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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Entrevista de Cardeal Müller na TV causa espanto

Chefe doutrinal do Vaticano censura publicação de ‘dubia’, mas alguns críticos afirmam que ele se engana, enquanto surge a informação de que nenhuma das correções da Congregação para a Doutrina da Fé a ‘Amoris Laetitia’ foi aceita. 

Por Edward Pentin, National Catholic Register, 9 de janeiro de 2017 | Tradução: FratresInUnum.com:

Cardeal Gerhard Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé [CDF], afirmou em uma entrevista ao vivo de televisão, no domingo, que a “correção fraterna” ao Papa Francisco acerca de sua exortação apostólica Amoris Laetitia (A Alegria do Amor) “não é possível por ora”, porque a documento não “apresenta perigo para a fé”.
Mas o comentário do cardeal, feito ontem ao correspondente no Vaticano do canal italiano Tgcom24, Fabio Marchese, contrasta com revelações feitas por ao menos dois eminentes oficiais do Vaticano ao Register na semana passada, de que a CDF apresentou um grande número de correções a Amoris Laetitia antes de sua publicação, no último mês de abril, “e sequer uma das correções foi aceita”.

[…]
Surpreso com a divulgação dos dubia
Cardeal Müller afirmou, no domingo, que os cardeais têm “todo direito de escrever uma carta ao Papa”, porém, acrescentou que estava “surpreso de que tenha se tornado público, quase forçando o Papa a dizer ‘sim’ ou ‘não'”.
“Não gosto disso”, disse. “Também, uma possível correção fraterna ao Papa parece-me muito distante; não é possível por ora, porque não se trata de um perigo para a fé, como afirmava Santo Tomás [de Aquino]”.

Ele declarou que sentia ser “uma perda para a Igreja discutir essas coisas publicamente”, acrescentando que Amoris Laetitia é “claríssima em sua doutrina e que podemos interpretar todo a doutrina de Jesus sobre o matrimônio, toda a doutrina da Igreja em 2000 mil anos de história”.

Papa Francisco, concluiu o cardeal, “pede para se discernir a situação dessas pessoas que vivem em uniões irregulares, que não estão de acordo com o ensinamento da Igreja sobre o matrimônio, e para ajudá-las a encontrar um caminho para uma nova integração na Igreja, segundo as condições dos sacramentos,a mensagem cristã sobre o matrimônio”. Ele declarou que não vê “nenhuma oposição: por um lado, temos o ensinamento claro sobre o matrimônio, por outro, a obrigação da Igreja em se preocupar com essas pessoas em dificuldade”.

Todavia, as declarações do cardeal encontraram espanto em Roma, com alguns argumentando que o cardeal perdeu o foco: a questão, dizem, não é se Amoris Laetitia pode ser lida em continuidade com a tradição, mas se é ambígua o bastante de modo que possa ser lida de maneira heterodoxa.

As observações do cardeal também vêm após a divulgação de que a CDF teve claro receio sobre o documento antes de sua publicação — preocupações que nunca foram objeto de consideração. Um bem informado oficial recentemente declaro ao Register que uma comissão da CDF que revisou um rascunho de Amoris Laetitia levantou dubia “similares” àquelas dos quatro cardeais. Esses dubia fizeram parte da correção de 20 páginas [a Amoris Laetitia] da CDF, primeiramente revelada por  Jean-Marie Genois em Le Figaro, de 7 de abril, na véspera da publicação do documento.

Outro experiente oficial foi além, revelando ao Register que, na semana passada, o Cardeal Müller disse-lhe pessoalmente que a CDF “apresentou muitas, muitas correções, e sequer uma das correções foi aceita”. Ele acrescentou que o que afirma o Cardeal na entrevista “é exatamente o contrário de tudo que ele me disse sobre a questão até agora” e que tinha a “impressão de alguém que não falava por si mesmo, mas repetia o que alguém dizia-lhe para dizer”.

Histórico forte
Cardeal Müller frequentemente falou de modo firme em defesa do ensinamento da Igreja sobre o matrimônio e a família nos últimos três anos (ver aqui e aqui). E em um discurso em Oviedo, Espanha, no ano passado, ele enfaticamente afirmou que Amoris Laetitia não abre as portas da Sagrada Comunhão a divorciados, reafirmando o art. 84 da exortação apostólica Familiaris Consortio, de S. João Paulo II, que afirma que os divorciados recasados não podem ser admitidos à Comunhão Eucarística ao menos que estejam aptos a viver em “completa continência”.

Porém, analistas afirmam que ele parece ignorar as preocupações sobre as interpretações divergentes do documento — profundas apreensões que se alega serem compartilhadas por muitos outros além dos quatro cardeais — e suspeitam que após o Papa recentemente remover três colaboradores do cardeai sem apresentar qualquer justificativa, e com uma correção formal possivelmente iminente, ele tenha se sentido compelido, ou foi compelido, a demonstrar ao Papa um inequívoco sinal de lealdade. Outros alegam que o italiano usado pelo cardeal na entrevista é mais matizado do que a tradução inglesa, que ele sabe o que está fazendo, e está tentando defender a ortodoxia e a unidade da Igreja a seu modo.

Um número significativo de conferências episcopais por todo o mundo expressaram suas preocupações ao Papa, averiguou o Register, e, como os quatro cardeais, não receberam resposta. Mesmo antes da publicação do documento,  30 cardeais, tendo lido uma versão antecipada da exortação apostólica, escreveram ao Papa expressando suas reservas, especialmente quanto à questão da Comunhão a divorciados civilmente recasados, advertindo que o documento enfraqueceria os três sacramentos essenciais da Igreja: a Eucaristia, o matrimônio e a confissão. O Papa também nunca respondeu à carta, disse uma fonte do Vaticano ao Register. 

A Sala de Imprensa da Santa Sé declinou comentar sobre a rejeição das correções da CDF a Amoris Laetitia, afirmando, em 2 de janeiro, que ela “não comenta o processo [de redação] dos documentos papais”.

Cardeal Müller também não respondeu, questionado por Register em 9 de janeiro, se está ciente da alegada confusão decorrente das diferentes interpretações de Amoris Laetitia, ou por que ele crê ser desnecessária uma correção formal quando as correções de seu próprio dicastério não foram aceitas.

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