JESUS E A SAMARITANA

Faz algum tempo de minha última publicação acerca de algum livro que li. Hoje volto a falar nisso escrevendo sobre esta obra de Georges Chevrot (Editora Quadrante, 2013).

Esta perícope do encontro de Jesus com a mulher samaritana, da qual nem sabemos o nome, é exaustivamente perscrutada pelos escritores espirituais e com muita razão, pois este aparente encontro e diálogo causais nada têm de simplista ou apenas alegórico, pelo contrário nos traz detalhes do âmago da mensagem evangélica.

Falo de detalhes porque gostaria de destacar dois que nesta obra ficam mais evidentes: O começo de uma conversão e profundidade da mudança.

O começo de uma conversão
A samaritana não pode ser considerada uma pessoa atéia, e isto afirmo pelo que se lê no próprio Evangelho, quando ela mesmo lembra que o poço fora construído pelo "pai Jacó" e depois ao mencionar que a querela entre adorar a Deus aqui ou acolá. Não. A samaritana era uma pessoa que "não duvidava de Deus", e digo desta maneira porque ela se assemelha a tantas pessoas que encontramos em nossa vida que definem-se como "religiosas" por não duvidarem de Deus, mas eliminarem qualquer contato com alguma religião e especialmente se comprometer com alguma doutrina.

Mas se ela era uma crente em Deus, porque se diz que converteu-se? Ora, porque justamente era alguém que não levava a sério a pequena fé que tinha, pois fé mesmo pequena gera compromissos, gera disciplina e a ela Jesus expôs sua indisciplina, ou seja, sua vida pecaminosa, que ofendia a este Deus que ela sabia que existia e que também adorava a sua maneira.

É interessante observar isso, que depois de ser colocada diante de suas desobediências, de seus maus-feitos, a samaritana começa este processa de verdadeira conversão não somente à existência de Deus, mas também a realidade do comprometimento com aquilo que o criador e sustentador nos orienta como verdade fundamental da vida humana, ou seja, uma vida na Verdade.

Profundidade da mudança
Sabemos que toda conversão têm suas consequências, e a samaritana experimentou na sua estas consequências.

Ela saiu da presença de Jesus transformada interiormente, ainda sem tem certeza do que realmente aconteceu, mas com aquela mudança que realmente transforma o mundo dentro de si, ela ouvir o criador e decidiu atender ao que ele falava. Isso muda a vida real!

Ela foi até seu vilarejo e anunciou, pregou a todos os concidadãos que já a conheciam, que Jesus falou com ela, e mostrou com o tempo que tudo o que ele disse era "semente boa" que produz muito fruto. E isso revela a mudança profunda da samaritana, sua vida pós encontro com Cristo.

O autor desta obra coloca ao final do livro que certa tradição católica diz que a samaritana fora martirizada no tempo da perseguição de Nero ou Diocleciano, e esta somente confirma a vida nova que esta samaritana viveu após seu encontro pessoal e definitivo com Jesus Cristo.

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