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Clarissa

Como acontece frequentemente, pego-me pensando em como não li este livro antes na minha vida!
O livro Clarissa (Ed.Globo, Porto Alegre, 1979, 197 pgs.), do escritor Érico Veríssimo, traz uma esplendorosa homenagem ao simplesmente simples, honesto e sincero. São 31 capítulos de narração singela dos acontecimentos que se desenrolam na vida desta mocinha às vésperas de seus quatorze anos, idade em que seria considerada uma moça, deixando enfim a criancice para trás, algo que seria marcado com o simples, mas muito importante, consentimento da mãe em Clarissa usar sapatos de salto.

A protagonista vivia na cidade, longe de casa, pois precisa estudar e por isso sair do interior, deixando seus pais, e foi morar com sua tia na pensão que ela possuía e administrava com seu marido.

Neste ambiente, com os mesmos hóspedes que lá moravam já há algum tempo, Clarissa vive momentos importantes na vida, desde o sentimento aterrorizante da morte (quando morreu devida a doença, seu vizinho o menino Tonico), até os confusos sentimentos românticos, entre um homem e uma mulher (especialmente na traição flagrante de Belinha com o hóspede Nestor, e seu sentimento fantasioso com o médico que cuidou do Tonico, o qual imaginava como um príncipe).

Clarissa parece ser um sinal de daquilo que os homens e mulheres perdem com o passar dos anos, saindo da infância para a maturidade. O endurecimento emocional e a indiferença dos sentidos parecem denunciados pela beleza de Clarissa, que não deseja nada mais do que ser "uma boa menina", ou "uma boa amiga".

Talvez o autor, desejasse - consciente ou inconsciente - transparecer a própria infância da vida literária de um escritor, que no começo pode fazer florescer as virtudes mais belas e os sentimentos mais nobres e com o passar dos anos ou das obras, o endurecimento no vislumbre da humanidade se faz mais poderoso e saliente.

Enfim, o livro Clarissa é a segunda obra na vida de Érico Veríssimo, e como a primeira, vale muito a pena o tempo que a ela dedicamos.

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