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A relação de "Jesus" e "Cristo" como contribuição para o entendimento de comunicação divina [pt1]

PRIMEIRA PARTE

Não pode soar estranho a separação conceitual do nome Jesus da missão Cristo, afinal são termos que derivam da própria Sagrada Escritura e que portanto, devem permanecer como a origem nos remete. Jesus é o nome que o anjo revelou a José em sonho (Mt 1,21) que deveria ser colocado no menino que se gerava no ventre de Maria, a futura esposa de José. Um nome que não era estranho à cultura judaica de então, pois outros meninos antes de Jesus de Nazaré já haviam recebido este nome. Com o nome "Jesus" o Verbo Encarnado inseri-se nominalmente na sociedade humana, na sua cultura de relação por onde os nomes passam de modo decisivo, muitas vezes.

Cristo é uma missão, que no Antigo Testamento é revelada como sendo própria e exclusiva do enviado de Deus, o "portador da paz e da justiça" (Is 9,5-6; Mq 5,4). Esta palavra é de origem grega mas existe para traduzir o termo "ungido" que na verdade e mais precisamente, seria "ungido para". Podemos dizer que a palavra Cristo é a "abreviatura" da própria existência terrena do enviado de Deus, é como o resumo do porque e para que de sua vinda e permanência entre os homens. Messias é aquele que no Antigo Testamento expressa o enviado, e este é o ungido de Deus. Cristós é o Messias uma vez que não podemos dissociar a existência da missão ou tarefa ou exercício em Deus.

Por isso, desde o cristianismo antigo é importante a profissão em Jesus Cristo, pois é como professamos quem é e o que é o Jesus que nasceu de Maria, viveu entre nós, foi morto na cruz e ressuscitou ao terceiro dia.

Tendo dito isto, podemos nos aproximar de uma reflexão sobre o entendimento da segunda pessoa da Santíssima Trindade como comunicação divina, sempre tendo presente a ideia de Jesus que veio ao mundo para uma missão, ou seja, não veio apenas para existir, mas para relacionar-se e mais do que isso, comunicar-se.

A comunicação pode ser entendida como a própria manifestação de existência, afinal, todo ser vivo se comunica de alguma maneira, elevando esta atividade ao nível de necessidade existencial. De fato, é somente através da "animação" da matéria que um ente pode atualizar o vir a ser, o que nos chama a atenção para a imperialidade da comunicação na própria percepção da existência e consequentemente da realidade. Mas o que comunicar? Primeiramente se comunica a existência e num segundo momento comunica-se o que já foi processado internamente pelo ser, o que em Deus é instantâneo por conta de sua atemporalidade existencial. Ou seja, em Deus pensar, refletir e comunicar o resultado é a mesma coisa, o mesmo ato, diferente de seres temporais como nós. Por este motivo a comunicação divina não é somente revelação de sua existência, mas realização de sua vontade.

Jesus ao dizer "vim fazer a vontade Daquele que me enviou" (Jo 5,30) não esta temporalizando este processo de comunicação em Deus, mas devemos entender como "rebaixamento" terminológico para entendimento da comunicação divina. De fato, Jesus já é a vontade de Deus realizada, pois, conhecendo agora o evento paixão, morte e ressurreição, alguém duvidaria que a vontade de Deus não se cumpriria? Não poderia existir uma realidade em que a vontade de Deus não fosse cumprida em Jesus. Assim, seu pensar, refletir e comunicar foi ato no instante da encarnação. Tendo isto, parece-nos razoável aquelas imagens do menino Jesus com um crucifixo ou junto a uma cruz, elas não deixam de revelar esta atemporalidade do processo existencial em Deus.

(continua...)

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