tudo. Entretanto, para provar minha aliança contigo, gostaria que experimentasse um pedaço de pão".

- Muito estranho - disse o segundo viajante. - Porque, em meu sonho, eu vi o meu passado de santidade, e o meu futuro de mestre. Enquanto olhava o que está por vir, encontrei um homem de grande sabedoria, dizendo: "Você precisa comer mais que seus dois amigos, porque terá que liderar muita gente, e necessitará de força e energia".

Disse então o terceiro viajante:

- Em meu sonho eu não vi nada, não visitei lugar nenhum, não encontrei nenhum sábio. Entretanto, a determinada hora da noite, despertei de repente. E comi o pão.

Os outros dois ficaram furiosos:

- E porque não nos chamou antes de tomar essa decisão tão pessoal?

- Como poderia fazê-lo? Vocês estavam tão longe, encontrando mestres e tendo visões sagradas! Ontem discutimos a importância de se colocar em prática aquilo que aprendemos no plano espiritual. No meu caso, Deus agiu rápido, e me fez acordar morrendo de fome!

Pagando três vezes pela mesma coisa

Conta uma lenda da região do Punjab, que um ladrão entrou numa fazenda e roubou duzentas cebolas. Antes de conseguir fugir, foi preso pelo dono do lugar, que o levou diante do juiz.

O magistrado pronunciou a sentença: pagar dez moedas de ouro. Mas o homem alegou que era uma multa muito alta, e o juiz, então, resolveu oferecer-lhe mais duas alternativas: receber vinte chibatadas, ou comer as duzentas cebolas.

O ladrão resolveu comer as duzentas cebolas. Quando chegou na vigésima-quinta, seus olhos estavam inchados de tanto chorar, e o estômago queimava como o fogo do inferno. Como ainda faltavam 175, e viu que não aguentaria o castigo, pediu para receber as vinte chibatadas.

O juiz concordou. Quando o chicote bateu em suas costas pela décima vez, ele implorou para que parassem de castigá-lo, porque não suportava a dor. O pedido foi obedecido, mas o ladrão teve que pagar as dez moedas de ouro.

- Se você aceitasse a multa, teria evitado comer as cebolas, e não sofreria com o chicote - disse o juiz. - Mas preferiu o caminho mais difícil, sem entender que, quando se faz algo errado, é melhor pagar logo e esquecer o assunto.

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