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quarta-feira, 17 de junho de 2015

Weigel fala sobre a crise católica na Alemanha

Do site InfoCatólica | Tradução Blog VALDERI
George Weigel é um personagem singular. Conhecedor como poucos tanto das grandes tendências como dos prós e contras da Igreja, pertence ao minoritário clube dos estadunidenses com olhos e preocupações que vão além de suas fronteiras, como atesta sua presença regular na Europa. Seu nome, além disso, ficou relacionado com o de São João Paulo II, a quem conheceu profundamente e do qual nos deixou até o jab direto na mandíbula que derruba seus rivais. É o que acaba de acontecer com sua última postagem no seu blog First Things intitulado “A crise da Igreja católica alemã”.
Sobre George Weigel
momento a melhor biografia. Alguém pode não concordar totalmente com o que pensa e escreve, mas têm que reconhecer que quando mete o bisturi, o qual faz com essa liberdade e ausência de precaução com o que escrevem os norte-americanos, acostumado a cortar aonde mais dói (certamente porque é a zona mais infectada). Pode ser afiado e cortante, um
Creio que a Igreja católica na Alemanha é mais que Kasper e Marx, mas me parece que, com esta condição, o retrato que faz George Weigel do estado da Igreja na Alemanha é certo, corajoso e demolidor. Quando acabei lê-lo pensei que muito pouco poderia acrescentar e que ajudava a compreender o que estamos vivendo. Deste modo, apressei-me em traduzir-lhe para poder mostrar a outros. Com a palavra, George Weigel:
A Igreja do século XXI deve muito ao catolicismo alemão do século XX: por sua generosidade para com os católicos do Terceiro Mundo; pelo testemunho dos mártires como Alfred Delp, Bernhard Lichtenberg e Edith Stein; por suas contribuições aos estudos bíblicos, a teologia sistemática e moral, a renovação litúrgica e a doutrina social da Igreja, através da qual o catolicismo alemão teve um papel muito relevante nos esforços do Vaticano II para renovar o testemunho católico no terceiro milênio.
O que simplesmente intensifica o impacto ao lermos o informe dos bispos alemães para o Vaticano em preparação para o próximo Sínodo de outubro. Um dos meus amigos com quem me correspondo regularmente o considera uma declaração de cisma. Eu o leio como um involuntário cri du coeur, uma confissão de desastre catequético e fracasso pastoral em escala nacional, ao que o episcopado alemão não têm nenhuma resposta exceto urgir aos demais para que sigam pelo caminho que levou o catolicismo da Alemanha a uma profunda incoerência.
Quando alguém trata de falar desta catástrofe com clérigos alemães de nível, raramente se encontra, em nossos dias, uma abertura séria, nascida do reconhecimento de que algo andou terrivelmente mal e de que se deve encontrar outro enfoque para a evangelização e a catequese, uma atitude enraizada na alegria do Evangelho pregado e vivido em sua plena integridade. Mas bem, o que se encontra normalmente é uma terceira insistência. ‘Você não tem nossa situação’ é a antífona, tipicamente dita com certa veemência.
No entanto, se trata realmente de que nós, obtusos não alemães, não os entendemos? As estatísticas de práticas religiosas entre os católicos alemães, ou melhor a falta delas, não são nenhum segredo pontifício. Essas estatísticas se encarnam no que os visitantes podem observar nas cidades alemãs no domingo: igrejas quase vazias. Agora chega este informe para o Sínodo, sugerindo que, em matéria de matrimônio, família, moral do amor humano e as coisas que contam para uma verdadeira felicidade, o pensamento católico alemão é praticamente indistinguível dos não crentes.
E assim o episcopado alemão sugere que a resposta é relaxar a disciplina também da doutrina e da prática católica, agora em escala global. É bastante notável. E certamente se falará dele, e não favoravelmente, em Roma em outubro.
Em outubro de 2001 tive uma interessante conversa de duas horas com o Cardeal Karl Lehmann, agora um dos pesos pesados da hierarquia alemã. Falamos da crise de fé em toda a Europa (e a crise demográfica da Europa, relacionada com a anterior) um longo tempo. Logo o cardeal me ofereceu um exemplar de seu livro mais recente, Agora é o momento de pensar em Deus. Devo dizer que considerei o título... chamativo. Entendo que o elegeu como um desafio ao secularismo reinante em nossa época, mas não poderia deixar de perguntar-se: De que outra coisa este distinto erudito, e seus colegas nas mais elevadas alturas da teologia alemã, estiveram falando todos estes anos?
Para falar sem delongas, estavam tratando de ‘falar-sobre-Deus’: quer dizer, estavam perseguindo suas próprias ‘caudas’ para tratar de responder a crise de fé na modernidade tardia. E ao fazê-lo ficaram presos no interior do que o filósofo polaco Wojciech Chudy, um bisneto intelectual de São João Paulo II, chamou de armadilha da reflexão pós-kantiana: pensar-sobre-o-pensamento, no lugar de pensar sobre a realidade, neste caso, o Evangelho e suas verdades. Menos elegantemente, eu escreveria ‘armadilha da reflexão’ de Chudy como o poço de areia movediça de um subjetivismo que se converte em auto-absorção, de onde é muito difícil tirar a si mesmo e responder à chamada do Mestre, ‘vem e segue-me’.
A crise católica na Alemanha não é predominantemente institucional; a Igreja católica é o segundo maior empregador na Alemanha e suas instituições são sólidas. A crise é de fé. O catolicismo alemão está em crise porque os católicos alemães não abraçaram o Senhor Jesus e seu Evangelho com paixão, convicção e alegria, e estão buscando sua felicidade em outro lugar. Isto é triste; isto é trágico; isto é desalentador.
Mas também não é algo que se possa recomendar como modelo para os demais, excerto como uma advertência acerca dos efeitos de render-se ao espírito da época.
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