Pollyana e o jogo do contente

O gênero novela faz parte da literatura universal, que facilmente se transpôs ao cinema/televisão. Aqui no Brasil jé teve seus anos áureos, ao que consta no passado, pois as chamadas "novelas" atuais estão longe de qualquer prêmio por qualidade formativa. Percebam que não estou falando da qualidade técnica, da qual não tenho como opinar, mas falo sim do conteúdo informativo e formativo do qual, este sim, posso e devo opinar.

Algumas vezes já escrevi aqui sobre temas de novelas, em sua grande maioria alertando para seu conteúdo inadequado ou mentiroso mesmo. No entanto, desta vez a coisa é diferente. Hoje escrevo para elogiar uma novela, especialmente pelo conteúdo que ela transmite para o telespectador.

No canal aberto SBT (Sistema Brasileiro de Televisão) esta sendo transmitido a novela "As Aventuras de Pollyana", uma adaptação da obra literária "Pollyana" de Eleanor H. Porter, publicado em 1913. E esta adaptação para a novela esta se saindo muito bem, mais do que o esperado!

O SBT não é conhecido nacionalmente como produtor de novelas, mas sua índole familiar esta presente em tudo o que apresenta em seus programas, o que leva muitos a definir esta canal como um "canal familiar", diferentemente da Rede Globo que se especializou em imoralidades que qualquer pai e mãe desorientam para seus filhos menores de idade.

Falando da novela "As Aventuras de Pollyana", quero destacar duas coisas que me moveram a escrever este artigo: o protagonismo da infância inocente, e a luta do bem viver contra o pessimismo mortal.

Nesta novela fica-nos claro o protagonismo das crianças em sua fase mais interessante, que é aquela chamada de fase inocente. Pollyana representa muito bem isso. Sua atitude muitas vezes tomada como "tontice", faz-nos lembrar da inocência que nunca deveríamos roubar das crianças por coisas tipo "kit gay", por exemplo. Duvido que nas demais novelas as crianças apresentem esta delicada "tonteria" que apresenta Pollyana e seus amigos, chocando-nos com aquilo que nós mesmos, talvez, tenhamos vivido em nosso tempo de criança. Este protagonismo faz com que o telespectador preste atenção nas atitudes e discursos, mesmo os monólogos, das crianças, e isto traz-nos para a reflexão que muitas vezes carece dos conceitos já absorvidos por nós, "sábios" adultos. E é justamente isso que acredito ser o mais interessante e importante neste protagonismo: a exigência de nós por retomarmos raciocínios anteriores aos conceitos hora absorvidos talvez de maneira apenas fotográfica, sem o caminho necessário da lógica.

Refletir no que Pollyana e os seus amigos fazem e dizem, pode realmente mudar nosso atual modo de pensar, mesmo sabendo que eles não falam nenhuma novidade ou fazem algum revelação antes encoberta. De fato, o que se ouve destas crianças são coisas como "somos só amigos...", "a vida é repleta de amor...", "devemos sempre ajudar os outros...", etc. Frases mergulhadas no próprio discurso evangélico de Nosso Senhor. Mas esta novela não é uma pregação, mas um choque de realidade na vida dos adultos.

E aqui destaco este segundo ponto, uma verdadeira luta entre o bem viver e o pessimismo mortal. Para mim fica claro este ponto no "jogo do contente", revelado aos personagens da novela pela Pollyana, algo que ela aprendeu com seus pais. O jogo, que consiste em apenas encontrar o lado bom e positivo de qualquer situação que aparentemente se mostre adversa para nós, revela uma maneira criativa do ser humano em lutar contra a tendência de cair num pessimismo mortal, aquele que nos atola ainda mais nos problemas, pequenos ou grandes.

Desta forma, a todo instante trava-se uma batalha entre os personagens na novela diante de seus problemas pessoais, desde financeiros até amorosos. Para qualquer situação, é válido o "jogo do contente", que nos faz pensar sobre nós e a real necessidade de dar ou não grandeza aos fatos e circunstâncias desagradáveis em nossas vidas.

Enfim, poucas vezes recomendei um programa de TV, e acredito que nenhuma vez havia recomendado uma novela. Pois hoje recomendo "As aventuras de Pollyana" para adultos, adolescentes e crianças.

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