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sábado, 23 de abril de 2016

O que vejo de "O apanhador no campo de centeio"

Na lista de livros que mais esperava para ler, aguçado pela curiosidade, estava O apanhador no campo de centeio (Editora do Autor. Rio de Janeiro, 15ª ed., 205 pg.), romance do norte-americano J. D. Salinger. E confesso que este livro despertava uma curiosidade quase insana, pois o que ouvia dele era muito peculiar, como por exemplo sua assossiação a casos de assassinatos, conspirações e atitudes psicóticas ("O apanhador no campo de centeio" carrega fama de inspirar psicopatas, Folha, 14/04/2011).
Com certeza é um clássico da literatura norte-americana, apesar de ser o único romance deste autor - o que torna difícil a comparação com outra obra do mesmo -, mas mesmo assim não prejudica a crítica ao estilo e desenvoltura da obra criada.
Salinger descreve a trajetória de um jovem que acaba de ser expulso mais uma vez da escola que em que estudava, esta seria a terceira ou quarta vez que ele era expulso. Os dias que o autor narra são os da despedida até o dia do retorno para casa, mais ou menos uma semana. Nestes dias o jovem Holden Caulfield despede-se de alguns colegas e do professor da escola Pencey. Sua despedida começa por um professor, o "velho" Spencer, o qual visita em sua casa. Depois volta a seu dormitório divido com um tal Stradlater, jovem vaidoso e inteligente, segundo o próprio Holden. Vizinho deles de quarto esta o exótico Ackley, meio bruto e meio burro, mas aparentemente alguém a quem Holden dispensava mais atenção que ao próprio colega de quarto Stradlater.
A direção da Escola havia enviado uma carta aos pais de Holden comunicando sua expulsão, mas esta chegaria somente na terça-feira, por isso Holden queria chegar lá na quarta-feira, para já ter o ambiente preparado para sua chegada fatídica. Mas ele não desejava ir para outra escola, como imaginava que o pai dele faria, depois de muita bronca. Ele estava de "saco cheio de tudo isso", como o autor mesmo expressa na linguagem utilizada na narração. Aliás, a linguagem utilizada pelo autor, tentando expressar a maneira dos jovens se comunicarem, sem pouca importância com o vocabulário normativo, faz do livro algumas vezes meio enfadonho, até cansativo, mas acredito que até isto ajuda a expressar a mentalidade conturbada do jovem Holden que não cansa de expressar seu enjoo pelo mundo em que vive, e pelas coisas que o obrigam a fazer para ser uma pessoas "normal".
Chegando em casa encontra a única pessoa que o faz mudar até as próprias decisões: sua irmãzinha Phoebe. Com ela encontra descanso e satisfação em conversar, algo que com os outros sempre o chateava depois de algumas palavras. É sua irmã que descobre instintivamente seu plano de fugir para algum lugar longe de casa, longe de todos, pois estava "cansado de tudo". Como disse, Phoebe é capaz de fazer com que Holden mude de ideia, e isso aconteceu. Depois de Phoebe revelar que iria com ele para onde fosse, Holden acaba mudando de ideia, talvez por não querer fazer a irmã sofrer agruras por suas decisões. Antes deste último encontro com sua irmã, no qual mudou de ideia sobre fugir, vai a casa de um antigo professor, o Sr. Antolini. O considerava intelectual e espirituoso, mas algo de estranho o pegou de surpresa. Depois de ser convidado a dormir na casa do professor, estando deitado e já adormecido no sofá da sala, acordada repentinamente com o professor Antolini fazendo-lhe carícias na cabeça, o que o deixa muito assustado e perturbado, pois não esperava tal atitude deste homem que admirava em certa medida.
Estes e outros comportamentos estranhos de pessoas que conhecia, o faziam desgostar-se do convívio com as pessoas, até das mulheres. Por este motivo, o temperamento de Holden pode assemelhar-se tão facilmente ao de certas pessoas que no mundo real sofrem certas psicopatias. O que nos faz entender tanta associação desta obra a certos indivíduos perturbados.
Acredito que, este jovem descrito por Salinger, sofria certa perturbação mental ou espiritual. Por este motivo considero esta obra um livro de profundo interesse não somente literário. De certa modo, é uma leitura difícil por exigir certa leitura ampla da narração, para não o considerar livreto chato e inconsistente. Mas recomendado para pessoas que já possuem hábitos literários e que possuem mente fresca para ampla análise.

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