sábado, 27 de janeiro de 2018

Limbo: Céu da Inocência

Depois de vermos muita propaganda a favor e também muita produção contra o aborto, vale a pena refletir sobre mais este aspecto, que antecipo, subtende a crença, subtende a fé.

Diz a Igreja Católica em seu Magistério que as crianças que morrem sem receber o sacramento do Batismo, não ingressam diretamente no Céu, mas também não caem na condenação eterna, muito menos se colocam no chamado Purgatório, pois não teriam do que se purificar, pois morrem antes de cometer algo que lhes imputem alguma pena. O que fica-lhes é a herança do pecado original, e por este motivo não poderiam ingressar no Céu.

No entanto, sempre houve a opinião teológica sobre este estado eterno onde as crianças sem batismo se colocam, ou seja, o chamado "limbo". Deixo-lhes este trecho de uma revelação particular:
Mostrou-me então uma chuva densa de almas que subiam numa espécie de claridade muito doce. E eu compreendi que eram as centenas de milhares de nascituros voluntariamente mortos no seio de suas mães. E esses pequenos não vão para o Céu, mas para o lugar tradicionalmente chamado limbo, onde há uma forma de felicidade que, no entanto, não é a visão beatífica. É para o limbo que vão os que não conheceram a vida fora do seio materno como também os que morreram sem terem sido batizados. o limbo é como o Céu da Inocência, onde todas essas pequenas almas, sem o saberem, gozam de uma felicidade limitada. Penso que no fim dos tempos o limbo será integrado no Céu. Todos esses seres cantarão a glória de Deus por terem recebido a vida e, por isso, participarem da Vida, que é dom de Deus. (O Purgatório. Ed. Quadrante, pg. 52-53).
O limbo não é uma doutrina oficial do Magistério da Igreja. Muitos teólogos admitem o limbo e até apresentam estudos convincentes sobre o tema, Mas mesmo tendo estes estudos particulares e o depoimento de alguns personagens históricos da vida da Igreja, o limbo é apenas um estudo teológico, ao menos no âmbito oficial se deve entender assim, para não confundir com os pronunciamentos magisteriais, ou seja, os que nos obrigam obediência.

Mas o que gostaria de destacar deste trecho é precisamente esta compreensão de "Céu da Inocência", pois, como o autor mesmo fala, neste estado, onde milhares de nascituros mortos voluntariamente estão, goza-se de uma felicidade, limitada é verdade, mas para estas almas, uma felicidade grandiosa, muito maior que qualquer felicidade que talvez poderiam ter tido aqui na terra. Porquê? Porque estão já na eternidade, e como na eternidade não existe a contingência da ignorância, são sabedores da presença certa e eterna de Deus.

Admito o limbo como uma realidade certa, pois o coloco como parte do amor misericordioso de Deus. Sua bondade não faltaria aos nascituros violentamente abortados por suas mães, e mesmo para aquelas crianças que morreram prematuramente. Como sua misericórdia - que não tem limites - não anula sua justiça, seria oportuno  e conveniente um estado diferente do Céu glorioso e do Purgatório, um "lugar" especial para as almas ainda manchadas pelo pecado original, mas que mesmo assim, por conta dos méritos de Cristo, mereceriam a vida eterna. 

Se ficarão para a eternidade neste estado de felicidade limitada, não sei opinar, mas inclino-me a descordar por hora do autor que acredita que no final dos tempos elas se uniriam aos santos na glória celestial, isto por conta do pecado original herdado. Mas isto é apenas especulação.

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