XV Assembléia Geral Ordinária dos Bispos: O jovem, a fé e o discernimento vocacional

Nos dia 3 a 28 de outubro deste ano, aconteceu no Vaticano a XV Assembléia Geral Ordinária dos Bispos, com a presidência do Papa Francisco. Esta Assembléia contou com a presença de alguns jovens de diversos países, pois o tema era voltado especialmente para a realidade do jovem: "O jovem, a fé e o discernimento vocacional".

Antes de mais nada é preciso reafirmar que a Igreja sempre cuidou dos jovens, basta fazer um certo esforço de pesquisa para se dar conta de tanto da parte dos Papas e bispos, como da parte dos sacerdotes em suas paróquias, sempre a juventude foi assistida da maneira que as condições permitiam. Eu mesmo sou testemunha de que os sacerdotes nunca esquecem da juventude em qualquer elaboração de trabalhos evangelizadores. Mas com certeza este Sínodo não realizou-se por motivo de desconfiança no empenho de cuidar dos jovens.

De fato, o Sínodo quis tratar especialmente da fé e vocação destes jovens, de como estes trabalhos que já estão sendo feitos nas paróquias precisam vitalizar ainda mais estes assuntos.

No documento final, já publicado em italiano, fica claro a intenção de escutar mais para poder direcionar melhor. Claro que uma "Igreja em escuta" precisa considerar as dificuldades na comunicação entre as diversas gerações e é por isso que os próprios membros da Igreja precisam escutar muito mais para captar a realidade do que se passa na vida dos jovens. Mas o que se precisa entender melhor? O que se passa na mente e no coração. Sem pretensões divinas, os membros da Igreja que pretendem ajudar os jovens precisam escutá-los "cem vezes mais" para saber o que dizer a um jovem dividido entre a crença e a indiferença religiosa, entre ouvir o chamado de Deus e a busca do sucesso no mundo. Por isso é Sínodo associa no seu tema a fé e a vocação, pois o jovem necessita de compreensão na fé, direcionamento firme ao mesmo tempo que compreensivo para ser dócil ao chamado de Deus e deixar-se guiar por Sua vontade.

O documento final possui três partes, tendo cada parte quatro capítulos. Sem menosprezar os anteriores, que fazem eco a vários outros documentos e manifestações de Papa e bispos, queria ressaltar o último capítulo da III parte (157-164), pois esta trata da "Formação integral".

É precisamente esta formação integral do jovem, que na minha opinião, faz toda a diferença. Uma formação integral trata do jovem em sua mais variadas dimensões tendo como fonte a doutrina cristã baseada na Palavra de Deus. Tudo o que tratou o Sínodo tem seu vértice nesta tarefa de não deixar nada para trás quando se trata com os jovens, não deixar de tocar em todos os assuntos que estão presentes na vida destes jovens, pois para cada situação, para cada encruzilhada este jovem terá que possuir uma resposta e esta precisa ser baseada em princípios sólidos que só a Palavra de Deus pode oferecer.

No mundo todo se vê a discrepância na vida de muitos jovens, e um jovem sem fundamento, sem respostas com suporte é um gerador potencial de famílias destroçadas, além de um indivíduo problematizado na sociedade onde vive.

O discernimento vocacional passa essencialmente por esta formação integral do jovem, desde a mais tenra juventude. Sem formação nas variadas dimensões de sua vida, ficará cada vez mais difícil para estes jovens do mundo contemporâneo ouvirem a Deus, mesmo dentro da Igreja.
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