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segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Nihil sine Episcopo

Dom Carlo Maria Martini lembra em seu livro Il Vescovo (2011) uma definição básica do que é o bispo:
No dicionário, o bispo é definido como alguém "que foi investido dos poderes de uma igreja local como sucessor dos Apóstolos, mediante a consagração especial que lhe confere a plenitude da ordem sacra" (Il grande dizinonario Garzanti della lingua Italiana, 1987, entrada "vescovo").

Dom Carlo não aceita esta definição como completa e evidentemente eu também não a vejo desta forma. O Bispo - sua vida e missão - é profundamente mais completo que esta simples "investidura" de fala o dicionário italiano. É necessário observar que o próprio sacramento da Ordem já bastaria para perceber que o ordenado não recebe uma simples responsabilidade jurídica ou coisa parecida, visto que a natureza deste sacramento lhes confere algo maior que isso, lhes transformando o próprio ser, impregnando algo inapagável. O que seria isso? A própria vida de Cristo!
Para o mundo descrente pode parecer magia, ou conto de fadas, mas a realidade invisível do sacramento que somente é aceita por aqueles que creem na graça divina, faz com que aquele homem - fraco e suscetível ao pecado como todos - possa agir in persona Christi, sem prejudicar a realidade da missão de Cristo que deve ser continuada pelos Apóstolos após Sua ascensão aos Céus.
Recordo-me de um pequeno livro que li em espanhol do cardeal Joseph Ratzinger sobre a jurisprudência do Epíscopo (Episcopado y Primado, de Ratzinger e Rahner), e uma coisa interessantíssima foi justamente o cardeal falando do porque o Bispo têm esta prerrogativa de aplicar o Codex Iuris Canonici através da leitura casual que somente a ele compete. Quem pode fazer isso além dele numa diocese? Mais ninguém! Somente o Bispo possui a jurisprudência para tal, para ler a lei e aplicá-la sem ferir a fidelidade a Igreja de Cristo ao mesmo tempo que age imbuído da caridade, mesmo punindo.
Aquilo que recolhemos em diversos livros, reflexões e documentos a cerca do Bispo e sua missão são verdadeiros: o Bispo é sucessor dos Apóstolos; é Pastor do rebanho de Cristo; é o administrador fiel que deve prestar contas ao dono da vinha; é o "pai" de uma multidão de fiéis. Mas acima de tudo o Bispo é obediente a Deus, a missão de Jesus Cristo e ao Magistério da Igreja que lhe ordenou. Somente com esta unidade de concepções sua missão de "ordenado na plenitude do sacramento" será fielmente cumprida.
Sei que existem no mundo muitos homens ordenados epíscopos que desgraçadamente agem de maneira infiel, seja pelo exagero, seja pelo laxismo. A verdadeira fidelidade não é exagerada nem laxa, é exata... "sim, sim, não, não" (cf. Mt 5,37; Tg 5,12b). Aqui não me refiro aos infiéis (que sei que existem), mas aos que, mesmo sob as difamações e calunias, lutam para permanecer fiel a missão dos Apóstolos deixada pelo próprio Cristo.
Nihil sine Episcopo, nada sem o Bispo. Isto pode ser um lema para todo cristão, pois o que nos garante a unidade com toda a Igreja Universal é a nossa unidade com o nosso bispo local, o bispo de nossa diocese.
Em nosso tempo existem muitas opiniões desejando ultrapassar a barreira de sua natureza "opinativa" para a categoria de verdade incontestável, e é isso que esta trazendo muita cissão no seio da Igreja Católica. Como católico precisamos saber que a verdade não se faz pela opinião de quem quer que seja - Bispo, Cardeal ou Papa - pois a verdade já esta revelada e pronta: é aquilo que aprendemos na Sagrada Escritura, de modo particular da pessoa de Jesus. Na diocese e em nossa paróquia não devemos fazer nada sem o Bispo, sem esta união com ele, pois unidos a ele estamos unidos a Igreja de Cristo que o ordenou e enviou a nós.
Acertadamente um amigo publicou certa vez nas redes sociais, "podes falar do teu Bispo, mas reze por ele o dobro do que fala". Rezar mais pelos Bispos ajudará muito ao próprio Espírito Santo a guiá-los pelo caminho da fidelidade a Cristo, deixando os erros de lado e assim, conduzindo o povo de Deus à salvação eterna.

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